Após ser acusada de promover limpeza étnica, AfD anuncia processo contra Merz
Após ser acusada de promover "limpeza étnica" por Friedrich Merz , a AfD, sigla de extrema direita da Alemanha , afirmou que vai processar o primeiro-ministro do país por difamação. Leia mais (09/11/2026 - 12h14)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Após ser acusada de promover "limpeza étnica" por Friedrich Merz , a AfD, sigla de extrema direita da Alemanha , afirmou que vai processar o primeiro-ministro do país por difamação.

Na quarta-feira (9), durante um debate sobre o Orçamento no Bundestag, o Parlamento federal, Merz fez duras críticas à sigla, acusando-a de promover a remigração, "que nada mais é do que limpeza étnica baseada na cor da pele e na origem".
"Nenhuma casa de repouso funcionará. Nenhum hospital na Alemanha permanecerá em funcionamento e nenhum restaurante conseguirá se manter aberto. Esse seria o resultado da política de remigração deles", afirmou o premiê, listando alguns dos setores da economia alemã cuja participação de imigrantes é fundamental.
No começo da semana, Merz já havia se declarado "profundamente chocado" com a vitória da AfD na eleição em Saxônia-Anhalt. No domingo (6), o partido obteve quase 44% dos votos. Com o resultado, alcançou 39 cadeiras no Parlamento estadual, a três de formar maioria. É o maior resultado da extrema direita no país desde a Segunda Guerra Mundial .

Segundo Stephan Brandner, secretário-geral da AfD em Berlim , as declarações do premiê eram "relevantes do ponto de vista penal" e "totalmente inaceitáveis". O grupo parlamentar do partido no Bundestag, segundo o parlamentar, se mantém "firmemente alinhado com a Constituição" e sustenta que a política de remigração atingiria apenas imigrantes ilegais.
Porém, o Escritório Federal de Proteção à Constituição, que classifica a AfD como um partido de "extrema direita comprovada", trata a remigração como um conceito que "visa a criação de sociedades definidas etnicamente e, em consequência, a expulsão de todos os ‘estrangeiros’".
Antes polêmico, o termo, um eufemismo para deportação em massa de imigrantes, foi naturalizado pelo partido em discursos no ano passado. No atual calendário de eleições estaduais, virou item dos programas de governo da legenda .

Ulrich Siegmund, principal nome da AfD em Saxônia-Anhalt e cotado para se tornar o primeiro ministro-presidente , cargo equivalente a governador, da história do partido, usou a remigração na quinta-feira como argumento. Em entrevista, ele defendia o apoio do partido à instalação no estado de uma unidade da empresa israelense de armamentos Elbit.
"Não condenamos categoricamente a produção de armas, porque precisaremos desses recursos para a futura ofensiva de remigração e deportação", declarou. A fala gerou reação até de políticos da BSW, agremiação populista de esquerda que flerta com a ideia de compor ou colaborar com o futuro governo estadual da AfD.
Merz verbalizou o sentimento de muitos políticos dos partidos de centro e de parte da sociedade civil alemã. A vitória do partido, que, além da remigração e bandeiras conservadoras, defende a saída da União Europeia , a volta do marco alemão e a reaproximação com a Rússia, renovou o debate sobre seu banimento. Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália, cotado como eventual substituto de Merz caso a crise de impopularidade o inviabilize no posto, defendeu publicamente o veto.

Diversos integrantes da AfD são investigados por discurso de ódio e neonazismo. Brandner, que anunciou o processo contra Merz, teve sua imunidade parlamentar suspensa nesta semana pelo Bundestag. Ele é acusado de injúria por uma jornalista.
Especialistas afirmam, no entanto, que a proibição da sigla, além da complexidade jurídica, pode torná-la ainda mais popular. Pesquisas indicam que o partido teria 28% dos votos se a eleição federal, programada para 2029, fosse realizada agora.
Neste fim de semana, ao menos 20 cidades da Alemanha serão palco de manifestações contra a ascensão da AfD organizadas por ativistas e grupos de defesa da democracia.

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/apos-ser-acusada-de-promover-limpeza-etnica-afd-anuncia-processo-contra-merz.shtml.

Bancada da AfD no Bundestag, o Parlamento alemão, reage a trecho do discurso de Friedrich Merz na quarta-feira (9), em Berlim - Annegret Hilse/Reuters · Annegret Hilse/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

