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    Após disparada, feijão começa a ficar mais barato nos supermercados

    Queda nas lavouras foi muito mais intensa do que a observada nas gôndolas; setor acredita que agosto pode acelerar repasse ao consumidor

    CNN Brasil
    8 de agosto de 2026 às 09:00
    Após disparada, feijão começa a ficar mais barato nos supermercados
    Foto: CNN Brasil

    Depois de figurar entre os principais responsáveis pela alta dos alimentos no primeiro semestre , o feijão começa a dar sinais de alívio ao consumidor. Os preços da leguminosa já recuaram nas prateleiras em julho, mas a redução ainda está longe de acompanhar a queda registrada nas regiões produtoras.

    O movimento ocorre pouco mais de um mês após o feijão liderar a inflação do varejo alimentar no país. Levantamento da Neogrid mostrou que, em junho, o produto teve alta média de 8% em relação a maio, passando de R$ 8,05 para R$ 8,70 por quilo. A valorização foi impulsionada principalmente pela quebra da segunda safra provocada por problemas climáticos e pela redução da área plantada.

    Agora, um relatório divulgado pelo Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas) mostra uma mudança de cenário. Durante julho, o preço do feijão-carioca caiu rapidamente nas principais regiões produtoras.

    Brasil tem pouco estoque de feijão-carioca • Sebastião Araújo/Embrapa · • Sebastião Araújo/Embrapa
    Brasil tem pouco estoque de feijão-carioca • Sebastião Araújo/Embrapa · • Sebastião Araújo/Embrapa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em Minas Gerais e Goiás, a saca, que poucas semanas antes era negociada acima de R$ 300, passou a ser comercializada próxima de R$ 280, com negócios em valores ainda menores sendo registrados nos últimos dias.

    A queda, no entanto, chegou ao consumidor em ritmo mais lento.

    Levantamento do Ibrafe mostra que, na cidade de São Paulo, o preço médio do feijão-carioca de um quilo caiu de R$ 10,09 em junho para R$ 9,50 em julho, redução de 5,85%. O feijão-preto recuou 1,56%, passando de R$ 10,25 para R$ 10,09.

    Clima frio afeta produção agrícola e encarece alimentos
    Clima frio afeta produção agrícola e encarece alimentos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em Recife, a queda foi mais expressiva. O feijão-carioca passou de R$ 8,89 para R$ 8,19 por quilo, redução de 7,87%, enquanto o feijão-preto caiu 3,67%.

    Na Grande Belo Horizonte, o feijão-carioca também apareceu entre os produtos que mais baratearam no mês, com recuo médio de 3,21%.

    Segundo o presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders, a diferença entre a velocidade da queda no campo e no varejo é natural, já que há uma série de custos e etapas entre a produção e a venda ao consumidor. "Entre a lavoura e o supermercado existem estoques adquiridos anteriormente, beneficiamento, embalagem, transporte, impostos, distribuição e margens. Portanto, é natural que exista alguma defasagem."

    Brasil mira autossuficiência em grão-de-bico e lentilha
    Brasil mira autossuficiência em grão-de-bico e lentilha — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Apesar disso, o instituto defende que o mercado acompanhe mais de perto a velocidade desse repasse. "Quando o feijão sobe na lavoura, imediatamente surge a preocupação com o que acontecerá na gôndola. Quando cai, precisamos observar, com a mesma atenção, quanto dessa redução realmente chega ao consumidor."

    A avaliação do Ibrafe é que, se a saca permanecer próxima dos atuais patamares ou recuar para cerca de R$ 250 ao longo de agosto, haverá espaço para uma redução mais significativa nos supermercados, o que poderá estimular novamente o consumo da leguminosa .

    A entidade destaca que a queda dos preços na produção só será positiva para toda a cadeia se parte relevante dessa redução chegar efetivamente ao consumidor final.

    Ruptura cai no varejo, mas campo mantém leite entre produtos mais afetados
    Ruptura cai no varejo, mas campo mantém leite entre produtos mais afetados — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Apesar da recente melhora, o feijão continua entre os alimentos que mais subiram de preço em 2026. Segundo a Neogrid, entre dezembro de 2025 e junho deste ano, o produto acumulou valorização de 36,7% no varejo brasileiro, ficando atrás apenas dos legumes, que registraram alta de 50,2% no período.

    Para Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, a forte oscilação dos preços reflete a sensibilidade dessas categorias às condições climáticas e reforça a necessidade de uma gestão mais eficiente dos estoques e da reposição pelos supermercados.

    Na avaliação da empresa, o comportamento dos preços do feijão continuará sendo um dos principais indicadores da inflação dos alimentos ao longo do segundo semestre.

    Clima frio afeta produção agrícola e encarece alimentos
    Clima frio afeta produção agrícola e encarece alimentos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Embora o feijão comece a perder força como vetor de inflação, outros produtos seguem pressionando o bolso do consumidor. Em junho, os legumes registraram alta média de 4,2% no país, com o preço médio passando de R$ 7,93 para R$ 8,26 por quilo. Na região Norte, o aumento chegou a 11,3%.

    No acumulado do ano, os legumes lideram a inflação entre os alimentos, com valorização de 50,2%. Também permanecem em alta o leite UHT, que acumula aumento de 23,1%, a carne bovina, com alta de 6,5%, e a farinha de mandioca, que subiu 5%.

    Por outro lado, alguns produtos já começaram a aliviar o orçamento das famílias. O café em pó e em grãos recuou 3,2% em junho, enquanto o açúcar caiu 2,8%. Também registraram redução de preços os ovos (-1,8%) e o óleo de cozinha (-1,7%).

    Ruptura cai no varejo, mas campo mantém leite entre produtos mais afetados
    Ruptura cai no varejo, mas campo mantém leite entre produtos mais afetados — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Brasil mira autossuficiência em grão-de-bico e lentilha
    Brasil mira autossuficiência em grão-de-bico e lentilha — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/apos-dispara-feijao-comeca-a-ficar-mais-barato-nos-supermercados/.

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    Brasil tem pouco estoque de feijão-carioca • Sebastião Araújo/Embrapa · • Sebastião Araújo/Embrapa — Foto: CNN Brasil

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