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    Após desarquivar caso, polícia marca reconstituição da morte de indígena de recente contato em Manaus

    A Polícia Civil do Amazonas agendou uma reconstituição dos fatos que antecederam a morte de Tadeo Kulina , indígena de recente contato que desapareceu de uma maternidade pública em Manaus em fevereiro de 2024 e que foi encontrado morto ?com marcas de agressões em diferentes partes do corpo? mais de uma semana depois no IML (Instituto Médico Legal) da cidade. Leia mais (08/29/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 11:00
    Após desarquivar caso, polícia marca reconstituição da morte de indígena de recente contato em Manaus
    Foto: Folha de S.Paulo

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    A Polícia Civil do Amazonas agendou uma reconstituição dos fatos que antecederam a morte de Tadeo Kulina , indígena de recente contato que desapareceu de uma maternidade pública em Manaus em fevereiro de 2024 e que foi encontrado morto –com marcas de agressões em diferentes partes do corpo– mais de uma semana depois no IML (Instituto Médico Legal) da cidade.

    Corpo de Tadeo Kulina é transportado de volta a aldeia na Terra Indígena Kulina do Médio Juruá, no oeste do Amazonas - Entidades indígenas/Divulgação · Entidades indígenas/Divulgação
    Corpo de Tadeo Kulina é transportado de volta a aldeia na Terra Indígena Kulina do Médio Juruá, no oeste do Amazonas - Entidades indígenas/Divulgação · Entidades indígenas/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O agendamento da reconstituição e reprodução simulada dos fatos foi comunicado à 3ª Vara do Tribunal do Júri em Manaus, onde tramita o processo, e ao MP ( Ministério Público ) do Amazonas. A reconstituição, solicitada pela polícia ao Instituto de Criminalística, deve ser realizada em 19 de outubro, às 13 horas.

    O local a ser periciado é o lava-jato próximo da maternidade , para onde Tadeo se dirigiu após deixar o hospital.

    Ele acompanhava a mulher, Ccorima Kulina, que teve uma bebê na instituição, após a detecção de que o quadro de saúde da mulher, na reta final do parto, era gravíssimo. O casal vivia numa aldeia na região do médio rio Juruá , a 1.200 km de distância em linha reta de Manaus. Ela voltou com a bebê à comunidade, no mesmo voo onde foi transportado o caixão com o corpo de Tadeo.

    A série Dois Mundos, publicada pelo podcast Café da Manhã, da Folha, investiga morte de indígena de recente contato em Manaus - Catarina Pignato/Folhapress · Catarina Pignato/Folhapress
    A série Dois Mundos, publicada pelo podcast Café da Manhã, da Folha, investiga morte de indígena de recente contato em Manaus - Catarina Pignato/Folhapress · Catarina Pignato/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O indígena sofreu uma queda no lava-jato, de uma altura estimada de sete metros. A polícia, que antes investigava a suspeita de homicídio, apontou a ocorrência de morte acidental e arquivou o caso, o que foi referendado pelo MP.

    A veiculação do podcast "Dois Mundos" em maio e junho de 2025, pela Folha , mudou o curso do caso.

    O podcast apontou novos elementos e provas sobre a morte de Tadeo, reconstituiu os caminhos percorridos , ouviu testemunhas que estavam fora do radar e esteve na região do médio rio Juruá para documentar a realidade dos madihas kulinas nas cidades e para ouvir os indígenas parentes de Tadeo nas aldeias.

    A imagem é a capa do podcast "Dois Mundos". O fundo é predominantemente verde, com um padrão que lembra um mapa. Há linhas sinuosas em tons de marrom que representam rios. No canto superior esquerdo, está o logotipo do Spotify, e na parte i
    A imagem é a capa do podcast "Dois Mundos". O fundo é predominantemente verde, com um padrão que lembra um mapa. Há linhas sinuosas em tons de marrom que representam rios. No canto superior esquerdo, está o logotipo do Spotify, e na parte i — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além disso, o trabalho jornalístico apontou uma série de falhas na investigação conduzida pela polícia até optar pelo arquivamento inicial do caso. Entre as falhas identificadas está a conclusão da investigação sem a realização de uma perícia no lava-jato, apesar de ter existido um pedido da delegacia nesse sentido.

    Com base no podcast, a Defensoria Pública do Amazonas e a Opiju (Organização dos Povos Indígenas da Calha do Rio Juruá) pediram, em setembro de 2025, o desarquivamento do inquérito .

    Em outubro, o MP do Amazonas concordou com o pedido e desarquivou o caso . A instituição determinou que a Polícia Civil do Amazonas fizesse uma nova investigação, num prazo inicial de 90 dias.

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    Esse prazo já foi descumprido, mas novas diligências foram feitas, como reinquirição de testemunhas.

    Outras diligências estão no escopo dos investigadores, como os depoimentos de madihas kulinas nas aldeias –Ccorima entre eles, com ajuda de um tradutor– e a realização da reconstituição e reprodução simulada dos fatos no lava-jato.

    Para essa reconstituição, a polícia pede aos peritos "especial atenção aos vestígios e à dinâmica da queda, notadamente para esclarecer se os ferimentos registrados são compatíveis com a queda da altura da laje". Isso deve ser confrontado com os depoimentos das testemunhas, conforme a polícia.

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    Entre os novos depoimentos colhidos estão os de testemunhas que estavam no lava-jato e os de dois dos três policiais militares.

    Eles afirmaram que Tadeo foi imobilizado, com fios amarrados nos pés e nas mãos, e que esse ato teria sido necessário para conter uma suposta agitação da vítima. Os PMs disseram que retiraram os fios para algemá-lo, antes de o colocarem na viatura.

    Todos negaram ter agredido o indígena, embora um policial tenha relatado que a queda se deu no momento em que o indígena se desvencilhava de um dos presentes.

    O carro dos PMs passou pela delegacia e transportou Tadeo até o Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, onde se confirmou o óbito horas depois. O corpo dele foi levado ao IML e só foi localizado pelo serviço de saúde indígena dias depois.

    Nos relatos, os depoentes dizem que Tadeo se locomovia normalmente após a queda no lava-jato; segundo um dos policiais, ele chegou a ingressar caminhando no hospital, até a maca. Não havia marcas de sangue aparentes na cabeça , conforme os depoimentos.

    Ainda segundo os novos depoimentos, diferentes lavadores de carros teriam participado da imobilização de Tadeo. Dois nomes novos são citados, mas os depoentes afirmaram que eles já não trabalham no lava-jato e que não sabem os telefones e endereços dos dois.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/apos-desarquivar-caso-policia-marca-reconstituicao-da-morte-de-indigena-de-recente-contato-em-manaus.shtml.

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    Corpo de Tadeo Kulina é transportado de volta a aldeia na Terra Indígena Kulina do Médio Juruá, no oeste do Amazonas - Entidades indígenas/Divulgação · Entidades indígenas/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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