Política

    Após conselho sobre redes, engajamento de Lula sobe 22% com selfies

    Levantamento da Bites registra 29,2 milhões de interações em 5 dias; 46% das menções são negativas, contra 22,8% positivas

    Poder360
    11 de outubro de 2026 às 09:00
    Após conselho sobre redes, engajamento de Lula sobe 22% com selfies
    Foto: Poder360

    Levantamento da Bites registra 29,2 milhões de interações em 5 dias; 46% das menções são negativas, contra 22,8% positivas

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a produção de vídeos no formato selfie depois do 1º turno e colheu aumento de engajamento. De 5 a 9 de outubro, o petista somou 29,2 milhões de interações em 167 publicações no Facebook, Instagram, TikTok e X. A média foi de 175.000 interações por post, alta de 22% em relação aos 5 dias que antecederam a votação.

    É um momento delicado para a campanha. Lula terminou o 1º turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL) , com 45,16% dos votos, ante 47,03%. A primeira pesquisa pós-votação, do PoderData/Aya , mostra o senador com 53% no 2º turno, contra 47% do petista.

    Rafael Fonteles sugeriu que o presidente fizesse mais selfies, o que rendeu aumento de engajamento
    Rafael Fonteles sugeriu que o presidente fizesse mais selfies, o que rendeu aumento de engajamento — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    O resultado vem acompanhado de um dado menos confortável: 46% das menções a Lula em português nas redes são negativas, contra 22,8% positivas. Os dados são da Bites, empresa brasileira de análise de dados, feito a pedido do Poder360 .

    No mesmo intervalo, Lula ganhou 1,050 milhão de seguidores, crescimento de 2,67%. Para comparação, do início da campanha, em 16 de agosto, até o 1º turno, o presidente havia somado 1,423 milhão. Em 5 dias, portanto, a alta equivaleu a cerca de 74% do que foi obtido em quase 7 semanas.

    A média de interações por post também mudou de patamar. Entre o início da campanha e o 1º turno, foi de 36.000 por publicação, com 82,2 milhões de interações no total. Nos 5 dias após a votação, a média quase quintuplicou.

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    A Bites contabilizou 13,3 milhões de menções em português em contas públicas de X, Facebook, Instagram, sites de notícias, blogs, Reddit, TikTok, YouTube e Bluesky desde as 17h de 4 de outubro.

    O volume é 52,3% maior que o dos 5 dias anteriores.

    Entre essas menções, 46% foram classificadas como negativas e 22,8%, positivas.

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    Na semana que antecedeu o 1º turno, os percentuais eram parecidos: 48,5% negativas e 22,4% positivas. Ou seja, o aumento de visibilidade não alterou a proporção entre críticas e elogios.

    No dia seguinte ao 1º turno, Lula participou de duas reuniões com integrantes da campanha e aliados. Na segunda, mais ampla, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sugeriu que o presidente fizesse mais selfies . A sugestão foi acatada. De 4ª feira (7.out) a 6ª feira (9.out), Lula publicou mais de 10 vídeos nesse formato, sozinho ou com aliados. No primeiro, convocou apoiadores a irem às ruas conversar com a população sobre as propostas da campanha.

    A aproximação com a deputada eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT) faz parte da mesma estratégia. Na 4ª feira, ela se reuniu com Lula e com a produtora Paula Lavigne no Palácio da Alvorada. No dia seguinte, afirmou a jornalistas que “o único lugar em que a esquerda perdeu” foi nas redes sociais.

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    Além do formato, o tom mudou. A campanha avalia que não é possível manter uma atitude “boazinha” na reta final e passou a endurecer o discurso contra Flávio. A comunicação passou a se concentrar nos direitos e nas políticas públicas que, segundo o petista, podem ser perdidos se o filho de Bolsonaro for eleito.

    Em vídeos publicados na 5ª feira (8.out) , Lula afirmou que o governo Flávio cortará R$ 250 bilhões de saúde, educação e Previdência, além de benefícios como Pé-de-Meia, Minha Casa, Minha Vida e Gás do Povo. Em outro, relacionou o senador ao crime organizado.

    O esforço contrasta com o histórico de resistência do presidente. Em plenária com jovens deputados do PT e de partidos aliados , Lula disse: “Eu tenho que falar nas redes, no celular. Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas” .

    A fala não era para ser pública. A transmissão chegou a ser disponibilizada pelo PT, mas foi retirada do ar durante o discurso do presidente. Na 6ª feira, no 1º ato de campanha após o 1º turno, em Ceilândia (DF), ele disse que está virando o “rei das selfies” .

    Para a cientista política Tathiana Chicarino , coordenadora da graduação em Sociologia e Política da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), “do ponto de vista instrumental, dá para fazer um ajuste durante a campanha eleitoral” .

    Segundo ela, a personalização é central na lógica das plataformas, que dão mais impulsionamento a perfis individuais. Por isso, ter o presidente falando diretamente à câmera tende a funcionar melhor nesse ambiente do que conteúdos genéricos.

    Chicarino avalia que o risco de artificialidade não está na falta de familiaridade do político com o formato nem na idade. Estaria em uma mensagem dissociada da trajetória de quem a diz.

    E la também rejeita a ideia de que existam eleitores “fora” da política digital. Mesmo quem consome pouca informação política tradicional está no WhatsApp, cuja penetração, segundo ela, chega perto de 100%, e em redes como o TikTok.

    Para a pesquisadora, o principal erro possível do PT no 2º turno seria não deixar clara a diferença entre os 2 candidatos. Ela cita a teoria do discurso para explicar: termos como “democracia” e “ soberania” são “significantes vazios” , e a disputa política está em dar sentido a eles . “Não é só falar de democracia, mas dar significado para o que ele está falando de democracia” , disse.

    A especialista ressalta que o ajuste instrumental não resolve um problema mais profundo. Partidos como o PT “se constituíram antes da internet” , e a lógica de recrutamento de candidatos e de construção de consensos ainda é analógica.

    Ela lembra ainda que as plataformas são espaços privados, com algoritmos pouco transparentes.

    A preocupação com o funcionamento dessas empresas também levou a campanha de Lula a acionar o TSE em diferentes ocasiões. Em 9 de outubro, a coligação pediu providências contra a Meta por suspeita de redução do alcance de publicações favoráveis ao presidente. Em setembro, também questionou a distribuição de conteúdos pró-Flávio Bolsonaro no Instagram e a restrição da conta de anúncios de Lula .

    Esse cenário aparece nos dados do Observa, o Observatório de Conflitos na Internet da Universidade Federal do ABC, do qual Chicarino participa. O grupo monitora 162 perfis políticos, da direita à esquerda. O padrão identificado é consistente: perfis de esquerda publicam mais conteúdos únicos, mas a direita bolsonarista tem engajamento muito maior.

    Levantamentos da Bites já publicados pelo Poder360 apontam na mesma direção. No início do ano, Flávio teve cerca de 76% mais interações que Lula . Depois do tarifaço, engajou 4 vezes mais , mesmo com 11 milhões de seguidores a menos.

    Na semana do 1º turno, a Bites mostrou que deputados do PL somam 210 milhões de seguidores, contra 72 milhões de PT e aliados. O diretor da Bites, Manoel Fernandes, avaliou que a reunião de Lula com parlamentares de forte presença digital era “esperada e necessária” , mas pode ter vindo tarde.

    A explicação, segundo Chicarino, combina os dois fatores. Esses grupos atuam de forma contínua nas redes há anos, acumulando audiência e visibilidade, e a ativam na hora da eleição. Para ela, aumentar apenas o número de postagens sem planejamento não basta.

    Os números da Bites indicam que a estratégia de selfies rendeu ganho imediato de alcance. Mas, em levantamento anterior, Flávio seguia ganhando mais seguidores que Lula depois do 1º turno e tinha média de interações por post mais de 4 vezes maior.

    Resta saber se o ganho de Lula será suficiente para alterar a proporção entre menções negativas e positivas nos dias que restam até o 2º turno.

    Vídeo: Poder360 · Fonte: Poder360
    Vídeo: Poder360 · Fonte: Poder360

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/apos-conselho-sobre-redes-lula-intensifica-presenca-on-line/.

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    Rafael Fonteles sugeriu que o presidente fizesse mais selfies, o que rendeu aumento de engajamento — Foto: Poder360

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