Apesar de riscos de inundação, Nepal acelerou construções em locais vulneráveis
O rápido aquecimento do Himalaia está aumentando o risco de inundações como as que mataram milhares de pessoas no Nepal e no Tibete neste ano. Ainda assim, nos últimos anos, as pessoas continuaram a construir em áreas sujeitas a alagamentos, segundo uma análise de dados de satélite. Leia mais (10/13/2026 - 05h00)

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O rápido aquecimento do Himalaia está aumentando o risco de inundações como as que mataram milhares de pessoas no Nepal e no Tibete neste ano. Ainda assim, nos últimos anos, as pessoas continuaram a construir em áreas sujeitas a alagamentos, segundo uma análise de dados de satélite.

A área total ocupada por edificações ao longo de corredores fluviais vulneráveis no Nepal e nas regiões vizinhas da Índia e da China aumentou quase 50% entre 2016 e 2023, relataram cientistas em um estudo que saiu na última quinta-feira (8). Os autores do trabalho estimam que quase 300 mil pessoas ocupem essas zonas expostas.
O estudo, publicado na revista Scientific Reports , não buscou classificar as novas edificações por tipo de uso. Mas apontou o turismo e a construção de usinas hidrelétricas como dois dos prováveis fatores por trás da recente expansão nos vales das altas montanhas.
As trágicas enchentes de agosto chamaram a atenção para os riscos de inundação no Himalaia, onde o território vasto e complexo torna extremamente difícil prever desastres.

Os possíveis fatores desencadeadores são muitos: chuvas torrenciais de monção, terremotos e avalanches que lançam grandes rochas em lagos formados pelo derretimento de geleiras. À medida que a água avança pelos vales, pode se misturar a sedimentos e detritos, formando uma massa de lama que atinge as cidades e comunidades abaixo com uma força impressionante —e mortal.
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Durante muito tempo, foi difícil estimar quantos edifícios e estruturas no Himalaia estavam em áreas de risco, afirmou Scott Watson, pesquisador da Universidade de Leeds ( Inglaterra ) e principal autor do novo estudo. As imagens de satélite nem sempre oferecem cobertura completa nas montanhas.

No entanto, um conjunto de dados do Google divulgado recentemente, com informações sobre a área ocupada por edificações em todo o mundo entre 2016 e 2023, proporcionou uma oportunidade a Watson e seus colegas.
Depois de verificar que os dados do Google correspondiam de forma satisfatória a outras imagens de satélite do Nepal, os pesquisadores os combinaram com mapas topográficos para avaliar o desenvolvimento urbano nos vales de encostas íngremes por onde as águas das enchentes podem avançar.
Eles constataram que a área total de edificações situadas até 50 metros acima do fundo dos vales aumentou 46% nesse período de oito anos. Com base nas tendências demográficas recentes, os pesquisadores estimaram que o número de pessoas que vivem nessas áreas poderá crescer 6% entre 2015 e 2030.

Poucas enchentes no Himalaia provavelmente elevariam o nível da água em 50 metros, segundo Watson. Ainda assim, as enchentes de agosto parecem ter atingido essa altura ou até mais em alguns lugares. E não é apenas a água que pode destruir casas e edifícios. O solo erodido ao redor de um rio pode continuar cedendo e deslizando por dias ou semanas após a passagem de uma enxurrada.
Em outras regiões onde as enchentes são um problema, os códigos de construção se baseiam em estimativas da probabilidade de inundações de diferentes magnitudes: os chamados eventos de cem anos, de 500 anos e assim por diante. Mas produzir esse tipo de estimativa para o Himalaia continua sendo um "grande desafio", disse Watson. Segundo ele, as enchentes na região ocorrem em uma paisagem imprevisível demais para que os cientistas possam afirmar com segurança quanta água as comunidades devem esperar e com que frequência.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/10/apesar-de-riscos-de-inundacao-nepal-acelerou-construcoes-em-locais-vulneraveis.shtml.

Grupo desce de Kala Patthar de volta a Gorak Shep, o último vilarejo antes do acampamento-base do Everest, no Nepal. Entre os fatores que podem provocar inundações no Nepal estão as chuvas torrenciais das monções, os terremotos e as avalanc — Foto: Folha de S.Paulo
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