Apertemos os cintos; as lideranças sumiram
O cenário de total desacerto que assola a República encontrou o Brasil na orfandade em matéria de lideranças capazes de iluminar um caminho para a saída da crise. Leia mais (09/19/2026 - 15h00)

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O cenário de total desacerto que assola a República encontrou o Brasil na orfandade em matéria de lideranças capazes de iluminar um caminho para a saída da crise.

O chefe do Executivo só tem olhos para o umbigo da reeleição; tira o corpo fora e transfere responsabilidade ao presidente do Supremo Tribunal Federal , que é desacatado por seus pares, enquanto o comando do Congresso entrega-se ao exercício da omissão e os governadores se calam. Não é com eles.
Nunca, na nova era democrática, houve algo parecido. Para qualquer lado que se olhe, sob qualquer aspecto que se examine o quadro, não se enxerga um gesto nem se ouve uma voz que inspire confiança e dê segurança à população sobre o rumo a seguir.
O presidente Luiz Inácio da Silva ( PT ) faz um "te dou um dinheiro aí" no bolso dos pobres; Flávio Bolsonaro ( PL ) promete dominar o STF com a indicação de cinco novos ministros. Os demais concorrentes produzem uma barulheira dispersiva desconectada do sentido da urgência de reorganização nacional.

Sobre os juízes supremos nada há a acrescentar que já não tenha sido dito na troca de selvagens vulgaridades num ambiente de descomposturas onde poucos se salvam na preservação das respectivas lisuras pessoais e profissionais.
Seria de se esperar, nesse quadro, que o Parlamento se posicionasse à altura do papel de Casa da representação popular. A sociedade está perplexa, desencantada, agoniada, nauseada, mas ainda na expectativa de solução.
Alheios à angústia dos representados, deputados e senadores ocupam-se das próprias sobrevivências, com manifestações pontuais para surfar na onda. Os presidentes da Câmara e do Senado nem a esse trabalho se dão.

Hugo Motta ( Republicanos ) cuida de eleger a si e ao pai na Paraíba. Não deu um pio. Davi Alcolumbre ( União Brasil ), com suas digitais amapaenses no caso Master , se faz de morto. Só falou para distribuir ameaças veladas e dizer que não tinha de "achar nada" sobre a crise.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/09/apertemos-os-cintos-as-liderancas-sumiram.shtml.

Ministros no Plenário do STF, em Brasília; na imagem: André Medonça, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Kassio Nunes Marques - Gabriela Biló - 16.set.26/Folhapress · Gabriela Biló - 16.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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