Apagou a mensagem? Veja como a PF consegue recuperar dados de um celular
Mesmo sem a senha do aparelho, perícia pode acessar informações armazenadas no dispositivo e cruzar diferentes tipos de vestígios digitais O post Apagou a mensagem? Veja como a PF consegue recuperar dados de um celular apareceu primeiro em Olhar Digital .

A divulgação do conteúdo de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do banco Master, chamou atenção para uma questão que vai além do caso envolvendo o empresário: como a Polícia Federal consegue acessar dados de um celular mesmo quando o proprietário não fornece a senha? O material veio a público depois que o ministro do STF André Mendonça retirou o sigilo do inquérito relacionado a Vorcaro.
No caso, as mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) incluem conversas de Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes e outras figuras políticas. Parte das comunicações teria sido enviada de maneira planejada para reduzir os rastros deixados no WhatsApp, incluindo mensagens de visualização única.
Segundo o material da investigação, Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp como mensagem de visualização única. O interlocutor também utilizava mecanismos destinados a diminuir os vestígios das comunicações.

A perícia, porém, não recuperou as conversas diretamente do WhatsApp . Os investigadores encontraram as anotações e imagens que permaneceram armazenadas no próprio aparelho. Esses arquivos, combinados com registros do sistema, permitiram reconstituir parte do conteúdo das comunicações.
O empresário não forneceu a senha de desbloqueio do iPhone 17 Pro apreendido. Ainda assim, segundo a reportagem, a perícia conseguiu utilizar ferramentas especializadas para acessar informações armazenadas no dispositivo.
Peritos podem recorrer a sistemas desenvolvidos especificamente para desbloquear celulares e extrair dados . Entre as soluções utilizadas pela PF estão o Cellebrite, desenvolvido em Israel, e o GrayKey, dos Estados Unidos.
Essas ferramentas exploram falhas de segurança para contornar o bloqueio da tela e permitir o acesso ao conteúdo do aparelho. Com o dispositivo desbloqueado, os peritos podem extrair informações como mensagens, fotos e vídeos armazenados localmente.
Isso não significa que essas soluções simplesmente quebrem a criptografia do WhatsApp. O mecanismo utilizado é diferente: o objetivo é acessar o próprio celular , permitindo consultar os dados disponíveis no dispositivo como se fosse o usuário.
A partir da extração, a perícia também pode encontrar informações que não correspondem necessariamente ao conteúdo de uma conversa. Dados de localização, registros de aplicativos e metadados de arquivos podem ajudar a identificar informações sobre quando ou onde determinados registros foram produzidos.
Depois da extração, a PF utiliza uma ferramenta própria para analisar o grande volume de informações obtidas durante a perícia. O sistema é chamado de Iped (Indexador e Processador de Evidências Digitais) .
A solução funciona como uma espécie de mecanismo de busca para evidências digitais. Ela indexa arquivos e organiza conteúdos como mensagens, fotos e documentos, permitindo que os peritos façam pesquisas por palavras-chave.
O sistema também é capaz de transcrever áudios, facilitando a análise de diferentes formatos de arquivos encontrados nos aparelhos investigados.
Ferramentas desse tipo já foram utilizadas em outras investigações de grande repercussão no Brasil. A solução Cellebrite, por exemplo, foi empregada para acessar o celular de Frederick Wassef, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de ter sido utilizada em apurações relacionadas à morte do menino Henry Borel.
Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/02/seguranca/apagou-a-mensagem-veja-como-a-pf-consegue-recuperar-dados-de-um-celular/.

Ana Luiza Figueiredo — Foto: Olhar Digital
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