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    Aos 81 anos, ONU atravessa sua maior crise existencial

    Podemos esperar mais drama, e não surpresas, quando o presidente Lula discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU , em Nova York, na próxima terça-feira (22). O americano Donald Trump deve, mais uma vez, partir para o ataque contra a instituição anfitriã que tanto contribuiu para consolidar o poder dos Estados Unidos no pós-guerra e ainda reflete a influência desproporcional dos países que emergiram vitoriosos do conflito. Leia mais (09/16/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de setembro de 2026 às 02:00
    Aos 81 anos, ONU atravessa sua maior crise existencial
    Sala da Assembleia Geral da ONU com dezenas de delegados sentados em fileiras de cadeiras. No palco, um orador fala em púlpito diante do emblema da ONU em parede dourada. Telões exibem o orador para a audiência. — Foto: Folha de S.Paulo

    É jornalista e vive em Nova York desde 1985. Foi correspondente da TV Globo, da TV Cultura e do canal GNT, além de colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo

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    Sessão da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York - Zhang Fengguo - 8.set.26/Xinhua · Zhang Fengguo - 8.set.26/Xinhua
    Sessão da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York - Zhang Fengguo - 8.set.26/Xinhua · Zhang Fengguo - 8.set.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Podemos esperar mais drama, e não surpresas, quando o presidente Lula discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU , em Nova York, na próxima terça-feira (22). O americano Donald Trump deve, mais uma vez, partir para o ataque contra a instituição anfitriã que tanto contribuiu para consolidar o poder dos Estados Unidos no pós-guerra e ainda reflete a influência desproporcional dos países que emergiram vitoriosos do conflito.

    Lula deve salpicar sua fala com a palavra soberania e defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU, composto de EUA, China, Rússia, França e Reino Unido. Os três mais poderosos membros do Conselho —EUA, China e Rússia— estão entre os maiores caloteiros da instituição, embora o governo americano tenha enviado um cheque de US $725 milhões nesta quarta (16), reduzindo sua dívida para US$ 1,31 bilhão.

    Cortes de despesas não resolveram a crise financeira da ONU, mas é difícil precificar a crise de legitimidade do único organismo global de cooperação em guerra e paz. Fundada sobre o choque com os horrores da 2ª Guerra Mundial, a ONU atravessa 2026 impotente diante dos conflitos na Ucrânia , no Oriente Médio e no Sudão .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Sucessivos governos americanos não se abstiveram de brandir o poder de veto, aliado ao peso econômico e militar do país, mas não atacavam a autenticidade dos princípios da ordem internacional que inspiraram a criação da ONU.

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    Em fevereiro de 2003, testemunhei a chegada do general Colin Powell, então secretário de Estado de George W. Bush, para fazer a histórica apresentação ao Conselho de Segurança, em que dizia ter provas de que o Iraque estava fabricando armas de destruição em massa, o argumento pela invasão do país, seis semanas depois. Rússia, China e França não se convenceram, mas, nos corredores, era palpável o senso de inevitabilidade da guerra. Powell morreu envergonhado de ter usado, num fórum global, o que chamou de provas falsas fornecidas por órgãos de inteligência.

    Mesmo o ex-presidente Joe Biden , um democrata à esquerda de seus antecessores, usou o poder de veto e blindou Israel durante a invasão de Gaza, bloqueando sucessivas propostas de cessar-fogo, e o mundo assistiu impotente às atrocidades contra civis palestinos.

    O Partido Republicano que elegeu e reelegeu Trump trabalhou metodicamente para retirar apoio e financiamento a organismos como a Organização Mundial de Saúde e a Unesco em nome de uma vaga agenda antiglobalista que se estende também à microgerência, como insistir em banir a palavra "diversidade" de documentos, ações que nada têm a ver com políticas globais.

    O poderoso vice-chefe de gabinete da Casa Branca Stephen Miller, que um ex-assessor militar de Trump apelidou de Rasputin, definiu como o chefe vê o papel dos EUA no mundo. Questionado na CNN logo após a invasão da Venezuela, Miller disse que podemos falar à vontade sobre formalidades, mas o mundo real "é governado pela coerção."

    Ao abrir mão da influência sobre a manutenção da estabilidade global, o trumpismo ignora o quanto se beneficiou —a baixo custo— de seu poder na ONU e dá sinais de distância do público. Em julho passado, o Instituto Gallup registrou que apenas 27% dos americanos expressam confiança nas instituições do país como a Presidência e a Suprema Corte. E a imagem da ONU? O Pew Research Center apurou, em agosto, que 54% dos adultos nos EUA confiam na organização.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lucia-guimaraes/2026/09/aos-81-anos-onu-atravessa-sua-maior-crise-existencial.shtml.

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    Sessão da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York - Zhang Fengguo - 8.set.26/Xinhua · Zhang Fengguo - 8.set.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo

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