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    Ao confiar mais em balas que em urnas, políticos conservadores se tornam alvo de violência

    A saída acabou sendo mais momentosa que o debate. Foi quando o prefeito chamou na chincha o candidato ao governo do partido adversário. Aconteceu em São Paulo e não esquentou mais porque as respectivas equipes entraram apartando. Leia mais (08/14/2026 - 15h00)

    Folha de S.Paulo
    14 de agosto de 2026 às 18:00
    Ao confiar mais em balas que em urnas, políticos conservadores se tornam alvo de violência
    Homem de meia-idade com cabelo curto e escuro, veste terno preto e camisa branca, olhando para a frente com expressão neutra. Fundo escuro com pessoa desfocada segurando celular. — Foto: Folha de S.Paulo

    Professora titular do Departamento de Sociologia da USP e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)

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    Flávio Bolsonaro durante entrevista coletiva em Brasília - Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP
    Flávio Bolsonaro durante entrevista coletiva em Brasília - Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A saída acabou sendo mais momentosa que o debate. Foi quando o prefeito chamou na chincha o candidato ao governo do partido adversário. Aconteceu em São Paulo e não esquentou mais porque as respectivas equipes entraram apartando.

    Na presidencial, Flávio Bolsonaro decidiu-se por slogan que ressoa o de Lula e alude à arminha do pai: " A esperança virou medo ". Medo da criminalidade, que Jair Bolsonaro e seu pupilo Tarcísio de Freitas tinham prometido conter.

    Como ficaram na promessa, o tema ficou na agenda e outros se lançam ao posto de solucionador-mor da República. A violência está no programa de Ronaldo Caiado , velho de guerra de 1989, como Lula. Em um de seus arroubos juvenis (já desafiou o Bananinha para luta livre), Kim Kataguiri propôs nada menos que uma bomba atômica.

    Os pré-candidatos à Presidência em 2026
    Os pré-candidatos à Presidência em 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Flávio B. e Caiado miram a dimensão social e Kataguiri, a Internacional da violência em suas agendas políticas. O entrevero entre Fernando Haddad e Ricardo Nunes alude à outra: a relação violenta dos políticos entre si.

    Ataques mortais a políticos por outros políticos ou terceiros incomodados com suas ações é fenômeno internacional e de longa duração. No Brasil, de um janeiro a outro entre 2003 e 2023, houve 1.228 ataques a políticos e ativistas e 760 assassinatos consumados . Políticos são a maior parte desse bolo: 63,1% dos casos. Embora o levantamento para os últimos anos esteja em andamento, o problema não desapareceu.

    O candidato que tematiza o medo tem medo ele próprio: segundo a revista Oeste , Flávio B. acumula 2.000 ameaças. Fiel ao pai, adotou colete e foge da Polícia Federal . Recusou esta polícia, mas recorreu à do Senado e triplicou sua segurança.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não é só na presidencial que a violência se esgueira.

    As deputadas Gleice Jane (PT-MS), em Dourados, e Lívia Duarte (PSOL-PA), em Belém, foram ameaçadas de morte, respectivamente, em dezembro de 2025, por Zap, e em fevereiro de 2026, por email. Tampouco é só misoginia. Lívia é a primeira deputada negra da Alepa (Assembleia Legislativa do Estado do Pará), o que, a própria apontou, adenda outra camada.

    Mas os homens e os brancos, sendo maioria na política, são também os mais visados. O vereador de São Paulo Adrilles Jorge ( União Brasil ) registrou ameaça em abril. O deputado Cafu Barreto (PSD-BA) ganhou áudio aterrorizador em Ibititá, na Bahia. No Paraná, o deputado federal Toninho Wandscheer (PP) e seus filhos Alisson, deputado estadual (Solidariedade), e Tiago, secretário municipal de Fazenda Rio Grande, registraram B.O. em julho.

    Nem quem tem arma escapa: a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) encontrou em sua caixa de entrada, em junho, email com detalhes de sua rotina e a advertência: "Sei onde você mora".

    A PF corre atrás. Anunciou operação nacional para assegurar a integridade física dos presidenciáveis, aumentando em cerca de 53% o contingente mobilizado (de 300 para 458 agentes). Mas enxuga gelo.

    A variedade de estados atesta que a questão suplanta o nível local, abrange políticos municipais quanto estaduais e ronda a Presidência. Resolver conflitos políticos à bala é fato tão notório quanto nacional.

    E não é específico desta conjuntura. A violência contra políticos é tão velha quanto a República: o primeiro civil na Presidência, Prudente de Morais, quase morreu de bala. E atinge a todos os partidos. Contudo, governos de direita abrem mais campo para ocorrências ao liberarem armas ou incentivarem seu uso. No levantamento citado, a média anual de assassinatos políticos mais que dobrou entre o primeiro governo Lula e o de Bolsonaro.

    O fenômeno deve muito ao discurso de políticos conservadores de estímulo à resolução direta dos conflitos políticos, desprezando as mediações institucionais. Confiando mais nas balas que nas urnas, são eles próprios, muitas vezes, as vítimas delas.

    Fonte: Banco de Assassinatos Políticos do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). A diferença do total de assassinatos (760 e 717) se deve aos casos sem informação precisa do mês em que foram cometidos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/angela-alonso/2026/08/ao-confiar-mais-em-balas-que-em-urnas-politicos-conservadores-se-tornam-alvo-de-violencia.shtml.

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    Flávio Bolsonaro durante entrevista coletiva em Brasília - Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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