Anvisa cancela registro do Elevidys, terapia contra distrofia muscular
Roche pediu cancelamento depois de dados disponíveis não atenderem aos requisitos para manter registro condicional

Roche pediu cancelamento depois de dados disponíveis não atenderem aos requisitos para manter registro condicional
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) cancelou o registro condicional do Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque) no Brasil a pedido da Roche. A decisão foi publicada nesta 2ª feira (24.ago.2026) no DOU (Diário Oficial da União). Leia a íntegra (PDF – 140 kB).
Segundo a agência e a farmacêutica, a totalidade dos dados disponíveis sobre o medicamento não foi suficiente para atender aos requisitos regulatórios necessários à manutenção do registro condicional.

O Elevidys é uma terapia gênica desenvolvida para o tratamento da distrofia muscular de Duchenne, doença genética rara que provoca perda progressiva da força muscular.
O medicamento havia obtido registro condicional no Brasil em dezembro de 2024. Em julho de 2025, a Anvisa suspendeu sua comercialização como medida de precaução enquanto avaliava informações adicionais relacionadas à segurança do produto.
Durante o período de suspensão, a Roche apresentou dados complementares à agência. Segundo o comunicado conjunto, porém, as evidências disponíveis até agora não foram suficientes para manter a autorização.

O cancelamento foi feito a pedido da própria Roche.
A Anvisa afirmou que o cancelamento não encerra as obrigações da farmacêutica relacionadas ao acompanhamento de pessoas que já receberam o medicamento.
Isso inclui pacientes brasileiros tratados com Elevidys de dezembro de 2024 a julho de 2025 em estudos clínicos e programas existentes.
A Roche deverá continuar monitorando a segurança desses pacientes e comunicar à Anvisa as informações relevantes identificadas durante o acompanhamento.
A Roche afirmou que continuará com o programa clínico do Elevidys e com a produção de novas evidências sobre o tratamento.
A Anvisa disse que poderá analisar prioritariamente eventuais novas submissões da farmacêutica caso sejam apresentados dados adicionais que atendam às exigências regulatórias.
A decisão consta da Resolução RE 3.332 de 21 de agosto de 2026, publicada no DOU (Diário Oficial da União).
O Elevidys está entre os medicamentos mais caros disponíveis no Brasil. Quando chegou ao país, em 2025, o preço de fábrica poderia chegar a R$ 20 milhões por dose, a depender da incidência de ICMS em cada Estado.
A terapia é administrada uma única vez. Em 2025, o Ministério da Saúde chegou a adquirir unidades por cerca de R$ 17 milhões cada para o tratamento de crianças com distrofia muscular de Duchenne.
No Brasil, o Elevidys havia sido autorizado para crianças de 4 a 7 anos que ainda conseguem caminhar, com mutação confirmada no gene DMD. Cerca de 10 pacientes brasileiros haviam recebido a terapia até julho de 2025, segundo informações da Roche divulgadas pela Anvisa.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-saude/anvisa-cancela-registro-do-elevidys-terapia-contra-distrofia-muscular/.

Foto: Poder360
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