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    Antissemitismo cresce no Brasil e ganha códigos nas redes sociais, aponta levantamento

    A maior parte das denúncias de antissemitismo registradas no Brasil em 2025 ocorreu na internet, segundo levantamento da Confederação Israelita do Brasil (Conib). Nesse ambiente, segundo especialistas ouvidos pela Folha , o discurso de ódio pode aparecer de forma menos explícita, em memes, imagens e expressões codificadas, o que dificulta seu reconhecimento até pela Justiça. Leia mais (09/14/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 02:00
    Antissemitismo cresce no Brasil e ganha códigos nas redes sociais, aponta levantamento
    Multidão vestindo branco se reúne na Praça do Muro das Lamentações em Jerusalém ao entardecer. Homem segura bandeira de Israel em primeiro plano, com a Cúpula da Rocha dourada visível ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A maior parte das denúncias de antissemitismo registradas no Brasil em 2025 ocorreu na internet, segundo levantamento da Confederação Israelita do Brasil (Conib). Nesse ambiente, segundo especialistas ouvidos pela Folha , o discurso de ódio pode aparecer de forma menos explícita, em memes, imagens e expressões codificadas, o que dificulta seu reconhecimento até pela Justiça.

    Homem agita bandeira israelense durante o Dia de Jerusalém, na praça do Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém - Ronen Zvulun - 14.mai.26/Reuters · Ronen Zvulun - 14.mai.26/Reuters
    Homem agita bandeira israelense durante o Dia de Jerusalém, na praça do Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém - Ronen Zvulun - 14.mai.26/Reuters · Ronen Zvulun - 14.mai.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A entidade registrou 989 ocorrências no ano passado, ante 397 em 2022 —um salto de 149%. O pico foi registrado em 2024, um ano após o ataque do Hamas a Israel e o início da guerra em Gaza, com 1.788 casos registrados. Para a Conib, o recuo não representa alívio, mas uma estabilização do antissemitismo em patamar elevado.

    De acordo com o relatório mais recente, cerca de 80% dos casos ocorreram em plataformas digitais. O monitoramento da Conib também identificou 115.970 menções classificadas como antissemitas, com alcance potencial estimado em 66 milhões de pessoas.

    É nesse cenário que a Conib lançou o projeto "Decodificando o Antissemitismo", que inclui um atlas ilustrado sobre símbolos de ódio. A plataforma reúne mais de 2.000 imagens, além de podcasts e videoaulas. A proposta é mostrar como estereótipos construídos historicamente reaparecem em formatos contemporâneos.

    Antissemitismo em protestos pró-Palestina preocupa governos europeus
    Antissemitismo em protestos pró-Palestina preocupa governos europeus — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para a antropóloga Anelise Fróes, uma das autoras do Atlas, a dificuldade está justamente em reconhecer o preconceito quando ele deixa de ter uma aparência imediatamente identificável. Uma piada ou um meme podem carregar referências antissemitas imperceptíveis para quem desconhece a história desses estereótipos.

    O Atlas aproxima imagens antigas de representações contemporâneas para evidenciar essa continuidade.

    A internet amplia esse repertório antigo ao combiná-lo a linguagens próprias das redes. O antissemitismo reaparece em montagens, referências irônicas ou expressões cujo significado depende do contexto —os chamados dog whistles (apitos de cachorro).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A advogada Lilia Frankenthal, autora do recém-lançado "O Antissionismo Impossível" (Uiclap) e presidente da Fundação Aviva18, atua em processos judiciais e denúncias criminais sobre o tema. Para ela, parte do obstáculo está no desconhecimento de juízes, promotores e delegados sobre referências históricas e linguagens veladas de discriminação.

    "O preconceito hoje não vem necessariamente com suástica, bandeira nazista ou gritaria nas ruas. É um antissemitismo velado, um racismo que não foi ensinado na faculdade de direito", pontua Frankenthal.

    Ela relata situações em que magistrados tiveram dificuldade para compreender por que determinada publicação constituía antissemitismo. O desafio cresce quando a mensagem não contém insultos explícitos, mas recorre a códigos.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Frankenthal cita o caso de uma imagem em que uma figura pública judia aparecia ao lado de indígenas acompanhada, na legenda, pelo emoji de uma caixa de suco. Isoladamente, a composição parecia sem nexo. No entanto, tratava-se de um trocadilho em inglês ("juice", suco, cuja pronúncia se assemelha a "jews", judeus) usado em fóruns radicais como insulto.

    "O contexto define tudo. Uma caixinha de suco isolada não é preconceito, mas usada contra uma pessoa pública judaica torna-se uma ofensa direcionada. Sem essa leitura contextual, o crime fica impune", diz a advogada.

    É essa distinção, segundo Frankenthal, que precisa ser feita por investigadores, promotores e juízes. Para tentar reduzir esse déficit, a advogada dá aulas em delegacias de polícia e distribuirá seu livro a membros do Judiciário em todo o país.

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    Fróes também chama atenção para a cobrança para que judeus se posicionem publicamente sobre as ações do governo de Israel —mesmo aqueles que nunca estiveram no país . "É uma cobrança que pode até fazer sentido para pessoas que estão em Israel, mas, na diáspora, isso não só perde força como não tem sentido", afirma.

    Ela relaciona essa cobrança à manifestação antissemita da "dupla lealdade", também abordado no Atlas. A ideia, segundo Fróes, é a de que judeus seriam mais leais a Israel do que ao país onde vivem.

    Frankenthal reassalta que "ninguém exige de um descendente de russos nascido no Brasil que se posicione sobre a guerra na Ucrânia". Para a advogada, essa exigência diferenciada revela um antissemitismo por trás da cobrança.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/antissemitismo-cresce-no-brasil-e-ganha-codigos-nas-redes-sociais-aponta-levantamento.shtml.

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    Homem agita bandeira israelense durante o Dia de Jerusalém, na praça do Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém - Ronen Zvulun - 14.mai.26/Reuters · Ronen Zvulun - 14.mai.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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