Brasil

    Antes do Ipiranga, dom Pedro 1º presenciou poder da elite do café

    Há 204 anos, pouco antes de chegar às margens do rio Ipiranga, onde proferiu o grito da Independência, dom Pedro 1º viu de perto a força econômica da cafeicultura brasileira, que logo se tornaria o principal pilar da economia do país. Leia mais (09/02/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    2 de setembro de 2026 às 11:00
    Antes do Ipiranga, dom Pedro 1º presenciou poder da elite do café
    Óleo sobre tela representa a proclamação da Independência, com dom Pedro 1º no centro, de chapéu levantado, e uma multidão diversa ao seu redor, que comemora e agradece. — Foto: Folha de S.Paulo

    David Lucena conta tudo sobre a bebida, do grão à xícara

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Cena da proclamação da independência do Brasil, óleo sobre tela de François-René Moreaux (1844) - Revista de História da Biblioteca Nacional/François-René Moreaux · Revista de História da Biblioteca Nacional/François-René Moreaux
    Cena da proclamação da independência do Brasil, óleo sobre tela de François-René Moreaux (1844) - Revista de História da Biblioteca Nacional/François-René Moreaux · Revista de História da Biblioteca Nacional/François-René Moreaux — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Há 204 anos, pouco antes de chegar às margens do rio Ipiranga, onde proferiu o grito da Independência, dom Pedro 1º viu de perto a força econômica da cafeicultura brasileira, que logo se tornaria o principal pilar da economia do país.

    Naquele agosto de 1822, o príncipe regente decidiu deixar a corte rumo a São Paulo . Para isso, cruzou o Vale do Paraíba –então epicentro da cafeicultura– e, ao longo do trajeto, se hospedou em fazendas da região.

    A marcha foi acompanhada pela emergente elite agrária do café . Por onde passou, dom Pedro foi recebido com luxo pelas famílias que prosperavam graças ao chamado "ouro verde".

    Os fazendeiros serviram banquetes em baixelas de prata e promoveram bailes iluminados por velas em candelabros de cristal.

    Naquele momento, a cafeicultura vivia rápida expansão. O botânico francês Auguste de Saint-Hilaire, que percorreu o vale em 1822, testemunhou a abastança dos cafeicultores. "É para lá de Lorena que se começa a encontrar homens ricos. Devem todos a fortuna à cultura do café", escreveu.

    Os fatos que ocorreram dali a alguns dias são história. Ao voltar de Santos para São Paulo, o príncipe regente foi alertado de ameaças vindas de Portugal e decidiu proclamar a emancipação do Brasil com o célebre grito de "Independência ou Morte!".

    Onze dias depois, um decreto estabeleceu o Escudo de Armas do Império, com um ramo de café à esquerda do brasão.

    A elite cafeeira que testemunhou a viagem de dom Pedro consolidou-se como principal poder econômico e político ao longo do século seguinte.

    Assim, influenciou os rumos do país, em geral visando apenas aos próprios interesses, como escreveu Alves Motta Sobrinho em "A Civilização do Café (1820-1920)".

    "A classe dirigente, no aparelhamento monárquico, cafeicultores ou representantes dos interesses da lavoura cafeeira, privatizava o poder do Estado, dando como resultante que governar para os homens do café nem sempre, ou quase nunca, seria consultar as necessidades coletivas, mas as do sistema de vida da sociedade escravocrata."

    Os barões do café sustentaram a monarquia até os últimos anos, apostando na manutenção do escravismo. Até que veio a Abolição, sem a indenização reivindicada pelos fazendeiros.

    Foi o suficiente para que os cafeicultores se sentissem traídos. Abandonaram o Império e apoiaram o golpe de 15 de novembro de 1889, que proclamou a República. Assim, continuaram dando as cartas no Brasil, na chamada política do café com leite.

    Antes do feriado da Independência, de 3 a 5 de setembro, o Santuário do Café, no Mercadão de São Paulo, recebe os Campeonatos Brasileiros de Latte Art e Coffee in Good Spirits 2026. As disputas reúnem baristas de diversas regiões brasileiras e definirão os representantes do país nos campeonatos mundiais das modalidades. No Latte Art, cada participante deve preparar uma ilustração feita com leite vaporizado. No Coffee in Good Spirits, os competidores precisam elaborar bebidas alcoólicas à base de café.

    A Embrapa lançou o painel Café em Números, que integra dados oficiais de diversas fontes sobre o cultivo no país. A ferramenta permite análises segmentadas e reúne informações desde 2014. Está disponível em embrapa.br/web/cafe/painel-cafe-em-numeros .

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cafe-na-prensa/2026/09/antes-do-ipiranga-dom-pedro-1o-presenciou-poder-da-elite-do-cafe.shtml.

    Imagem 1

    Cena da proclamação da independência do Brasil, óleo sobre tela de François-René Moreaux (1844) - Revista de História da Biblioteca Nacional/François-René Moreaux · Revista de História da Biblioteca Nacional/François-René Moreaux — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)