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    Antes de possível restrição, bets reduziram presença na Série A e concentraram patrocínios

    As empresas de apostas esportivas reduziram sua presença no espaço master das camisas dos times da Série A do Campeonato Brasileiro entre 2025 e 2026 e concentraram investimentos em menos clubes, em movimento que estava em curso antes da discussão do governo federal sobre novas restrições ao setor. Leia mais (09/18/2026 - 11h37)

    Folha de S.Paulo
    18 de setembro de 2026 às 14:37
    Antes de possível restrição, bets reduziram presença na Série A e concentraram patrocínios
    Jogador do Corinthians salta para cabecear a bola acima de jogador do Flamengo durante partida de futebol. Público desfocado ao fundo em estádio. — Foto: Folha de S.Paulo

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    As empresas de apostas esportivas reduziram sua presença no espaço master das camisas dos times da Série A do Campeonato Brasileiro entre 2025 e 2026 e concentraram investimentos em menos clubes, em movimento que estava em curso antes da discussão do governo federal sobre novas restrições ao setor.

    Pedro (à esq.), do Flamengo, e Gabriel Paulista, do Corinthians, durante a final da Supercopa - Adriano Machado - 1.fev.26/Reuters · Adriano Machado - 1.fev.26/Reuters
    Pedro (à esq.), do Flamengo, e Gabriel Paulista, do Corinthians, durante a final da Supercopa - Adriano Machado - 1.fev.26/Reuters · Adriano Machado - 1.fev.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No ano passado, 18 das 20 equipes tinham uma bet como patrocinadora no espaço nobre do uniforme. Na atual temporada, são 13. Além disso, Santos e Vasco trocaram seus parceiros e, posteriormente, fecharam novos vínculos com empresas do setor, porém com valores inferiores aos antigos contratos.

    Em movimento oposto, clubes como Corinthians e Flamengo ampliaram seus ganhos com as empresas de apostas. A equipe rubro-negra saiu de R$ 125 milhões por ano com a Pixbet para R$ 268,5 milhões ao ano com a Betano. O contrato pode chegar a R$ 280 milhões com variáveis.

    Já o clube alvinegro renovou o contrato da Esportes da Sorte em 2026 por R$ 150 milhões fixos, podendo chegar a R$ 200 milhões. O acordo anterior era de cerca de R$ 103 milhões.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O movimento ajuda a colocar em perspectiva o alerta feito nesta quinta-feira (17) por clubes do Rio e São Paulo e também pela Abert (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão). Em manifesto, as entidades defenderam a manutenção da publicidade de empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda e afirmaram que, se o mercado regulado acabar, "o futebol acaba".

    "O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado", diz trecho do manifesto dos clubes.

    O texto, compartilhado também pela FPF (Federação Paulista de Futebol) acrescenta que as entidades reconhecem a necessidade de colaborar para combater o vício nas apostas e o endividamento das famílias. "O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização."

    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026
    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O argumento das entidades parte da dependência financeira. As bets passaram a ocupar espaço central no mercado de patrocínio esportivo e ajudaram a elevar o valor pagos aos times.

    Mas a própria mudança vista ao longo de 2026 mostra que esse dinheiro já não está distribuído da mesma maneira entre as 20 equipes. A saída de patrocinadores de Bahia, Internacional, Grêmio e Coritiba reduziu a presença das bets no espaço master dos uniformes, enquanto contratos de clubes de maior exposição continuaram em patamares elevados.

    O caso do Santos é outro exemplo da mudança de perfil. A saída da 7K não significou o abandono do setor. O clube trocou uma empresa por outra. O novo contrato com a Novibet passou a ter repasse fixo inferior ao anterior, em uma redução de cerca de 30%.

    No Grêmio e no Internacional, a ruptura teve outra origem. Os dois clubes encerraram o acordo com a Alfa Bet depois de atrasos nos pagamentos. A empresa posteriormente acumulou cobranças judiciais.

    O cenário atual é, portanto, diferente daquele de 2025. As bets continuam entre os principais anunciantes do futebol brasileiro, mas já não ocupam o mesmo espaço em toda a Série A. A indústria reduziu o número de empresas dispostas a investir, concentrou recursos em marcas maiores e manteve contratos elevados nos clubes de maior exposição.

    Os casos indicam que a retração não pode ser explicada apenas pela decisão de clubes ou do governo. A própria indústria passa por um processo de consolidação. A regulação elevou custos, a concorrência aumentou e algumas empresas menores passaram a ser incorporadas por grupos maiores. Em junho, a Folha mostrou que bets endividadas acumulavam cerca de R$ 100 milhões em cobranças e que empresas do setor passaram a restringir gastos, inclusive em marketing.

    É nesse cenário que surge a discussão política desta semana.

    O governo federal passou a discutir possíveis restrições às apostas diante da preocupação com o impacto da atividade sobre o orçamento das famílias. Houve reuniões entre integrantes do governo sobre o tema, mas nenhuma decisão foi tomada e não há prazo definido para uma medida. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as discussões se concentram nos efeitos das apostas sobre os gastos das famílias.

    A ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) estima que eventuais restrições poderiam provocar cerca de R$ 9 bilhões em cortes nos investimentos do setor até o fim das licenças, em 2029, considerando publicidade em televisão, influenciadores e patrocínios esportivos.

    O manifesto dos clubes se apoia justamente nessa estimativa. As entidades afirmam que a publicidade de empresas autorizadas ajuda a diferenciar o mercado regulado de plataformas clandestinas e argumentam que uma restrição poderia fortalecer operadores ilegais.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/09/antes-de-possivel-restricao-bets-reduziram-presenca-na-serie-a-e-concentraram-patrocinios.shtml.

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    Pedro (à esq.), do Flamengo, e Gabriel Paulista, do Corinthians, durante a final da Supercopa - Adriano Machado - 1.fev.26/Reuters · Adriano Machado - 1.fev.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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