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    ANP avança em programa para reduzir poder da Petrobras em mercado de gás natural

    A ANP (Agência Nacional do Petróleo , Gás e Biocombustíveis) aprovou nesta sexta-feira (7) abertura de consulta pública para debater regras para reduzir a concentração da Petrobras no mercado brasileiro de gás natural, em programa conhecido como "gas release". Leia mais (08/07/2026 - 12h01)

    Folha de S.Paulo
    7 de agosto de 2026 às 15:01
    ANP avança em programa para reduzir poder da Petrobras em mercado de gás natural
    A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o ministro e Minas e Energia, Alexandre Silveira, em 2024: hoje, estão de lados opostos em debate sobre o gás natural. - Pilar Olivares/Reuters · Pilar Olivares/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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    A ANP (Agência Nacional do Petróleo , Gás e Biocombustíveis) aprovou nesta sexta-feira (7) abertura de consulta pública para debater regras para reduzir a concentração da Petrobras no mercado brasileiro de gás natural, em programa conhecido como "gas release".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A proposta prevê que a estatal abra mão de contratos de revenda da produção de seus parceiros no pré-sal e de importações da Bolívia. Para isso, estabelece leilões anuais para oferecer gradativamente ao mercado contratos contratos existentes atualmentes.

    A ofensiva contra o poder da Petrobras nesse mercado está prevista na Lei do Gás aprovada pelo governo Jair Bolsonaro (PL), e é hoje alvo de embate entre a estatal e o MME (Ministério de Minas e Energia), liderado pelo ministro Alexandre Silveira.

    Nos últimos meses, o comando da Petrobras tem criticado repetidamente a proposta de "gas release". Na última manifestação, a diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos, disse que o programa pode inviabilizar investimentos em produção de gás.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para tentar preservar a estatal, a ANP limitou o programa a gás produzido por outras empresas ou importado. A proposta não afeta gás natural produzido pela própria Petrobras, mas as parcelas que suas sócias têm em campos do pré-sal.

    Atualmente, diz a ANP, a Petrobras compra esse gás por US$ 3,5 por milhão de BTU (unidade de poder calorífico) e o revende ao mercado por US$ 12,4 por milhão de BTU, "A Petrobras é a maior atravessadora do país", disse o diretor da ANP, Pietro Mendes.

    Ele citou o exemplo do Nordeste: a partir da venda de ativos de produção de gás da Petrobras nos governos de Michel Temer e de Bolsonaro, o preço do gás na região é hoje 15% mais barato do que os do Sul e Sudeste, mais concentrados nas mãos da estatal.

    Mendes, que é próximo a Silveira e já presidiu o conselho de administração da estatal, é o relator do processo e foi o primeiro a votar a favor da abertura de consulta pública. "Ter múltiplos fornecedores é bom para o mercado", afirmou.

    O seguimento do processo foi aprovado por unanimidade na diretoria da ANP, que tem cinco membros, dois deles indicados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), contrário à venda de ativos da Petrobras.

    A partir de agora, o tema será debatido por 45 dias, antes de uma audiência pública para ajustes finais. A ideia é que o primeiro leilão de transferência de contratos da Petrobras para outras empresas ocorra em 2027.

    A partir daí, o texto prevê leilões anuais até 2030, quando o programa seria reavaliado. Ele terá como métrica um indicador de concentração de mercado chamado HHI. Hoje, o mercado brasileiro tem um indicador de 3.747, o que o caracterizaria como altamente concentrado.

    No Sudeste, o índice supera 4.000 pontos e, no Sul, vai além de 5.000 pontos. O programa tem como meta atingir o patamar de 2.500 pontos, o que levaria o país a um patamar de concentração moderada. Foi escolhida a proposta intermediária, para reduzir impactos na Petrobras.

    Ao fim do programa, em 2030, a liberação dos contratos corresponderia a 14% da demanda do mercado, disse a diretora da ANP Symone Araújo. Hoje, a Petrobras domina 59% das vendas de gás natural para o mercado não termelétrico, que é alvo do programa.

    Ela disse que liberar o gás de terceiros é suficiente para atingir metas de desconcentração sem comprometer a capacidade de investimento em novos projetos.

    Em teleconferência com analistas nesta sexta, a Petrobras voltou a questionar a ofensiva da ANP. Sem mencionar a decisão da agência, repetiu que qualquer mudança regulatória demanda revisão de projetos à luz das novas regras.

    "Nossa posição é que a simples transferência de titularidade da molécula do gás não vai garantir concorrência nem redução do preço", reforçou o diretor de Transição Energética da companhia, William Nozaki.

    Em entrevista à imprensa, mais tarde, Nozaki disse que a empresa ainda vai avaliar a proposta aprovada hoje pela diretoria da ANP.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/anp-avanca-em-programa-para-reduzir-poder-da-petrobras-em-mercado-de-gas-natural.shtml.

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