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    Animação e fábula de Daniel Nolasco abrem a competição do Festival de Brasília

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    14 de setembro de 2026 às 22:00
    Animação e fábula de Daniel Nolasco abrem a competição do Festival de Brasília
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    Apesar do título e dos temas que aborda, "Pequenas Tragédias", de Daniel Nolasco , é um filme muito bem-humorado sobre a vida queer em Catalão, no interior de Goiás .

    Cena do filme 'Pequenas Tragédias', de Daniel Nolasco - Divulgação · Divulgação
    Cena do filme 'Pequenas Tragédias', de Daniel Nolasco - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Ana, en Passant", de Fernanda Salgado, por sua vez, é uma animação delicada sobre uma jovem nascida em Paris, filha de brasileiros, que viaja a Belo Horizonte após a morte da avó e, a partir de uma carta deixada por ela, tenta reconstituir seu passado.

    Os dois longas abriram neste fim de semana a competição nacional do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro . Em "Pequenas Tragédias", Nolasco parte de uma experiência pessoal para construir um filme que mistura um quase documentário e fabulação e olha para uma geração de pessoas LGBTQIA+ que deixou sua cidade natal, morreu ou desapareceu da vida pública do município.

    A ideia surgiu quando o diretor voltou a Catalão, em 2019, para filmar "Vento Seco" . Nolasco havia saído dali em 2010 para estudar cinema na Universidade Federal Fluminense, no Rio, e desde então retornara apenas por períodos curtos. Ao passar quatro meses na cidade, descobriu de uma vez as mudanças ocorridas durante sua ausência.

    Filmes que serão exibido no Festival de Brasília de 2026
    Filmes que serão exibido no Festival de Brasília de 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Eu falei ‘vou estar lá, vou reencontrar todo mundo’. E foi aí que não, não vou reencontrar todo mundo", disse Nolasco, em debate sobre o filme na manhã desta segunda-feira. Amigos haviam se mudado para Goiânia, Brasília e São Paulo. Outros haviam morrido. Ao mesmo tempo, segundo ele, a vida LGBT que conhecera na juventude, com festas, parada e bares, praticamente desaparecera.

    O projeto nasceu como um documentário convencional. A pesquisa, porém, levou o diretor a abandonar esse formato. "Eu vi que precisava fabular. Não dava para contar aquela história por meio da linguagem documental sem ter algum tipo de fabulação."

    A mudança também respondeu a uma questão que Nolasco diz carregar há algum tempo —como filmar a violência contra pessoas LGBT sem reproduzi-la de maneira didática. Em vez de mostrar agressões para provar que elas existem, decidiu construir imagens que produzissem prazer para o público queer e, ao mesmo tempo, pudessem incomodar um espectador homofóbico.

    "Ana, En Passant", de Fernanda Salgado - Divulgação · Divulgação
    "Ana, En Passant", de Fernanda Salgado - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Daí vêm o erotismo, a exposição dos corpos e o humor que atravessa "Pequenas Tragédias", mesmo quando o filme trata de morte e violência.

    A relação de Nolasco com Catalão é parte desse conflito. Depois do lançamento de "Vento Seco", em 2020, uma cópia pirata do filme passou a circular intensamente em grupos de WhatsApp da cidade. O diretor diz que houve reação de moradores conservadores, que questionavam como ele podia fazer "esse tipo de filme" lá, mas também orgulho pelo fato de um conterrâneo circular por festivais.

    Quando voltou para rodar "Pequenas Tragédias", a repercussão anterior ainda pesava. A produção chegou a apresentar o projeto em alguns lugares sem mencionar seu nome, por não saber se a associação com o diretor abriria ou fecharia portas.

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    Um episódio no supermercado de seus primos acabou eliminando suas dúvidas. Nolasco havia trabalhado ali dos 13 aos 26 anos e já filmara no estabelecimento em "Vento Seco". Ao tentar voltar para uma nova gravação, encontrou resistência. A mensagem recebida pela produção acabou incorporada ao próprio filme.

    "Eu trabalhei 13 anos nesse supermercado e agora vão falar que eu não posso gravar lá dentro para contar uma história que aconteceu comigo lá?", disse. "O ódio que eu fiquei desse episódio tirou todas as minhas dúvidas, todos os meus receios. Confirmou que tinha que seguir esse caminho mesmo."

    Exibido na noite anterior, "Ana, en Passant" segue um caminho muito diferente. Ana deixa Paris e chega a Belo Horizonte depois da morte da avó. A carta deixada por ela funciona como ponto de partida para uma busca pela memória familiar e para o encontro com Alice.

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    Fernanda Salgado diz que começou a escrever a versão que deu origem ao filme em 2018, embora identifique sementes do projeto num roteiro de 2012. Foram oito anos de desenvolvimento, captação e produção. O longa passou por laboratórios no Brasil e no exterior, e a produção começou em 2022.

    A rotoscopia , técnica em que a animação é feita a partir de imagens previamente filmadas, predomina nas personagens, mas o longa mistura diferentes procedimentos visuais. Salgado afirma que essa combinação estava prevista desde o início.

    "Esse filme em particular só existe porque é animação", disse. "Seria um filme completamente diferente em live action."

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A animação foi feita de forma remota, com mais de 60 animadores de diferentes estados brasileiros e também de Portugal. O trabalho se estendeu de 2023 a 2025. Salgado, que não é animadora, diz que se apoiou nas diretoras de arte e animação para dar unidade às diferentes técnicas utilizadas.

    Para ela, o formato permitiu dar corpo aos universos íntimos e às transformações das personagens.

    O jornalista viajou a convite do Festival de Brasília

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/animacao-e-fabula-de-daniel-nolasco-abrem-a-competicao-do-festival-de-brasilia.shtml.

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