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    Angola é nova fronteira para a expansão do agronegócio brasileiro

    Em Luanda, 30 empresários brasileiros buscam novos negócios após o tarifaço dos EUA; aposta é transformar aproximação com a África em investimentos, produção local e exportação de tecnologia

    CNN Brasil
    12 de agosto de 2026 às 07:00
    Angola é nova fronteira para a expansão do agronegócio brasileiro
    Foto: CNN Brasil

    O tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acelerou uma busca que já estava no radar de empresários e do governo: encontrar novos mercados e reduzir a dependência de poucos parceiros comerciais.

    Em Luanda, 30 empresários brasileiros participam de uma agenda de negócios para conhecer oportunidades de investimento em Angola.

    A aposta é transformar a aproximação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço em negócios, investimentos e produção local. E o agronegócio está no centro dessa estratégia.

    • Fernanda Pressinot · • Fernanda Pressinot
    • Fernanda Pressinot · • Fernanda Pressinot — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “ Com o tarifaço , temos que buscar mercados. A África é uma oportunidade fantástica”, afirma o economista Roberto Gianetti da Fonseca, ex-secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), que acompanha há décadas as relações comerciais brasileiras com o continente africano.

    Gianetti diz já ter vindo mais de 70 vezes à África e defende uma mudança na forma como o Brasil enxerga o continente. Para ele, a estratégia não pode se limitar à venda de produtos brasileiros.

    “Temos que olhar para a África com um olhar de parceria, inovação e produção local. É bom para investir aqui e é bom para o brasileiro investir aqui”, afirma.

    O Brasil que corre nos rios molda novos caminhos logísticos
    O Brasil que corre nos rios molda novos caminhos logísticos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A agenda empresarial, promovida pelo Lide, ocorre depois de uma série de iniciativas dos governos brasileiro e angolano para ampliar a cooperação econômica. No agronegócio, a aproximação ganhou uma frente específica com a criação do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil–Angola , formalizado em 2025 para estruturar propostas de cooperação e investimentos agrícolas entre os dois países.

    Em maio deste ano, uma missão liderada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, trouxe a Angola empresários brasileiros interessados em conhecer o ambiente de negócios e prospectar áreas para investimentos em projetos agropecuários e agroindustriais.

    Na ocasião, o governo brasileiro apresentou a Angola uma proposta de acordo bilateral de US$ 120 milhões para investimentos agrícolas . A iniciativa prevê a concessão de 20 mil hectares em províncias angolanas para cultivo por produtores brasileiros, com foco na transferência de tecnologia do Cerrado para o solo africano.

    Arco Norte consolida protagonismo no escoamento da safra, aponta Conab
    Arco Norte consolida protagonismo no escoamento da safra, aponta Conab — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A oportunidade, na avaliação dos empresários, está justamente no tamanho do desafio angolano. O país tem uma população de 37 milhões de habitantes, que deve chegar a cerca de 70 milhões em 2050. A população cresce a taxas próximas de 3% a 4% ao ano , segundo Gianetti, enquanto a produção doméstica ainda não é suficiente para atender à demanda.

    Angola depende da importação de alimentos. Segundo dados apresentados por autoridades angolanas, a produção local atende apenas *37% das necessidades do mercado interno, enquanto as importações de alimentos chegam perto de * US$ 3 bilhões por ano .

    “A população cresce a uma taxa exponencial. Como deixar de olhar para Nigéria, Angola e outros países africanos como parceiros?”, questiona Gianetti.

    Agro ajuda a construir imagem do Brasil, diz pesquisa Marca Brasil
    Agro ajuda a construir imagem do Brasil, diz pesquisa Marca Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para ele, o problema não deve ser visto apenas pela falta de renda de parte da população. É justamente aí que estaria uma oportunidade para investimentos capazes de aumentar a produção local e agregar valor.

    “Eles não têm renda. E é por isso que podemos investir para eles agregarem valor.”

    A oportunidade, portanto, não está apenas em vender para Angola. Está em produzir em Angola , completa o economista.

    O Brasil que corre nos rios molda novos caminhos logísticos
    O Brasil que corre nos rios molda novos caminhos logísticos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A proposta do governo brasileiro prevê inicialmente a participação de cerca de 30 agricultores brasileiros, principalmente de Mato Grosso e Bahia. As áreas identificadas ficam nas províncias de Cuanza Norte, Uíge e Malanje .

    O financiamento deverá contar com participação do BNDES e do Fundo Soberano de Angola , enquanto o Banco do Brasil deve operar recursos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex).

    Produtores brasileiros chegaram a pleitear a concessão de até 500 mil hectares , mas o projeto que avançou prevê, neste primeiro momento, uma área muito menor.

    Arco Norte consolida protagonismo no escoamento da safra, aponta Conab
    Arco Norte consolida protagonismo no escoamento da safra, aponta Conab — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A estratégia também interessa à indústria brasileira. O plano prevê financiamento para a compra e exportação de máquinas agrícolas fabricadas no Brasil e insumos de empresas brasileiras , além de investimentos em armazenagem, irrigação e infraestrutura.

    Ou seja: a ideia não é apenas levar o produtor brasileiro para plantar. É levar junto uma cadeia que envolve máquinas, sementes, insumos , tecnologia e conhecimento .

    Para a ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu , o movimento representa uma mudança na própria visão sobre a expansão do agronegócio brasileiro. “Nosso Centro-Oeste não é mais a única fronteira agrícola. A África é uma fronteira para nós. Temos que olhar para ela como uma intenção brasileira no agronegócio”, afirmou.

    Agro ajuda a construir imagem do Brasil, diz pesquisa Marca Brasil
    Agro ajuda a construir imagem do Brasil, diz pesquisa Marca Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Kátia vê uma vantagem específica do Brasil nessa disputa por espaço no continente: o conhecimento acumulado em agricultura tropical. “Na agricultura tropical, ninguém é melhor que o Brasil”, disse.

    A avaliação é compartilhada por Gianetti. Segundo ele, ninguém conhece agricultura tropical como o Brasil , resultado de décadas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e adaptação de sistemas produtivos a condições semelhantes às encontradas em várias regiões africanas.

    Para Kátia, essa experiência permite que o Brasil estabeleça uma relação de parceria com países africanos, inclusive sem entrar necessariamente em competição com a China.

    SAF abre nova fronteira pra o agro brasileiro | CNN AGRO NEWS
    SAF abre nova fronteira pra o agro brasileiro | CNN AGRO NEWS — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Não vamos competir com a China. Em agricultura tropical, o Brasil é imbatível. Temos 50 anos de experiência.”

    A China, na visão dela, pode atuar principalmente em infraestrutura e investimentos, enquanto o Brasil leva conhecimento e tecnologia agrícola.

    SAF abre nova fronteira pra o agro brasileiro | CNN AGRO NEWS

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/angola-e-nova-fronteira-para-a-expansao-do-agronegocio-brasileiro/.

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