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    Angeli, um dos maiores nomes do cartum nacional, faz 70 anos; lembre carreira

    Nesta segunda (31), Angeli completa 70 anos, com cinco dessas décadas dedicadas a uma produção intensa e crítica nos quadrinhos brasileiros. Leia mais (08/31/2026 - 17h07)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 20:07
    Angeli, um dos maiores nomes do cartum nacional, faz 70 anos; lembre carreira
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Nesta segunda (31), Angeli completa 70 anos, com cinco dessas décadas dedicadas a uma produção intensa e crítica nos quadrinhos brasileiros.

    Retrato do cartunista Arnaldo Angeli Filho, mais conhecido com Angeli, em seu apartamento em Higienópolis, na região central de São Paulo (SP) - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress
    Retrato do cartunista Arnaldo Angeli Filho, mais conhecido com Angeli, em seu apartamento em Higienópolis, na região central de São Paulo (SP) - Eduardo Knapp/Folhapress · Eduardo Knapp/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nascido em 1956, em São Paulo, Arnaldo Angeli Filho, ou apenas Angeli, acompanha, por meio do desenho, mudanças políticas e sociais do país e criou personagens que se tornaram referências no quadrinho brasileiro, como Rê Bordosa, Bob Cuspe, Wood & Stock e os Skrotinhos. Relembre aqui mais sobre seus principais personagens .

    Sua primeira obra na Folha é de 1973. Dois anos depois, aos 19, por indicação da cartunista Hilde Weber, ex-mulher do jornalista Claudio Abramo, então diretor de Redação do jornal, ele se tornaria cartunista fixo da publicação.

    Durante décadas, Angeli produziu desenhos diariamente para o jornal, muitas vezes mais de uma charge por dia. "Tem horas que eu tremo, porque não consegui fazer aquilo que me propus. Mas acho até que eu gosto um pouquinho de sofrer", afirmou em 2015.

    Veja algumas das charges, tirinhas e esboços de Angeli que entram para o acervo do cartunista no IMS
    Veja algumas das charges, tirinhas e esboços de Angeli que entram para o acervo do cartunista no IMS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foram 33 anos com tiras diárias na Ilustrada, o caderno de cultura do veículo, até 2016. Há quatro anos, decidiu se aposentar, após ter recebido o diagnóstico de afasia, condição neurodegenerativa que prejudica a comunicação, mas ainda contribui esporadicamente para o jornal, com trabalhos publicados mensalmente na seção Quadrão .

    Parte dessas décadas de trabalho agora está preservada no Instituto Moreira Salles , que também preserva trabalhos de nomes como Millôr Fernandes e Hilde Weber . O acervo reúne 2.100 itens, entre 700 charges, 700 tirinhas e 700 ilustrações originais, além de esboços. A seleção começou em 2018, ainda com a participação de Angeli, e foi continuada por Carolina Guaycuru, sua mulher e parceira de trabalho há 30 anos.

    A política é apenas uma das dimensões de sua produção. Nos anos 1980, com uma estética punk, Angeli explorou com mais frequência personagens e situações ligadas aos costumes e ao comportamento de uma geração que cresceu durante a redemocratização.

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    Em 1985, criou com Laerte e Glauco a revista Chiclete com Banana, que se tornou um marco dos quadrinhos brasileiros.

    O trabalho também é marcado por uma visão crítica sobre o comportamento humano. Segundo Guaycuru, o humor e a melancolia presentes nos desenhos refletiam a maneira como Angeli observava as pessoas e o país. "Angeli percebia as entranhas do ser humano, e elas não são bonitinhas", diz.

    Segundo Laerte, também cartunista da Folha , Angeli aproximou diferentes tradições do desenho de imprensa. A combinação entre comentário político e observação dos costumes ajudou a definir o lugar do artista no humor gráfico brasileiro.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Hoje seu trabalho, sobretudo com esses personagens, pode ser encontrado em volumes como "Todo Bob Cuspe" , "Toda Rê Bordosa" e "Todo Wood&Stock", todos pela Companhia das Letras.

    Há ainda planos para uma nova publicação, com organização de André Conti e Guaycuru, que vai pinçar mais de mil trabalhos de todo tipo ao longo das últimas cinco décadas, passando por tiras de jornais e revistas, charges, ilustrações e desenhos variados. A ideia é que saia pela editora Todavia em junho ou julho de 2027.

    Reza a lenda que a primeira publicação de Angeli foi aos 14 anos, na antiga revista Senhor, mas os organizadores da coletânea não conseguiram localizar com exatidão esse trabalho pioneiro.

    Recentemente também foi publicado um livro, "Nas Entranhas de Bob Cuspe", com relatos das filmagens, da equipe e de cada detalhe do longa animado " Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente ", de 2021. O trabalho em stop motion de Cesar Cabral é um dos vários títulos que adaptaram seu traço para as telas —outra produção célebre é série "Angelitos" , que traduziu muitas de suas tiras em episódios de cerca de um minuto.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/angeli-um-dos-maiores-nomes-do-cartum-nacional-faz-70-anos-lembre-carreira.shtml.

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