André Mendonça trata caso de Lulinha de forma diferente do de ACM Neto, diz PF em relatório a Moraes
Relatórios de inteligência da Polícia Federal apontam que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). André Mendonça daria tratamentos diferentes conforme o grupo político, segundo documentos revelados em decisão do ministro Alexandre de Moraes desta quinta (3).Leia mais (09/03/2026 - 21h26)

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Relatórios de inteligência da Polícia Federal apontam que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). André Mendonça daria tratamentos diferentes conforme o grupo político, segundo documentos revelados em decisão do ministro Alexandre de Moraes desta quinta (3).
Segundo a PF, em uma reunião, Mendonça teria afirmado que o candidato ao governo baiano ACM Neto (União Brasil) exercia uma atividade de representação de interesses "dentro dos limites permitidos". A formulação indicaria que, na avaliação atribuída ao ministro, a atuação de Neto não configuraria, naquele momento, uma conduta irregular.
O relatório compara essa avaliação com o tratamento dado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha . De acordo com os investigadores, os dois casos poderiam envolver situações semelhantes, mas estariam sendo analisados com critérios diferentes. A PF registra a possibilidade de adoção de "padrões probatórios distintos" conforme a identidade política dos investigados.

"Em reunião presencial de 13/8/2026, o relator [Mendonça] manifestou percepção de que ACMNeto, candidato ao Governo da Bahia, aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido. A situação fática apurada quanto a ele guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva o que sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos", diz o relatório citado por Moraes.
O trecho está citado em decisão em que Moraes pede que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade , improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).
O despacho foi assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para providências. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".
De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação "por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares" a serem apresentadas pela PF (Polícia Federal).
Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).
A medida é tomada por Moraes dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta o colega como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar Moraes.
Fachin decidiu abrir um procedimento para esclarecer as nulidades alegadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República), solicitando a todos os envolvidos, inclusive a Moraes e Mendonça, manifestações em até cinco dias úteis.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVE IA e KARINA MATIAS
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/monicabergamo/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/09/andre-mendonca-trata-caso-de-lulinha-de-forma-diferente-do-de-acm-neto-diz-pf-em-relatorio-a-moraes.shtml.

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, - Greg Salibian -31.mai.2010/Folhapress · Greg Salibian -31.mai.2010/Folhapress — Foto: UOL
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