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    Andar pela cidade pode proteger o cérebro contra o Alzheimer

    Estudo com quase 9 milhões de mortes encontrou menor risco de Alzheimer entre motoristas de táxi e ambulância nos EUA, segundo análise O post Andar pela cidade pode proteger o cérebro contra o Alzheimer apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    14 de agosto de 2026 às 12:07
    Andar pela cidade pode proteger o cérebro contra o Alzheimer
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    Motoristas de táxi e ambulância nos EUA tiveram o menor risco de morte por Alzheimer entre 443 profissões analisadas em um estudo de 2024. O dado chamou atenção porque esses profissionais passam boa parte do trabalho se orientando, calculando rotas e atualizando mapas mentais.

    Para Hatim Sharif, professor de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade do Texas em San Antonio, em artigo no The Conversation , o resultado levanta uma possibilidade: o esforço constante para interpretar o espaço pode estimular áreas do cérebro ligadas à memória e à navegação.

    Os pesquisadores analisaram quase 9 milhões de certidões de óbito registradas nos EUA entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022. Depois de considerar idade, sexo, etnia e escolaridade, encontraram uma diferença: aproximadamente 1 em cada 100 motoristas de táxi e ambulância morreu de Alzheimer, contra 1 em cada 60 pessoas no conjunto analisado.

    Motoristas de táxi e ambulância tiveram o menor risco de morte por Alzheimer entre 443 profissões analisadas. A navegação pode ser parte da explicação. – Imagem: Bjoern Wylezich/iStock
    Motoristas de táxi e ambulância tiveram o menor risco de morte por Alzheimer entre 443 profissões analisadas. A navegação pode ser parte da explicação. – Imagem: Bjoern Wylezich/iStock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O mesmo não ocorreu com outras profissões ao volante. Motoristas de ônibus e pilotos de avião não apresentaram vantagem semelhante. A possível explicação está no tipo de atividade. Táxis e ambulâncias exigem decisões de navegação em tempo real, enquanto outras ocupações seguem rotas fixas ou predeterminadas.

    O hipocampo aparece no centro dessa discussão. A região participa da memória e da orientação espacial e está entre as primeiras áreas afetadas pelo Alzheimer. Dificuldades para encontrar caminhos podem surgir antes mesmo de problemas claros de memória.

    Sharif conta que passou mais de duas décadas trabalhando com mapas digitais e sistemas de informação geográfica. “Sempre presumi que o raciocínio espacial entre camadas de mapas fosse puramente profissional.”

    Um estudo de 2023 encontrou uma associação entre ambientes espacialmente complexos e menor probabilidade de Alzheimer. Imagem: Sergey Nivens/Shutterstock
    Um estudo de 2023 encontrou uma associação entre ambientes espacialmente complexos e menor probabilidade de Alzheimer. Imagem: Sergey Nivens/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Um estudo de 2000 já havia encontrado uma pista semelhante. Pesquisadores compararam os cérebros de taxistas licenciados de Londres aos de pessoas que não trabalhavam dirigindo táxis.

    Para conseguir a licença, era preciso memorizar mais de 25 mil ruas em um raio de 10 quilômetros de Charing Cross. O desafio, conhecido como “The Knowledge” (“O Conhecimento”), levava em média de três a quatro anos.

    Os taxistas apresentavam mais matéria cinzenta no hipocampo posterior. Havia também uma relação com a experiência: quanto mais tempo alguém passava dirigindo pela cidade, maior era essa região cerebral. A alteração estava ligada à prática, não a uma característica inata.

    Táxis parados em uma rua
    Táxis parados em uma rua — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A questão interessa também a cartógrafos, urbanistas e analistas geoespaciais. No trabalho com sistemas de informação geográfica (SIG), esses profissionais cruzam diferentes camadas de dados, coordenadas e escalas para entender relações entre lugares.

    Mas existe uma diferença importante. Um motorista navega dentro do ambiente; o especialista em SIG observa o espaço por meio de um mapa. Ainda não está claro se as duas experiências acionam os mesmos circuitos cerebrais.

    Um estudo de 2023 analisou mais de 22.500 pessoas e conseguiu prever quais CEPs tinham taxas maiores de Alzheimer com 84% de precisão, usando a complexidade do ambiente. Regiões com ruas densas, muitos cruzamentos, pontos de referência e várias opções de trajeto estavam associadas a menor probabilidade de desenvolver a doença.

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    A ideia também se relaciona ao conceito de reserva cognitiva, ligado à capacidade do cérebro de continuar funcionando apesar das alterações provocadas por uma doença.

    O raciocínio espacial pode ser treinado, e oportunidades de treinamento já são amplamente difundidas.

    Segundo ele, cursos de geografia, engenharia, saúde pública e ciências ambientais já utilizam SIG e sensoriamento remoto.

    Valdir Antonelli
    Valdir Antonelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O que ainda falta descobrir é se esse exercício consegue, de fato, fortalecer os circuitos cerebrais atingidos primeiro pelo Alzheimer.

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    Motoristas de táxi e ambulância tiveram o menor risco de morte por Alzheimer entre 443 profissões analisadas. A navegação pode ser parte da explicação. – Imagem: Bjoern Wylezich/iStock
    Motoristas de táxi e ambulância tiveram o menor risco de morte por Alzheimer entre 443 profissões analisadas. A navegação pode ser parte da explicação. – Imagem: Bjoern Wylezich/iStock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Um estudo de 2023 encontrou uma associação entre ambientes espacialmente complexos e menor probabilidade de Alzheimer. Imagem: Sergey Nivens/Shutterstock
    Um estudo de 2023 encontrou uma associação entre ambientes espacialmente complexos e menor probabilidade de Alzheimer. Imagem: Sergey Nivens/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/14/medicina-e-saude/andar-pela-cidade-pode-proteger-o-cerebro-contra-o-alzheimer/.

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    Motoristas de táxi e ambulância tiveram o menor risco de morte por Alzheimer entre 443 profissões analisadas. A navegação pode ser parte da explicação. – Imagem: Bjoern Wylezich/iStock — Foto: Olhar Digital

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