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    Anarquia que corrói STF não vai acabar antes da eleição

    Disputas recentes entre magistrados do Supremo revelam politização galopante da corte

    UOL
    30 de setembro de 2026 às 08:00
    Anarquia que corrói STF não vai acabar antes da eleição
    Ministros sentados em semicírculo no plenário do Supremo Tribunal Federal, com público observando. Bandeira do Brasil e símbolos oficiais ao fundo. — Foto: UOL

    Editor da Ilustríssima, formado em administração de empresas com mestrado em comunicação pela UFRJ. Foi editor de Opinião da Folha

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    Sessão plenária do STF, sob a presidência do ministro Edson Fachin - Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress
    Sessão plenária do STF, sob a presidência do ministro Edson Fachin - Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Instaurou-se a anarquia no Supremo Tribunal Federal, que caminha em ritmo acelerado de politização, sem disfarçar motivações eleitorais, na direção de um muro. A situação já seria bastante complexa com os enfrentamentos recentes entre duas alas de magistrados, mas há evidências que ampliam o quadro de enfermidade institucional.

    São inquietantes, para dizer o mínimo, os sinais de que ministros usufruem de relações e vantagens que deixam no ar desconfianças acerca de busca por enriquecimento pessoal. Embora seja o mais rumoroso dos desvios, o envolvimento de integrantes da corte, familiares e pessoas próximas com os interesses de Daniel Vorcaro, do Banco Master , não é o único caso de falência moral no topo da Justiça.

    Situações aparentemente menores, mas muito relevantes, vêm forjando um novo normal promíscuo na esfera pública. No Supremo, tornou-se corriqueiro aceitar favores duvidosos, viajar em jatinhos, frequentar festinhas e divertir-se às custas de empresários com causas a julgar —para não falar do subterfúgio da advocacia familiar paralela.

    Veja especialistas ouvidos pela Folha sobre como melhorar o Supremo
    Veja especialistas ouvidos pela Folha sobre como melhorar o Supremo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Oito ministros têm parentes advogados com processos na própria corte. Que padrão ético se deve exigir de magistrados que detêm tanto poder e dão a palavra final sobre interesses políticos e econômicos bilionários?

    Há ainda um problema estrutural. O desenho institucional concentrou enorme poder nas mãos de 11 pessoas que nem sempre atuam de forma colegiada. Decisões monocráticas produzem consequências para todo o país, enquanto a judicialização da política embaralha direito, poder e interesses eleitorais.

    Tudo somado, rivalidades egoicas, politização aberta e indícios de corrupção ética compõem um cenário preocupante. Como colocar ordem numa corte em que a fragilidade de princípios, os casuísmos e a falta de espírito público conspiram para sua implosão?

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Edson Fachin tentou fazer de um código de ética uma das marcas de sua presidência. A proposta encontrou resistência, e a guerra interna praticamente a inviabilizou. O Supremo não quer estabelecer regras de conduta mais claras para si mesmo.

    Seja qual for o presidente eleito, a instituição será submetida a pressões por mudanças. Lula já se posicionou a favor de mandatos para ministros e de uma alteração no sistema de indicações, com a participação de um colegiado.

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    Flávio Bolsonaro terá poder considerável para realizar a fantasia autoritária de subjugar a corte. O próximo presidente poderá indicar os substitutos de Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes . Há ainda a vaga deixada por Barroso : Lula indicou Jorge Messias, mas o Senado rejeitou o nome . Se a cadeira permanecer sem dono, o vencedor da eleição poderá indicar 4 dos 11 ministros.

    Há ainda a discussão sobre a possibilidade de o Senado debater o impeachment de magistrados. Alexandre de Moraes , que condenou Jair Bolsonaro acertadamente, mas se viu no meio de um escândalo com Vorcaro, é forte candidato. É uma questão política que ronda uma instituição com telhados de vidro.

    O STF precisa de mudanças que reduzam poderes individuais, estabeleçam padrões éticos sólidos e contribuam para firmar uma credibilidade que derrete à luz do dia. Antes da decisão eleitoral, parece impossível enfrentar esse quadro de descontrole.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcosaugustogoncalves/2026/09/anarquia-que-corroi-stf-nao-vai-acabar-antes-da-eleicao.shtml.

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    Sessão plenária do STF, sob a presidência do ministro Edson Fachin - Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress — Foto: UOL

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