Análise: Voto útil e abstenção guiam reta final do primeiro turno
Segundo Clarissa Oliveira, campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro apostam em frentes distintas para maximizar votos no primeiro turno

Na reta final do primeiro turno das eleições, as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram esforços em duas frentes estratégicas: o apelo ao voto útil e o combate à abstenção . A analista de política Clarissa Oliveira analisou o peso de cada uma dessas estratégias para os dois principais candidatos.
Segundo Clarissa, o movimento do voto útil é considerado especialmente relevante para a campanha de Flávio Bolsonaro .
"Muitos dos candidatos que estão posicionados mais atrás nas pesquisas de intenção de voto têm posicionamento mais à direita. A campanha de Flávio vê uma oportunidade de tentar trazer essas pessoas para perto", afirmou a analista durante o CNN Agora deste sábado (3).

Clarissa descreveu o perfil desse eleitor como alguém que, ao perceber que seu candidato preferido não ganhou tração ao longo da campanha, pode optar por migrar para o nome mais próximo de suas convicções já neste primeiro turno.
"Se for um candidato mais à direita, como Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo), talvez o movimento natural seja ir para Flávio Bolsonaro desde o primeiro turno", avaliou a analista.
No entanto, Clarissa ressaltou que essa migração não é automática. Há eleitores que, mesmo com um posicionamento mais à direita, têm resistência ao bolsonarismo e, diante da escolha entre Flávio Bolsonaro e Lula, podem permanecer onde estão ou até mesmo votar no adversário.

"Tem uma parte dos votos que poderia migrar para Lula, mas, no discurso dele, a ideia de puxar esse eleitor é um pouco mais frágil", observou.
Já a campanha de Lula direciona seu esforço mais intenso ao combate à abstenção . De acordo com Clarissa, tanto pesquisas internas quanto o histórico de eleições anteriores indicam claramente que uma abstenção elevada prejudica mais Lula do que Flávio Bolsonaro , em razão do perfil do eleitorado petista.
"Tem mais mulher que costuma faltar, mais idosos que eventualmente desistem de ir até a urna", explicou a analista.

Por isso, a campanha petista tem realizado uma ofensiva direcionada especialmente a aposentados e beneficiários do INSS , inclusive com uma narrativa de alerta sobre possíveis mudanças nos benefícios caso Flávio Bolsonaro vença a eleição.
Clarissa destacou ainda que as duas campanhas atuam nessas duas frentes, mas com ênfases distintas de acordo com o perfil de cada eleitorado. "Fazem uma aposta um pouco maior em uma canoa ou na outra", afirmou.
A analista também chamou atenção para o fato de que a campanha até o primeiro turno foi marcada muito mais por disputas no STF e no TSE , trocas de ataques entre magistrados e escândalos de corrupção do que por um debate efetivo de projetos.

"Os candidatos chegam para essa etapa da votação sem que o eleitor tenha de fato conhecimento claro sobre o que eles estão apresentando como projeto para o país", pontuou.
Diante desse cenário, Clarissa avaliou que o voto tende a ser mais emocional do que racional . "Uma eleição em que o eleitor vai votar com o fígado, quem eu rejeito mais, quem me incomoda. E o quadro da abstenção pode mudar tudo ."


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/analise-voto-util-e-abstencao-guiam-reta-final-do-primeiro-turno/.

Lula e Flávio chegam à reta final com atenção redobrada em Minas — Foto: CNN Brasil
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