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    Análise: Os sete riscos de Lula, entre o favoritismo e a vitória

    Avaliação subjetiva da economia e antipetismo histórico podem se somar a fatores imponderáveis e fazer Lula parar de ganhar eleitores - o que já seria suficiente

    CNN Brasil
    15 de agosto de 2026 às 21:00
    Análise: Os sete riscos de Lula, entre o favoritismo e a vitória
    Foto: CNN Brasil

    Lula pode perder a eleição? Há alguns meses, a pergunta, no meio dos especialistas, teria como resposta um não. Agora, é hipótese realista .

    A última Quaest mostra Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 40% no segundo turno . Tecnicamente, um empate. Em julho, a diferença era de oito pontos .

    Lula continua favorito . Ocupa a Presidência, mantém base sólida, comunica como poucos e enfrenta um adversário cuja rejeição também é alta. Mas favoritismo não é vitória antecipada . E a campanha começa com pelo menos sete riscos para o presidente.

    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de cerimônia na Fiocruz, Rio de Janeiro, 17 de julho de 2026 • Ricardo Moraes/Reuters · • Ricardo Moraes/Reuters
    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de cerimônia na Fiocruz, Rio de Janeiro, 17 de julho de 2026 • Ricardo Moraes/Reuters · • Ricardo Moraes/Reuters — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O primeiro é a eleição se transformar em plebiscito sobre o governo. Lula precisa que a disputa seja uma escolha entre projetos — e uma comparação entre ele e a família Bolsonaro.

    Se a pergunta dominante for apenas “Lula merece mais quatro anos?”, o cenário se complica. A desaprovação está em 48%, e 53% dos eleitores dizem que o país caminha na direção errada.

    O segundo é a rejeição. Lula tem 52%; Flávio, 54%. A diferença é pequena, mas há uma assimetria. Lula é inteiramente conhecido.

    Patrimônio dos candidatos ao Planalto vai de R$ 33 mil a R$ 242 milhões
    Patrimônio dos candidatos ao Planalto vai de R$ 33 mil a R$ 242 milhões — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Depois de quatro décadas no centro da vida nacional, há pouco a descobrir sobre ele. Flávio pode reduzir a própria rejeição se conseguir se afastar dos excessos do pai sem perder o eleitorado bolsonarista.

    O terceiro é a economia percebida. Os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) importam, mas não decidem sozinhos uma eleição.

    O que pesa é a forma como a economia aparece no cotidiano das famílias: no supermercado, na conta de luz, nos juros. Se os indicadores melhorarem e a melhora não chegar ao bolso, a estatística terá pouco efeito eleitoral.

    PT vê efeito Lulinha em pesquisa; QG de Flávio, reação após “Dark Horse”
    PT vê efeito Lulinha em pesquisa; QG de Flávio, reação após “Dark Horse” — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O quarto é a sucessão de escândalos. Um episódio isolado é absorvido. Uma sequência produz ambiente de desgaste.

    INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Banco Master e denúncias envolvendo pessoas próximas ao presidente oferecem à oposição material para compor uma narrativa única contra o governo.

    O quinto é a reunificação do antipetismo. Flávio não precisa entusiasmar a direita. Precisa apenas convencê-la de que é o instrumento disponível para impedir outro mandato de Lula.

    Da rejeição à escolha: início da campanha testa projetos de presidenciáveis
    Da rejeição à escolha: início da campanha testa projetos de presidenciáveis — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    No segundo turno, governadores, empresários, evangélicos e agronegócio podem convergir mais pela rejeição ao PT do que pela adesão ao candidato do PL.

    O sexto são os independentes. Os dois candidatos têm pisos altos e bases consolidadas.

    A eleição será decidida nas bordas: no eleitor que rejeita a polarização, decide tarde e vota menos por entusiasmo do que para evitar o que considera pior. Numa diferença de três pontos, alguns milhões de votos decidem tudo.

    Patrimônio dos candidatos ao Planalto vai de R$ 33 mil a R$ 242 milhões
    Patrimônio dos candidatos ao Planalto vai de R$ 33 mil a R$ 242 milhões — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O sétimo é o imponderável. Harold Macmillan, perguntado sobre o que mais temia na política, teria respondido: “os eventos, meu caro, os eventos”.

    Quanto mais estreita a margem, maior o peso do inesperado. Uma crise, um escândalo ou uma decisão controversa do STF (Supremo Tribunal Federal) pode alterar o ambiente e definir quem sobe a rampa do Planalto.

    Todos esses riscos apontam para uma mesma assimetria. Lula está mais próximo de seu teto do que Flávio. Sua tarefa é preservar votos. A de Flávio é acrescentá-los. Por isso, o maior perigo para Lula talvez não seja o adversário, mas a combinação entre fadiga de poder, rejeição elevada e desejo de mudança.

    PT vê efeito Lulinha em pesquisa; QG de Flávio, reação após “Dark Horse”
    PT vê efeito Lulinha em pesquisa; QG de Flávio, reação após “Dark Horse” — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Lula nem precisa despencar para perder. Pode manter seus 43% enquanto o adversário recolhe, pouco a pouco, os votos disponíveis. A derrota não viria de um colapso do lulismo, mas da lenta consolidação do antilulismo.

    Na política, às vezes, não é preciso perder votos para perder uma eleição. Basta parar de ganhá-los.

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    Da rejeição à escolha: início da campanha testa projetos de presidenciáveis
    Da rejeição à escolha: início da campanha testa projetos de presidenciáveis — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    * Murillo de Aragão é advogado, cientista político e CEO da Arko Advice

    Reciprocidade tenta fazer EUA negociarem tarifas novamente, diz Arko Advice | CNN BRASIL
    Reciprocidade tenta fazer EUA negociarem tarifas novamente, diz Arko Advice | CNN BRASIL — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Vídeo: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/analise-os-sete-riscos-de-lula-entre-o-favoritismo-e-a-vitoria/.

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    Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de cerimônia na Fiocruz, Rio de Janeiro, 17 de julho de 2026 • Ricardo Moraes/Reuters · • Ricardo Moraes/Reuters — Foto: CNN Brasil

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