Análise: Novas investidas de Israel em Gaza geram tensão com Estados Unidos
Ao CNN 360º, Fernanda Magnotta avalia impasse nas negociações de paz após ofensiva israelense e visita de Jared Kushner à região

Novos ataques aéreos israelenses mataram pelo menos 15 palestinos na Faixa de Gaza desde terça-feira (18). O começo da ofensiva ocorreu após o genro de Donald Trump, Jared Kushner, encerrar uma viagem à região sem conseguir avançar com o plano do presidente americano para acabar com o conflito.
Para a analista de Internacional Fernanda Magnotta , durante o CNN 360º desta quarta-feira (19), o cenário atual em Gaza apresenta um problema duplo.
"Primeiro, a gente tem o plano em si , que precisa ser desenhado, e desenhar esse plano não é um desafio simples. E depois tem a segunda parte do problema, que é a implementação ", afirmou a analista.

Magnotta destacou que, do ponto de vista do conteúdo do plano , houve um avanço importante com o compromisso de desarmamento do Hamas , que passou a integrar concretamente as negociações.
O próprio Kushner chegou a indicar que, em 30 dias , poderia haver a possibilidade de contemplar um acordo que já incluísse esse elemento. Além disso, a analista mencionou a estruturação de grupos de trabalho que tratarão de temas que vão do desarmamento a questões humanitárias .
No âmbito financeiro, a analista apontou que os Estados Unidos pretendem destinar mais recursos às forças de estabilização em Gaza.

"Tem no Congresso tramitando um pacote de pouco mais de US$ 200 milhões. O projeto não foi abandonado", disse Magnotta. No entanto, transformar essas iniciativas em resultados concretos segue sendo o maior obstáculo.
A principal barreira identificada pela analista é o chamado sequencing , a ordem de implementação das medidas acordadas.
Israel exige que o Hamas se desarme antes de retirar suas forças das posições atuais. Já o Hamas se recusa a entregar as armas sem garantias de retirada israelense e sem a definição de um arranjo político futuro.

"Significaria [para o Hamas] abrir mão da principal fonte de poder sem receber nenhuma contrapartida. A questão do 'quem vai primeiro' é o dilema da vez, é o tema que tem travado essas negociações", explicou Magnotta.
Diante desse impasse, a analista avaliou que o próximo passo mais provável será dividir a grande negociação em etapas menores e mais verificáveis , como a entrega gradual de armas, mecanismos internacionais de verificação e a retirada israelense vinculada ao cumprimento de metas.
A entrada de alguma força internacional de mediação e a retomada de um modelo de administração tecnocrática, que Trump já sugeriu anteriormente, para o lado palestino também foram apontadas como possibilidades.

Magnotta alertou que os ataques israelenses de terça e quarta-feira evidenciam como é fácil destruir politicamente o processo de negociação . "E isso, de alguma forma, é uma recorrência", acrescentou a analista.
Segundo ela, o ambiente permanece "muito hostil" e o conflito se retroalimenta em um círculo vicioso : "Se Israel não retira as suas tropas, o Hamas não desarma; se o Hamas não desarma, Israel não retira as suas tropas."
Magnorta destacou que o principal desafio atual é justamente impedir que esse ciclo continue se perpetuando , mantendo as partes em uma posição em que nenhuma delas efetivamente avance.


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-novas-investidas-de-israel-em-gaza-geram-tensao-com-estados-unidos/.

Ataque de Israel mata nove em posto policial em Gaza, dizem equipes médicas — Foto: CNN Brasil
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