Análise: Netanyahu reforça nacionalismo e degrada relação com Trump
Israel recusa os 15 pontos do Conselho de Paz dos EUA e exige desarmamento total do Hamas antes de retirar tropas da Faixa de Gaza; analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna avalia decisão ao Agora CNN

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou o plano de 15 pontos elaborado pelo Conselho de Paz dos Estados Unidos para a Faixa de Gaza . Segundo o analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna, ao Agora CNN , Netanyahu reforça a identidade nacionalista e degrada sua relação com Donald Trump .
Segundo o líder israelense, as forças de Israel só deixarão o território quando o Hamas se desarmar completamente. Para Lourival Sant'Anna, a decisão representa um confronto direto com Trump , que havia anunciado avanços no plano no mês passado para encerrar a guerra na região, afirmando que o grupo palestino havia concordado em depor as armas.
Uma autoridade do Hamas confirmou a informação, mas condicionou o desarmamento ao cumprimento, por parte de Israel, das obrigações previstas no acordo. Em outubro do ano passado, Israel e Hamas haviam concordado com um cessar-fogo no território palestino, mas os ataques das forças israelenses continuaram.

Lourival Sant'Anna avalia que a resistência de Netanyahu ao plano norte-americano está fortemente ligada ao cenário eleitoral israelense. "Israel enfrenta eleições no dia 27 de outubro ", afirmou o analista.
Segundo ele, as pesquisas indicam uma derrota do Likud, partido de Netanyahu, juntamente com sua coalizão. Diante disso, Netanyahu busca reforçar uma identidade mais nacionalista para atrair votos , já que não tem como conquistar o eleitorado moderado, de centro, da esquerda ou dos partidos árabes.
Lourival aponta que Netanyahu também sofreu críticas nos últimos meses por ter, segundo seus opositores, cedido soberania a Trump — tanto ao aceitar o acordo de cessar-fogo com o Hamas em outubro do ano passado quanto no contexto da guerra com o Irã, quando Trump assumiu a liderança de negociações e tréguas no Golfo Pérsico sem sequer consultar Netanyahu. "Netanyahu foi quem arrastou Trump para essa guerra", destacou o analista.

O analista explica que Trump liderou a criação do chamado Conselho da Paz , que por sua vez criou a Agência Nacional de Administração de Gaza — um gabinete de tecnocratas palestinos cuja entrada na Faixa de Gaza Israel não permite.
Nesse contexto, o Hamas tomou a iniciativa de anunciar formalmente sua retirada do governo e declarou aceitar entregar suas armas, desde que Israel cumpra sua parte do acordo — uma condição que Lourival Sant'Anna avalia ser politicamente impossível para Netanyahu aceitar .
Outro fator determinante, segundo o analista, é a presença no gabinete israelense de figuras como ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir , e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, representantes dos colonos da Cisjordânia que desejam a recolonização da Faixa de Gaza.

Como o acordo prevê a retirada israelense do território, a situação tornou-se insustentável para Netanyahu. "Ele foi obrigado, politicamente, a frustrar Donald Trump, que certamente vai cobrar caro por essa frustração, como costuma fazer", concluiu o analista.



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-netanyahu-reforca-nacionalismo-e-degrada-relacao-com-trump/.

Sem avanços, Trump diz que EUA “negociam parcialmente” com o Irã; entenda — Foto: CNN Brasil
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