Análise: Irã faz apelo a americanos antes de eleições de “midterms”
Guarda Revolucionária Iraniana divulga carta de 25 páginas contestando narrativa de Trump sobre a guerra e o controle do Estreito de Ormuz; a avaliação é da analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta ao CNN 360°

A Guarda Revolucionária do Irã divulgou uma carta dirigida ao eleitorado norte-americano, pedindo que os eleitores rejeitem as políticas do presidente americano, Donald Trump, e aceitem uma proposta de coexistência pacífica. A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta comenta o tema ao CNN 360° .
O apelo foi feito pouco mais de um mês antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, e um porta-voz da organização chamou Trump de "grande mentiroso", acusando-o de ocultar informações sobre o programa nuclear iraniano e sobre a eficácia do bloqueio ao abastecimento de energia proveniente do Golfo.
Fernanda Magnotta avaliou os principais pontos da mensagem iraniana. Segundo ela, a carta — que tem 25 páginas — não se destina à Casa Branca, mas diretamente à população americana.

"O objetivo dessa carta não é falar com a Casa Branca, é falar com o eleitorado americano às vésperas do pleito de meio de mandato ", afirmou Magnotta.
De acordo com Magnotta, o documento iraniano tenta desmontar dois argumentos centrais do governo Trump . O primeiro é a afirmação de que a guerra estaria neutralizando a ameaça iraniana. O segundo é a ideia de que os Estados Unidos estariam recuperando o controle sobre o Estreito de Ormuz.
"Basicamente, o que o Irã está tentando fazer nesse conteúdo dessa carta é atingir, golpear de morte, dois argumentos centrais do governo Trump", explicou a analista.

Magnotta destacou ainda que existe uma intensa guerra de narrativas em torno do Estreito de Ormuz. Enquanto os Estados Unidos afirmam haver uma certa normalização do canal, os iranianos sustentam o oposto.
Dados de setembro apontam que cerca de 10 milhões de barris de petróleo passavam pelo estreito por dia — um volume considerado melhor do que em períodos anteriores, mas ainda bem abaixo dos níveis registrados antes do conflito, representando aproximadamente metade do fluxo habitual.
A analista também apontou que, paralelamente à disputa narrativa, há uma discussão sobre o grau de fragilidade do Irã. Como indício dessa fragilidade, Magnotta citou o fato de o rial iraniano ter atingido uma mínima histórica, ultrapassando 2,5 milhões por dólar.

"A fragilidade iraniana não é pequena e ela continua sendo um elemento real diante dessas negociações", disse.
Ainda assim, segundo Magnotta, os Estados Unidos também enfrentam dificuldades no processo. O objetivo central da carta iraniana seria ampliar a pressão doméstica sobre o governo Trump, transmitindo ao eleitorado americano a mensagem de que a guerra está custando caro e não entregando os resultados prometidos.
"Eu diria que é mais uma gotinha na panela de pressão que virou essa disputa agora, tentando abraçar de uma vez por todas o eleitorado doméstico dos Estados Unidos", concluiu a analista.



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-ira-faz-apelo-a-americanos-antes-de-eleicoes-de-midterms/.

Análise: Com 6 meses de guerra, Irã prova que é capaz de manter a soberania — Foto: CNN Brasil
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