Alagoas

    Análise: "Governo arrecada mais, porém o rombo cresce ainda mais"

    Jornalista José Inácio Pilar: "As contas do governo brasileiro fecharam junho no vermelhopelo segundo mês seguido, e o resultado reforça um problema que já dura o primeiro semestre inteiro: o país arrecada mais, mas gasta ainda mais rápido. Segundo o Tesouro Nacional, o rombo nas contas públicas somou 48,2 bilhões de reais no mês, valor que representou aumento em relação ao mesmo mês de 2025 e é o maior déficit registrado para o mês desde 2023, em valores corrigidos pela inflação. O resultado reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. Sozinha, a Previdência Social concentrou a

    TNH1
    8 de agosto de 2026 às 21:00
    Análise: "Governo arrecada mais, porém o rombo cresce ainda mais"
    Foto: TNH1

    No acumulado do primeiro semestre, o rombo chegou a 92,2 bilhões de reais, o pior resultado para o período desde a pandemia, em 2020. Nos últimos 12 meses, o déficit acumulado chegou a 144,1 bilhões, equivalente a 1,08% do PIB.

    E a arrecadação não parou de crescer. As receitas líquidas do governo cresceram 10,3% em junho, impulsionadas em grande parte pelo desempenho dos tributos administrados pela Receita Federal.

    O problema é que as despesas cresceram em ritmo parecido, e no acumulado do ano já sobem 12,3% acima da inflação, quase o dobro do avanço das receitas.

    Uma fatia importante desse gasto extra vem dos investimentos públicos, que saltaram quase 66% no ano, segundo dados do Tesouro Nacional, um movimento típico de ano eleitoral, quando o governo costuma acelerar obras e repasses.

    Ao mesmo tempo, uma fonte de dinheiro extra que ajudou o caixa em 2025, os dividendos pagos por estatais, praticamente secou: caiu de quase 25 bilhões de reais para pouco mais de 10 bilhões neste ano.

    Para o mercado financeiro, o número em si não trouxe grande surpresa, mas mantém acesa a desconfiança dos investidores, inclusive internacionais, sobre até onde vai esse ritmo crescente de gastos públicos.

    A meta oficial do governo para 2026 prevê um superávit primário equivalente a 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos.

    'Embora os indicadores recentes de inflação mostrem sinais claros de desaceleração, a política fiscal segue atuando em sentido contrário à política monetária. Em outras palavras, o resultado confirma que o principal desafio macroeconômico permanece sendo a coordenação entre uma política monetária ainda restritiva (juros altos) e uma política fiscal que continua significativamente expansionista (muitos gastos)', analisa Jason Vieira, economista-chefe da Lev Intelligence/DTVM."

    Publicado originalmente por TNH1. Leia a matéria completa em https://www.tnh1.com.br/noticia/nid/analise-governo-arrecada-mais-mas-o-rombo-cresce-ainda-mais/.

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