Análise: derrota de Novak Djokovic no US Open parece marcar começo do fim
Sérvio de 39 anos foi eliminado na primeira rodada em Nova York com os olhos marejados e o corpo em frangalhos

Com os olhos marejados e o corpo em frangalhos, é difícil não sentir que a derrota de Novak Djokovic no US Open, no último domingo (30), marcou um momento decisivo em sua carreira.
A eliminação na primeira rodada para o argentino Mariano Navone não foi apenas o pior resultado de Djokovic em Grand Slams em 20 anos, mas também um dos raros momentos em que o sérvio pareceu vulnerável em quadra.
Seus passos não pareciam mais seguros, o corpo parecia enrijecido, e sua mentalidade guerreira finalmente foi rompida. Essa derrota teve um gosto diferente: pareceu mais definitiva.

Vale lembrar que, há apenas sete meses, o tetracampeão de 24 títulos de Grand Slam disputava a final do Aberto da Austrália, aos 39 anos, desafiando as probabilidades.
Na ocasião, ele parecia o único homem capaz de rivalizar com a nova geração, formada por Carlos Alcaraz e Jannik Sinner. A semifinal alcançada em Wimbledon, em julho, também alimentava a esperança de um 25º título de Grand Slam.
Agora, porém, atingir essa meta parece mais improvável do que nunca. Na prática, Djokovic não é mais um jogador de tempo integral no circuito.

Ele se poupa para os torneios de Grand Slam, usando ocasionalmente outras competições como preparação. A abordagem sob medida ajuda a administrar o corpo à medida que envelhece.
Mas nem mesmo ele parece capaz de lidar com seu desafio mais recente. No início deste mês, o sérvio disse enfrentar havia um tempo um problema de saúde subjacente, agravado por calor e umidade.
A questão voltou a aparecer nesta última derrota, com Djokovic sendo visto vomitando entre os pontos e mal conseguindo se movimentar ao fim da partida.

As lágrimas no set final certamente foram um sinal de que Djokovic sentiu que o tempo finalmente o alcançava — de que seu corpo não conseguia mais sustentar seu nível de desempenho.
“Eu não me diverti”, disse Djokovic depois do jogo. “Acho que ficou óbvio que foi uma sensação horrível em quadra para mim.”
“É algo que venho carregando, infelizmente, em praticamente todas as partidas neste ano: vômito, ânsias, um problema sério ali”, completou.

João Fonseca em ação contra Novak Djokovic pela terceira rodada de Roland Garros • Clive Brunskill/Getty Images
Novak Djokovic celebra ponto contra João Fonseca em duelo de Roland Garros • Anadolu via Getty Images
João Fonseca em ação contra Djokovic em Roland Garros • Getty Images

Djokovic em ação contra João Fonseca • Clive Brunskill/Getty Images
Duelo pela terceira rodada de Roland Garros passou das 3 horas • Matthew Stockman/Getty Images
Tenista sérvio busca o 25º título de Grand Slam, o que seria um recorde absoluto no tênis de simples • Matthew Stockman/Getty Images

Novak Djokovic celebra ponto contra o brasileiro • Matthew Stockman/Getty Images
Djokovic reage à comemoração do público após marcar um ponto sobre Fonseca • James Fearn/Getty Images
João também tentou levantar a torcida no duelo contra o ex-número 1 • Matthew Stockman/Getty Images

João Fonseca lamenta ponto desperdiçado contra Djokovic • James Fearn/Getty Images
Sérvio tentou se refrescar com bolsas de gelo durante pausa em razão do forte calor em Paris • Matthew Stockman/Getty Images
Confronto foi para o quinto set e mostrou uma das grandes apresentações de João Fonseca na carreira • Matthew Stockman/Getty Images

Brasileiro reage a ponto contra Djokovic em duelo pela terceira rodada de Roland Garros • Clive Brunskill/Getty Images
“Depois, meu corpo inteiro começa a entrar em colapso, basicamente com cãibras e dor. As costas simplesmente cederam no final, e o ombro também”, relatou.
Djokovic deixou o US Open dizendo que precisava de tempo para pensar sobre seu futuro no esporte — se conseguiria continuar submetendo o corpo a essa dor.

Depois das cenas vistas no domingo, como não pensar em aposentadoria? Mas o sérvio já disse antes que quer continuar jogando até a Olimpíada de Los Angeles, em 2028.
A ideia é pendurar a raquete depois de representar seu país mais uma vez. Esse sonho pode parecer distante para quem acompanhou o fim de semana, mas é preciso cautela antes de duvidar de Djokovic.
Repetidas vezes, o veterano já provou que os céticos estavam errados. Em 2017, ele lutou contra uma lesão no cotovelo, e alguns duvidaram se voltaria a jogar em seu melhor nível.

Em 2018, ele venceu dois dos quatro Grand Slams da temporada. Nas últimas temporadas, a narrativa da aposentadoria o persegue como um feitiço ruim.
Todo início de ano é apontado como o começo do fim de sua carreira; toda derrota é vista como a última chance de conquistar mais um grande título.
Mas Djokovic continuou insistindo, adaptando seu jogo à medida que envelhece e vencendo partidas que fazem os críticos se calarem — caso do jogaço de cinco sets contra Sinner no Australian Open, no início deste ano.

A verdade, porém, é que Djokovic não vence um título de Grand Slam desde 2023, e isso não deveria surpreender ninguém.
Seus antigos grandes rivais, Roger Federer e Rafael Nadal , venceram seus últimos majors aos 36 anos. As exigências físicas do esporte hoje são tão grandes que Djokovic precisaria de muita sorte para voltar a desafiar a nova geração.
Assim, embora sua dolorosa derrota no domingo possa acabar sendo apenas mais um alarme falso, é bem mais provável que seja, finalmente, o começo do fim.

A expressão em seu rosto, ao tentar reagir, reforçou essa sensação. Djokovic sempre esteve no controle em quadra, um mestre de seu próprio domínio — mas desta vez pareceu derrotado, e talvez tenha percebido isso também pela primeira vez.
Aconteça o que acontecer nos próximos meses, Djokovic seguirá sendo lembrado, possivelmente, como o maior tenista da história — e não será o último campeão a se agarrar ao esporte por tempo além do ideal.
Talvez redefinir o que considera sucesso pudesse ajudá-lo a continuar por mais um ano ou dois. Mas se o campeão ficaria satisfeito com isso é uma questão completamente diferente.

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Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/tenis/analise-derrota-de-novak-djokovic-no-us-open-pode-marcar-comeco-do-fim/.

Djokovic chorou ao receber atendimento por dores nas costas no US Open • IMAGN IMAGES viFoto: REUTERS/Robert Deutsch · • IMAGN IMAGES viFoto: REUTERS/Robert Deutsch — Foto: CNN Brasil
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