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    Análise: Aceno à Coreia do Norte é tentativa de Trump para as midterms

    O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna aponta que aproximação com a Coreia do Norte é tentativa de Trump de compensar fracassos em política externa antes das eleições

    CNN Brasil
    20 de agosto de 2026 às 01:33
    Análise: Aceno à Coreia do Norte é tentativa de Trump para as midterms
    Foto: CNN Brasil

    O presidente americano, Donald Trump, afirmou que pretende se encontrar com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ainda este ano. A declaração foi feita nesta quarta-feira (19) e veio acompanhada de uma justificativa inusitada: segundo Trump, "é bom manter uma boa relação, porque a Coreia do Norte tem armas nucleares poderosas". O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna comentou o tema ao CNN Prime Time .

    O aceno ocorre em um contexto mais amplo de aproximação entre os dois líderes. Recentemente, Trump também reduziu o escopo dos exercícios militares conjuntos realizados com a Coreia do Sul, afirmando que tais exercícios passam um sinal hostil à Coreia do Norte.

    Essa prática, tradicional entre os dois países aliados , existe há muitos anos com o objetivo de garantir a defesa da região.

    Trump conversa com Kim Jong-un após reduzir exercícios com a Coreia do Sul
    Trump conversa com Kim Jong-un após reduzir exercícios com a Coreia do Sul — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para o analista de Internacional Lourival Sant'Anna, a movimentação de Trump tem uma motivação clara: "Ele considera que pode fazer algum anúncio positivo antes da eleição de meio de mandato, no dia 3 de novembro, já que fracassou nas suas políticas externas."

    Sant'Anna citou como exemplos de insucesso a guerra do Irã, descrita como "muito impopular", a situação na Venezuela, que "não trouxe frutos", e o agravamento do cenário na Faixa de Gaza.

    Segundo o analista, os objetivos concretos de um eventual encontro poderiam incluir o anúncio de negociações para suspender a fabricação de ogivas nucleares ou os testes de mísseis norte-coreanos — que sobrevoam o território japonês e geram tensão também na Coreia do Sul.

    Análise: Trump presenteia Kim Jong-un ao reduzir exercícios com Seul
    Análise: Trump presenteia Kim Jong-un ao reduzir exercícios com Seul — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Além disso, Sant'Anna destacou que Trump gasta em torno de US$ 6 bilhões por ano com a presença militar na Península da Coreia, e uma aproximação com Pyongyang poderia abrir caminho para reduzir esses gastos.

    Sant'Anna apontou ainda outro objetivo estratégico por trás da iniciativa: "Tentar atrair a Coreia do Norte um pouco mais distante da esfera da Rússia", com a qual Pyongyang mantém, nas palavras do analista, "uma relação umbilical no campo militar", enviando dezenas de milhares de soldados para a guerra com a Ucrânia e recebendo tecnologia e apoio militar russo.

    A Coreia do Norte também possui laços estreitos com a China no campo econômico.

    Trump diz que se comunicou com Kim Jong U e reitera
    Trump diz que se comunicou com Kim Jong U e reitera — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para o analista, Trump se inspira nas triangulações diplomáticas feitas por Richard Nixon com a China nos anos 1970, tendo Nixon como modelo de estadista. "É uma fruta que ele acha que pode estar fácil de alcançar", resumiu Sant'Anna.

    Se o encontro se confirmar, será o quarto entre Trump e Kim Jong-un. Os dois se conheceram durante o primeiro mandato de Trump, e o último encontro ocorreu em 2019, ocasião em que Trump se tornou o primeiro líder dos Estados Unidos a pisar em solo norte-coreano.

    O primeiro encontro, realizado em Singapura em 2018, não produziu resultados práticos. Segundo Sant'Anna, isso se deveu à postura maximalista americana na época, que exigia a desnuclearização completa da Coreia do Norte, posição influenciada pelo então conselheiro de Segurança Nacional John Bolton.

    Análise: Trump presenteia Kim Jong-un ao reduzir exercícios com Seul
    Análise: Trump presenteia Kim Jong-un ao reduzir exercícios com Seul — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Desta vez, o cenário seria diferente. "Agora não tem mais John Bolton, o grupo de defesa é bastante obediente ao Trump", observou o analista, citando nomes como Marco Rubio e Pete Hegseth.

    Sant'Anna destacou ainda que Trump já passou a se referir à Coreia do Norte como uma potência nuclear, aceitando esse fato como consumado — o que, segundo ele, tornaria as negociações mais viáveis.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-aceno-a-coreia-do-norte-e-tentativa-de-trump-para-as-midterms/.

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    Trump conversa com Kim Jong-un após reduzir exercícios com a Coreia do Sul — Foto: CNN Brasil

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