Amigos de brasileiro preso em fila de votação em Buenos Aires se mobilizam para tentar soltá-lo
Amigos e familiares de Emiliano Fuentes Firmani estão se mobilizando para exigir a liberdade do gestor cultural de 47 anos, detido enquanto esperava para votar nas eleições presidenciais deste domingo (4) na embaixada do Brasil em Buenos Aires . Leia mais (10/04/2026 - 16h32)

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Amigos e familiares de Emiliano Fuentes Firmani estão se mobilizando para exigir a liberdade do gestor cultural de 47 anos, detido enquanto esperava para votar nas eleições presidenciais deste domingo (4) na embaixada do Brasil em Buenos Aires .

"Repudiamos energicamente a detenção de Emiliano Fuentes e exigimos sua libertação imediata", diz o texto divulgado por Ramiro Varela, amigo do brasileiro-argentino. A mensagem convoca apoiadores para um protesto pacífico em frente ao local onde ele está preso, no centro de detenção provisória da rua Suipacha, centro da capital argentina .
Segundo relatos de pessoas que testemunharam o início da confusão, no final da manhã, o eleitor tentou defender um ambulante que estava vendendo camisas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), candidato na corrida eleitoral. Agentes disseram que Fuentes segurou as mercadorias que estavam sendo apreendidas e não acatou as ordens para devolvê-las.
A prisão causou tumulto entre os presentes, que filmaram e tentaram impedir, em vão, que ele fosse levado para o carro da polícia algemado. Funcionários da embaixada tentaram intervir, incluindo o cônsul-geral do Brasil em Buenos Aires, Raymundo Magno.

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De acordo com informações passadas à reportagem por Varela, o brasileiro-argentino foi preso por "atentado e resistência contra a autoridade". O código penal diz que a pena para esse crime é de seis meses a dois anos se o acusado "puser as mãos na autoridade" —o que seria o caso de Fuentes, ainda segundo Varela.
A possibilidade assustou a esposa do gestor cultural, com quem a reportagem falou por telefone. Segundo ela, Fuentes é filho de argentinos, mas viveu no Brasil durante a infância quando seus pais fugiam da ditadura militar no país vizinho, nas décadas de 1970 e 1980.

Por isso, participa também das eleições brasileiras. Em 2022, por exemplo, ele registrou o momento do voto em suas redes sociais: "Mais de 1 km de fila para votar Lula presidente", escreveu na ocasião.
A prisão foi o momento mais delicado de uma votação com alguns percalços. Durante a manhã, o tempo de espera para votar passava de duas horas para algumas seções. Ao longo da fila, a reportagem viu pessoas vendendo chapéus em apoio a Lula, bandeiras do Brasil e coxinhas, além de ter presenciado discussões e gritaria entre eleitores do petista e de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
Parte da confusão se deve a ações que, no Brasil, seriam consideradas crime, como manifestações com bandeiras ou palavras de ordem por um candidato —no caso de Buenos Aires, a grande maioria vinda de eleitores de Lula, presentes em peso na embaixada. Em 2022, Lula teve 77,2% dos votos na cidade no segundo turno; Jair Bolsonaro, 22,8%. No resultado geral, o petista ganhou naquele ano por 50,9% dos votos válidos.

A Justiça Eleitoral permite apenas a manifestação individual e silenciosa por meio de bandeiras, broches, camisetas e adesivos e proíbe a aglomeração de pessoas com roupas padronizadas ou instrumentos de propaganda até as 17h do dia do pleito. Fora do país, porém, as embaixadas e consulados não têm poder para coibir essas ações fora de seus prédios.
A prisão desta quarta revela ainda a cruzada das autoridades portenhas contra a venda irregular nas ruas. A cidade, governada pelo direitista Jorge Macri, primo do ex-presidente Mauricio Macri, tem reforçado operações contra esse tipo de comércio.
Em agosto deste ano, a gestão afirmou ter removido 19 mil vendedores ambulantes de parques e calçadas desde 2023, quando Jorge tomou posse. "Para melhorar a qualidade de vida dos moradores de Buenos Aires, o governo da cidade concentrou seus esforços em planejamento urbano, segurança e respeito à propriedade privada", disse o governo na ocasião.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/amigos-de-brasileiro-preso-em-fila-de-votacao-em-buenos-aires-se-mobilizam-para-tentar-solta-lo.shtml.

Emiliano Fuentes dentro do carro da polícia após ser detido na fila de votação em Buenos Aires - Daniela Arcanjo/Folhapress · Daniela Arcanjo/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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