Amiga de mulher morta em mercado diz que relacionamento era marcado por violência; 'Ia trabalhar com a cara machucada'
Uma amiga de Angelita Manoela Rodrigues, 40, morta a facadas pelo companheiro dentro de um supermercado na zona norte de São Paulo , no domingo (16), diz que o casal tinha relacionamento conturbado, marcado por ameaças e violência doméstica. "Ela sempre ia trabalhar com a cara machucada. Todo mundo na empresa sabia", diz Leila Lira, 45. Leia mais (08/17/2026 - 17h59)

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Uma amiga de Angelita Manoela Rodrigues, 40, morta a facadas pelo companheiro dentro de um supermercado na zona norte de São Paulo , no domingo (16), diz que o casal tinha relacionamento conturbado, marcado por ameaças e violência doméstica. "Ela sempre ia trabalhar com a cara machucada. Todo mundo na empresa sabia", diz Leila Lira, 45.

Leila conta que Angelita e Lafayete Gonzaga da Silva, 40, estavam juntos havia dez anos.
"Ele era agressivo, dominador, humilhava ela na frente de todo mundo", afirma.
Tanto o agressor quanto a vítima trabalharam juntos com Leila em uma empreiteira. Angelita era auxiliar de limpeza e Lafayete era eletricista.

Ela afirma que ele sempre a ameaçava, discutia e a agredia verbal e fisicamente.
"Eu e as meninas conversávamos com ela. Tentávamos ajudar. Chamei para morar comigo, mas ela não aceitava, porque ele ameaçava todo mundo que ajudava", relata.
As amigas chegaram a alugar uma casa para Angelita morar e ficar longe do agressor.

"Ela saiu de casa, foi para lá. Mas ele foi atrás, falou que ia mudar. Ela tinha o coração muito bom, acreditava que ele ia mudar. Mas ela também tinha muito medo dele e das ameaças", conta.
Leila afirma que o agressor bebia muito na rua, chegava em casa bêbado e agredia a amiga.
"Ele foi mandado embora do trabalho porque sempre chegava bêbado na segunda-feira e o pessoal tinha medo porque ele mexia com eletricidade", conta.

A amiga também foi desligada da empresa por causa de faltas. "Ela apanhava, ficava muito machucada e acabava ficando sem trabalhar, às vezes por uma semana."
"A vida dela era um inferno. Uma vez ele bateu, colocou ela para fora de casa e queimou todas as roupas dela. Ficou só com o uniforme e passou a noite na rua. Uma mulher a ajudou e ele a ameaçou. Minhas filhas doaram roupas, e ele também [as] ameaçou", conta Leila.
Ela diz que a amiga não tinha família em São Paulo. "Infelizmente, era uma situação de muita dependência emocional. A família dela toda é do interior. Ela era muito sozinha, só tinha a gente", afirma.

"Ela era uma mulher muito boa, direita, honesta, amorosa. Não merecia isso. Eu queria ter feito mais, mas, infelizmente, não consegui", diz.
O caso ocorreu na região da praça Santa Clara de Assis, no Morro Grande, por volta das 13h. Lafayete foi até um supermercado e atacou a companheira pelas costas, a facadas. Imagens de câmeras de segurança registraram o crime.
Ela foi esfaqueada diversas vezes, na fila do açougue, onde estavam outros clientes. Houve tumulto e correria dentro do estabelecimento.
Algumas pessoas tentaram contê-lo, mas Lafayete fugiu do supermercado correndo.
A Polícia Militar foi acionada e encontrou Angelita ferida com gravidade no local. Ela foi levada ao Hospital Municipal da Brasilândia, mas não resistiu aos ferimentos.
Logo após o crime, Lafayete foi encontrado caído em uma calçada, com ferimentos nos pés.
Antes de atacar a companheira no supermercado, ele havia matado uma cachorra dela, também a facadas.
Ele foi preso e levado à delegacia. O caso foi registrado como feminicídio , violência doméstica e prática de abuso a animais na 4ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher).
No depoimento, segundo a polícia, afirmou que "está arrependido porque a vítima teria acabado com a vida dele".
O TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) afirmou que ele passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva (sem prazo). O caso corre em segredo de Justiça, por isso, a reportagem não conseguiu confirmar se ele apresentou advogado.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/amiga-de-mulher-morta-em-mercado-diz-que-relacionamento-era-marcado-por-violencia-ia-trabalhar-com-a-cara-machucada.shtml.

Angelita Manoela Rodrigues, 40, morta pelo companheiro - Reprodução/TV Globo · Reprodução/TV Globo — Foto: Folha de S.Paulo
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