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    Amiga de Lulinha comprou joias para ex-chefe de gabinete de Lula, aponta PF

    Mensagens indicam atuação conjunta de empresária com o filho do presidente

    UOL
    18 de agosto de 2026 às 01:00
    Amiga de Lulinha comprou joias para ex-chefe de gabinete de Lula, aponta PF
    Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha — Foto: UOL

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    A empresária Roberta Luchsinger comprou joias de diamantes e presenteou Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT). As tratativas para a aquisição constam em diálogos obtidos pela Polícia Federal . As investigações integram o material desdobrado das supostas fraudes do INSS.

    A empresária Roberta Luchsinger, durante entrevista - Marlene Bergamo - 25.mai.26/Folhapress · Marlene Bergamo - 25.mai.26/Folhapress
    A empresária Roberta Luchsinger, durante entrevista - Marlene Bergamo - 25.mai.26/Folhapress · Marlene Bergamo - 25.mai.26/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As informações foram publicadas inicialmente pelo jornal O Globo e confirmadas pela Folha .

    A defesa de Marcola afirma que o montante gasto por pela empresária com a compra das joias se insere no valor total do empréstimo obtido junto a Roberta e já quitado por ele.

    No início do mês, o ex-chefe de gabinete afirmou ter tomado um empréstimo de R$ 249 mil com a empresária e que quitou o valor.

    Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - Greg Salibian - 31.mai.10/Folhapress · Greg Salibian - 31.mai.10/Folhapress
    Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - Greg Salibian - 31.mai.10/Folhapress · Greg Salibian - 31.mai.10/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo os diálogos a que a PF teve acesso, Marcola teria ajudado a escolher as peças por meio de imagens trocadas entre eles. As joias seriam para o Dia das Mães, celebrado, em 2024, ano dos diálogos, em 12 de maio. O valor estaria em cerca de R$ 9.000.

    Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha , também alvo de apurações da PF.

    As equipes responsáveis pela apuração também identificaram diálogos entre o filho do presidente e Roberta nos quais ele a orienta a emitir notas para cobrar o pagamento de um empresário alvo de investigações. Em uma das conversas, a empresária diz a Lulinha que "nosso futuro é Suíça", ao fazer referência ao trabalho de ambos.

    Este é André Mendonça, ministro do STF
    Este é André Mendonça, ministro do STF — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As investigações também apontam uma relação mais próxima entre os dois e de reuniões que envolveram também Marcola e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde , Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.

    Procurado, Berger não se manifestou. A reportagem procurou Roberta Luchsinger para comentar o assunto, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

    Após a divulgação de reportagens sobre o caso, nesta segunda (17), a defesa de Lulinha passou a questionar a autenticidade das mensagens, diante de possível quebra da chamada cadeia de custódia dos elementos de prova. Ou seja, quando não é possível demonstrar, de maneira confiável, como e em que condições uma prova foi coletada e apresentada à Justiça.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    De acordo com as conversas encontradas pela PF, Lulinha orientou Roberta a emitir uma nota fiscal para cobrar Cleber Ribas de Oliveira, sócio de uma empresa chamada 3STRUCTURE IT.

    O relatório da PF cita que o empresário Cleber Ribas teria bancado ao menos uma viagem de Lulinha em troca de receber favores no governo.

    Ao site Metrópoles a defesa de Cleber Ribas disse que não tem como comentar "supostas mensagens extraídas de arquivos aos quais não teve acesso integral". Também disse que a relação dele com o filho do presidente é de amizade, "sem qualquer vínculo profissional".

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    As mensagens levaram os investigadores a considerar que a relação entre Lulinha e Roberta ia além da amizade e que os dois mantinham negócios em conjunto. O filho do presidente teria conhecimento da dinâmica de atuação da lobista e, além disso, coordenava algumas das agendas e participava de reuniões.

    A atuação da empresa de Cleber Ribas de Oliveira é abordada em um dos três inquéritos que envolvem Lulinha e que tiveram a abertura autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) nas últimas semanas.

    No fim de julho, o ministro André Mendonça havia dado aval para o início da investigação sobre suspeitas de tráfico de influência por parte de Lulinha em atuação junto à Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Antes, Mendonça já havia autorizado a abertura de investigação sobre suposta atuação de Lulinha junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência, na tentativa de obter aval para a comercialização de cannabis medicinal.

    Em 4 de agosto, o ministro Flávio Dino , do STF , autorizou a abertura de um terceiro inquérito contra o filho do presidente também para apurar suspeitas de tráfico de influência.

    Assim como as duas primeiras, a terceira investigação envolve a suspeita de atuação da empresária Roberta Luchsinger em favor de uma empresa junto a um órgão público, segundo pessoas a par do caso e ouvidas reservadamente pela Folha . Os processos tramitam em sigilo na corte.

    Nesta segunda, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e integrante da defesa de Lulinha, telefonou ao ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para tratar do tema. Nas conversas, ele cobrou uma ação enérgica dos órgãos sobre o que chama de vazamentos seletivos e criminosos. Ele também pretende procurar, segundo disse, ministros do STF responsáveis pelos processos.

    Para o advogado, Lula devolveu independência e autonomia às instituições, que agora precisam atuar com responsabilidade. Ele classificou como "uma esculhambação" a atuação de setores da PF e afirmou estar preocupado com esse tipo de conduta.

    Outra queixa é a falta de acesso do material, que ultrapassa 300 páginas, às equipes de defesa, mas que têm sido compartilhado, em trechos, à imprensa. Por fim, segundo a equipe, há um indiscutível fishing expedition —uma investigação especulativa para pescar qualquer elemento contra uma pessoa específica—, o que levaria à anulação de todos os processos que envolvem Lulinha.

    Marco Aurélio de Carvalho afirma que uma eleição não pode ser definida por setores da PF e não pelo voto. Ainda, que esses grupos têm instrumentalizado a corporação a serviço de interesses políticos

    No fim de julho, Lula afirmou que seu filho não terá privilégios e precisará provar sua inocência no processo. "Ele vai ter que provar que é inocente como eu provei, vai ter que provar. E se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra", disse.

    Em dezembro passado, Roberta foi alvo de buscas na Operação Sem Desconto , que investiga um esquema de débitos não autorizados em aposentadorias e pensões. Segundo a apuração, a fraude teria descontado mais de R$ 6 bilhões de beneficiários do INSS .

    No último dia 3, o ex-chefe de gabinete Marcola afirmou ter recebido pagamentos de Roberta Luchsinger referentes a um empréstimo feito com a empresária . "Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função", disse em nota.

    O ex-chefe de gabinete de Lula é um dos assessores mais próximos do petista e deixou o cargo em julho para atuar na coordenação da campanha à reeleição . Sua atribuição é cuidar da agenda do candidato em parceria com o ex-ministro Gilberto Carvalho, como ocorreu em 2022 .

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/amiga-de-lulinha-comprou-joias-para-ex-chefe-de-gabinete-de-lula-aponta-pf.shtml.

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    A empresária Roberta Luchsinger, durante entrevista - Marlene Bergamo - 25.mai.26/Folhapress · Marlene Bergamo - 25.mai.26/Folhapress — Foto: UOL

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