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    Ambientalistas questionam instalação de data center na Amazônia

    Estrutura prevista para ocupar Miramar suscita discussões sobre consumo de recursos e impactos sociais em ecossistemas sensíveis

    CNN Brasil
    11 de agosto de 2026 às 16:28
    Ambientalistas questionam instalação de data center na Amazônia
    Foto: CNN Brasil

    A área portuária de Miramar, em Belém (PA), deve receber o BEL1 , primeiro data center voltado para Inteligência Artificial da Amazônia . O projeto é da Elea Data Centers. A construção já é alvo de questionamentos sobre os possíveis impactos ambientais e sociais na região.

    Em julho deste ano, o Ministério Público do Estado do Pará instaurou um inquérito civil sobre a legalidade da instalação do empreendimento e os possíveis impactos no município de Barcarena.

    De acordo com um levantamento inicial realizado pela 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena, estruturas de data centers instaladas em outras localidades já são alvo de estudos e denúncias relacionadas a possíveis impactos sociais e ambientais .

    Vista feita de drone, desde a Ilha do Combu, com a cidade de Belém ao fundo, onde ocorreu a COP30 • Alex Ferro/COP30 · • Alex Ferro/COP30
    Vista feita de drone, desde a Ilha do Combu, com a cidade de Belém ao fundo, onde ocorreu a COP30 • Alex Ferro/COP30 · • Alex Ferro/COP30 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Entre os pontos levantados estão o aumento da temperatura no entorno das instalações, com possibilidade de formação de “ ilhas de calor” , além do elevado consumo de água utilizado em determinados sistemas de refrigeração. Também estão entre as preocupações a alta demanda por energia e os possíveis impactos sobre a qualidade de vida das comunidades que vivem no entorno.

    Segundo informações divulgadas pela Elea Data Centers, o início da operação do BEL1 está previsto para o segundo trimestre de 2027. A primeira fase terá capacidade de 7,5 megawatts (MW), com possibilidade de expansão para até 100 MW nas etapas seguintes.

    A Elea será responsável pela operação do data center, enquanto a Axia ficará encarregada do fornecimento da energia para o projeto -- que, segundo a empresa, será 100% renovável.

    A incerteza regulatória em IA afeta fusões e aquisições em data centers
    A incerteza regulatória em IA afeta fusões e aquisições em data centers — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Um data center de IA é uma instalação física projetada para abrigar milhares de equipamentos de alto desempenho, como GPUs e outros chips especializados. Essas estruturas são utilizadas para treinar, executar e atualizar modelos avançados de Inteligência Artificial. Na prática, os data centers processam grandes volumes de dados e fornecem a capacidade computacional necessária para o funcionamento de ferramentas de IA.

    A instalação de um data center na Amazônia levanta preocupações específicas por causa das características ambientais da região. Entre os principais pontos de atenção estão o consumo de água, a demanda energética, o aumento da temperatura local e os possíveis impactos sobre as comunidades do entorno.

    O analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, explica que os data centers de IA são empreendimentos intensivos em infraestrutura, que demandam muita energia, geram grandes volumes de calor e podem produzir impactos relacionados ao uso de água. “Na Amazônia, essa avaliação precisa ser ainda mais cuidadosa. Não basta analisar apenas o terreno ocupado pelo empreendimento. É necessário considerar os efeitos sobre os ecossistemas e sobre as populações que vivem no entorno, inclusive os impactos acumulados com outras atividades já existentes”, afirmou.

    Americanos veem com cautela boom de data centers para IA, diz pesquisa
    Americanos veem com cautela boom de data centers para IA, diz pesquisa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O uso de água é uma das questões frequentemente associadas à operação de grandes data centers, principalmente em sistemas de refrigeração que utilizam processos evaporativos.

    Em áreas com disponibilidade hídrica limitada, esse consumo pode gerar uma competição adicional pelo recurso, inclusive com o abastecimento da população e outras atividades econômicas. No caso do BEL1, entretanto, há uma diferença importante. A Elea informa que o empreendimento utilizará refrigeração por expansão direta, conhecida como sistema DX, em circuito fechado e sem torres evaporativas. Segundo a empresa, portanto, não haverá consumo de água no processo de resfriamento.

    Outro ponto de atenção é a quantidade de energia necessária para manter a infraestrutura em funcionamento. Segundo Côrtes, trata-se de uma demanda elevada, concentrada e contínua. Por isso, não basta verificar se existe energia disponível na região. É necessário avaliar se a infraestrutura elétrica local está preparada para receber uma carga desse porte sem comprometer a confiabilidade do sistema.

    Scala elogia Redata, mas critica exigência de energia nova para data center
    Scala elogia Redata, mas critica exigência de energia nova para data center — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “A demanda é elevada, concentrada e contínua. Por isso, não basta saber se existe energia disponível na região, mas é preciso avaliar se a infraestrutura elétrica regional está preparada para receber uma carga desse porte sem comprometer a confiabilidade do sistema”, afirma.

    A geração de calor também é um aspecto que precisa ser considerado. Grandes edificações, áreas pavimentadas e eventual redução da cobertura vegetal podem modificar o balanço térmico da região. Isso, porém, não significa que necessariamente haverá uma “ilha de calor” significativa no entorno do projeto.

    Segundo o especialista, o ideal seria estabelecer uma linha de base da temperatura antes da instalação e continuar acompanhando o microclima durante a operação. Dessa forma, seria possível verificar objetivamente se o empreendimento está alterando as condições térmicas do entorno.

    • Google/Maps
    • Google/Maps — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para Côrtes, um empreendimento dessa dimensão precisa ser analisado como um sistema, e não apenas como um prédio que abriga computadores. É necessário avaliar a demanda por energia e a capacidade da rede elétrica, além de acompanhar a dissipação de calor e seus possíveis efeitos sobre o microclima. Também devem ser considerados aspectos como ruído, vibrações, impermeabilização e drenagem do solo.

    A análise deve incluir ainda os impactos acumulados sobre os ecossistemas e as comunidades próximas. Dessa forma, a avaliação dos possíveis impactos do BEL1 deve considerar não apenas a estrutura física do data center, mas também a infraestrutura necessária para sua operação e os efeitos que podem se estender para além dos limites do empreendimento.

    • Google/Maps
    • Google/Maps — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    A incerteza regulatória em IA afeta fusões e aquisições em data centers
    A incerteza regulatória em IA afeta fusões e aquisições em data centers — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Americanos veem com cautela boom de data centers para IA, diz pesquisa
    Americanos veem com cautela boom de data centers para IA, diz pesquisa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Scala elogia Redata, mas critica exigência de energia nova para data center
    Scala elogia Redata, mas critica exigência de energia nova para data center — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Subestação de Miramar, Belém, do Pará
    Subestação de Miramar, Belém, do Pará — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/inteligencia-artificial/ambientalistas-questionam-instalacao-de-data-center-na-amazonia/.

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