Amazon no Brasil atinge 100 mil vendedores e amplia aposta logística, afirma CEO
Após anunciar em meados deste ano parcerias com grandes varejistas, como Magazine Luiza e Carrefour, a Amazon alcança 100 mil vendedores parceiros cadastrados no marketplace, 300 centros de distribuição e um total de 150 milhões de produtos colocados à venda na plataforma em 50 categorias diferentes, diz Juliana Sztrajtman, CEO da operação no Brasil.

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São Paulo Após anunciar em meados deste ano parcerias com grandes varejistas, como Magazine Luiza e Carrefour, a Amazon alcança 100 mil vendedores parceiros cadastrados no marketplace, 300 centros de distribuição e um total de 150 milhões de produtos colocados à venda na plataforma em 50 categorias diferentes, diz Juliana Sztrajtman, CEO da operação no Brasil.

Os parceiros, segundo a executiva, são "o coração da operação", sem os quais seria inviável atingir o mix atual de produtos.
Em conversa com o C-Level Entrevista , a executiva diz que a expectativa é manter nos próximos anos o ritmo de investimentos feitos no Brasil, cujo volume foi de R$ 19 bilhões em 2025.
Segundo ela, o Brasil é hoje o país que, provavelmente, mais pode trazer novos clientes à Amazon pelo tamanho e pelo alto engajamento do consumidor em compras online. Esse foco no país, diz ela, se traduz em um total de R$ 75 bilhões investidos na operação brasileira nos últimos 15 anos.
"A gente tem uma forma de falar na Amazon que é ‘ainda é dia 1’", diz a executiva ao citar um estudo do Bradesco BBI, segundo o qual apenas 17% do varejo brasileiro se dá de maneira online, enquanto em países onde o e-commerce está mais maduro esse número passa de 40% .
"É só o início de uma história com potencial enorme", diz ela.
O ritmo de investimento deve se manter nos próximos anos, diz Sztrajtman, embora as características da aplicação possam mudar de cara. Nesse momento, a empresa está bastante concentrada na expansão da área logística.
A Amazon, diz Sztrajtman, não só abriga o estoque de clientes que vão do microempreendedor individual ao grande varejista como assume toda a parte logística e o pós-venda, em contratos cujos detalhes não são divulgados. Atualmente, são dois centros logísticos inaugurados por semana.
‘Entregamos em todos os CEPs, todas as residências do Brasil", diz.
Outro ponto importante, afirma, é o investimento em contratações. São 55 mil colaboradores direta ou indiretamente trabalhando na empresa, um crescimento de 50% em apenas um ano.
A Amazon divide os seus negócios entre mercados consolidados e mercados emergentes. Esses últimos englobam países onde a operação foi iniciada há menos tempo, como Brasil, Índia , México , Austrália , Singapura e África do Sul .
Sztrajtman não revela se o Brasil é o segundo maior mercado emergente atrás da Índia, mas ressalta o nível da operação e o potencial do país em que a empresa aprendeu a operar.
Segundo ela, o cliente brasileiro quer receber o produto cada vez mais rápido e, se há cinco anos, dois ou três dias eram sinônimo de alta velocidade, hoje a aposta é a entrega em 15 minutos por meio de uma parceria com a Rappi, algo feito em oito capitais .
A busca, agora, é por uma diversidade cada vez maior de produtos, diz. A plataforma começou vendendo livros em 2014 e expandiu para outras categorias em 2019, com uma grande procura por eletrônicos.
Nos últimos anos, registra busca crescente por produtos de uso diário, de higiene pessoal, limpeza e alimentação —segmento em que a concorrência entre as plataformas só aumenta . Em agosto, por exemplo, a Shopee estreou no mercado de alimentos frescos, com entrega em até quatro horas.
Cosméticos é outro segmento concorrido. "Para se ter uma ideia, a gente aumentou o número de produtos que oferecia nessa categoria no último ano em 50%."
A plataforma conta também com 50 milhões de artigos trazidos de fora . Nesse contexto, a Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia ), que tem a Amazon entre as associadas, comemorou a aprovação do fim da taxa das blusinhas.
A gigante de tecnologia disputa o comércio eletrônico brasileiro em um cenário singular. Por aqui, a concorrência inclui varejistas locais, plataformas asiáticas e a argentina Mercado Livre , líder do setor.
Na avaliação da executiva, os estabelecimentos asiáticos trouxeram uma abundância de produtos e se fixaram na vida do consumidor. "De alguma forma, elas contribuem para que o mercado se desenvolva", diz.
A executiva diz que o alto endividamento das famílias pode afetar a demanda por determinados produtos, mas os artigos de rotina, com um tíquete médio menor, seguem procurados. Além disso, ressalta que a parceria firmada no fim do ano passado com o Nubank , para oferta de crédito, é importante para a empresa também em momentos como esse e está totalmente integrada à operação.
Quanto à reforma tributária, Sztrajtman diz que a empresa está em fase de adaptação dos sistemas internos, com atenção especial a aspectos relacionados à segurança da informação. "Acredito que vai simplificar a forma de operar, o que é sempre bom", diz. "É uma das coisas que fazem a gente ser bastante otimista sobre o Brasil."
Segue na mesma toada com relação a possíveis mudanças na jornada de trabalho. "É outro ponto que a gente está acompanhando de muito próximo. Diante de qualquer mudança, a gente rapidamente estará adaptado."
Com inteligência artificial presente, segundo ela, em 100% da cadeia, a executiva destaca o uso da ferramenta seja para auxiliar vendedores parceiros a cadastrar seus produtos mais rapidamente, seja para definir qual é a melhor embalagem para determinado produto.
Para Sztrajtman, o modelo tradicional —um marketplace que ofereça a maior quantidade de produtos a preços que as pessoas podem pagar e entrega rápida—não vai mudar.
"Essa frase, falada pelo Jeff Bezos [fundador da Amazon], deve ter mais de dez anos: o consumidor quer encontrar o que está procurando, num bom preço e receber rápido", diz ela. "Acho que muda um pouco talvez a forma de comprar, mas o processo final, que é o que a gente tem que trabalhar todos os dias para fazer, não vai mudar".
Diferentemente dos Estados Unidos , no Brasil as políticas para ampliação da diversidade no ambiente de trabalho seguem sendo implementadas. "Se eu quero atender bem o cliente brasileiro, tenho que ter um quadro de funcionários que represente essa população. É simples assim", diz.
Segundo Sztrajtman, a liderança da Amazon hoje é majoritariamente feminina. "É um trabalho intencional, porque a diversidade, na verdade, se a gente sentar e esperar, não vai acontecer."
A executiva diz ter orgulho de ter se tornado a primeira mulher a liderar a operação da Amazon no Brasil e que é uma responsabilidade mostrar a outras mulheres que isso é possível.
"É um peso, mas é um peso que eu gosto de carregar."
Fundação : 1995, por Jeff Bezos Sede : Seattle, Washington, EUA Presença : 26 países Atuação no Brasil : Chegou ao país em 2011, com a AWS; Kindle em 2012; livros físicos em 2014; marketplace em 2017 e Amazon Prime em 2019 Presença : 100% dos municípios brasileiros Centros logísticos : mais de 300 Receita líquida : US$ 200,6 bilhões (R$ 1 trilhão) no 2º tri de 2026, com destaque para o segmento internacional, que avançou 15% e atingiu US$ 42,2 bilhões (R$ 211 bilhões) em vendas Lucro líquido : US$ 62,6 bilhões (R$ 313 bilhões) no 2º tri de 2026 Funcionários : mais de 1,5 milhão no mundo Parceiros estratégicos e logísticos : Grupo Casas Bahia , Magazine Luiza, Carrefour, Nubank (NuPay), Favela Llog, To Do Green, Jadlog, Azul Linhas Aéreas e LATAM Cargo
Entre junho e agosto, importação de pequenas encomendas atingiu R$ 8,2 bi, contra R$ 4,89 bi no mesmo período do ano passado
Zumbidos o dia inteiro e embalagens caindo do céu acabam com a paz de quem mora em subúrbio no Texas
Empresa afirma remover conteúdo que viole suas diretrizes, seja gerado por IA ou não
Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://c-level.folha.uol.com.br/c-level-entrevista/2026/09/amazon-no-brasil-atinge-100-mil-vendedores-e-amplia-aposta-logistica-afirma-ceo.shtml.

A CEO da Amazon no Brasil, Juliana Sztrajtman, no C-Level Entrevista, na Redação da Folha, em São Paulo - Folhapress · Folhapress — Foto: UOL
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