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    "Amassar pãozinho" significa mais do que afeto entre gatos e seus tutores

    Comportamento começa na amamentação e pode durar até a vida adulta — uma prática de origem instintiva

    Metrópoles
    20 de setembro de 2026 às 05:00
    "Amassar pãozinho" significa mais do que afeto entre gatos e seus tutores
    Foto: Metrópoles

    Quem convive com gatos provavelmente já viu a cena em que o animal se acomoda sobre uma manta, almofada ou no próprio colo e começa a pressioná-la alternadamente com as patas dianteiras. Conhecido popularmente como “amassar pãozinho”, o movimento é comum entre os felinos e tem origem nos primeiros momentos de vida.

    O comportamento aparece durante a amamentação, quando os filhotes pressionam alternadamente as patas sobre a região mamária da mãe. Segundo a bióloga, comunicadora telepática animal e terapeuta integrativa Daniela Gil, trata-se de um comportamento que possui uma origem instintiva, mas que não permanece necessariamente com a mesma função ao longo da vida.

    “Um comportamento que surgiu num contexto de alimentação, calor, proximidade física e proteção para o animal, pode continuar sendo manifestado em situações que, para o tutor, representam conforto e segurança”, explica. Em alguns gatos , a referência à experiência materna se revela de maneira muito presente. Já em outros, o comportamento pode estar mais relacionado à segurança que o animal sente pela pessoa.

    Magnific
    Magnific — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O veterinário Igor Zimovski, diretor da Clínica Veterinária do Centro Universitário UNICEPLAC, destaca que existe um componente inato, mas a experiência e o aprendizado ao longo da vida também podem influenciar a frequência e o contexto em que o gato realiza o movimento.

    Não há uma idade determinada para o “amassar pãozinho” desaparecer. Muitos gatos mantêm o comportamento durante toda a vida , enquanto outros o fazem apenas ocasionalmente ou praticamente nunca.

    A diferença entre os animais não significa, necessariamente, que exista algo errado. Personalidade, experiências individuais e o ambiente podem influenciar a frequência do comportamento.

    Idoso com gato no colo
    Idoso com gato no colo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Por isso, também não é correto concluir que um gato que realiza o movimento com frequência teve uma relação melhor com a mãe. Daniela alerta que a frequência não deve ser usada como indicador de desmame precoce nem da qualidade da experiência materna.

    Quando o movimento acontece no colo do tutor, é comum interpretá-lo como uma demonstração de carinho. Embora possa ocorrer durante interações positivas, os especialistas recomendam cautela com essa leitura.

    “Eu evitaria a tradução simplista de que “amassar pãozinho” significa que ele está dizendo que ama você. Pode haver afeto e vínculo, evidentemente, mas o comportamento animal é muito mais rico do que uma legenda”, diz Daniela. Para Igor, quando o gato está relaxado, ronronando e apresenta postura corporal tranquila, o comportamento provavelmente está relacionado a conforto e segurança. Ainda assim, o significado depende do contexto.

    “Não existe uma única explicação. O mais correto cientificamente é dizer que ele está associado, em determinados contextos, a estados de conforto, segurança e interação social positiva”, afirma. Nem sempre é sinal de felicidade Apesar de ser frequentemente observado em momentos de relaxamento, o comportamento não deve ser interpretado isoladamente. O gato pode apresentar os movimentos associados ao conforto também diante de situações de tensão ou estresse.

    Por isso, é importante observar a linguagem corporal. Pupilas muito dilatadas, orelhas para trás, corpo tenso, tentativa de fuga ou vocalizações diferentes podem indicar desconforto.

    A frequência, por si só, também não é suficiente para indicar ansiedade ou algum transtorno. A preocupação surge quando o comportamento se torna excessivamente repetitivo, difícil de interromper ou interfere na alimentação, no sono, na interação social ou na exploração do ambiente.

    Nesses casos, é importante procurar um veterinário para investigar possíveis causas médicas, como dor, doenças dermatológicas ou alterações neurológicas.

    Se o gato usa as garras durante o movimento e acaba arranhando o tutor, a recomendação é não puni-lo . Gritar, empurrar ou borrifar água pode gerar medo e prejudicar a relação com o animal.

    Uma alternativa simples é colocar uma manta ou almofada mais espessa entre as patas e a pele. Também é possível oferecer um tecido que o gato goste de amassar e manter as unhas aparadas adequadamente.

    “Não precisamos eliminar um comportamento normal para evitar o desconforto, podemos modificar o contexto e oferecer uma alternativa adequada”, orienta Igor. Assim, o “amassar pãozinho” pode ser entendido como um comportamento que começa no repertório neonatal, mas ganha diferentes funções e contextos ao longo da vida. Mais do que buscar uma tradução única para o gesto, especialistas recomendam observar o animal como um indivíduo, levando em conta seu ambiente, sua rotina e as mudanças em seu comportamento.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/ciencia/amassar-paozinho-significa-mais-do-que-afeto-entre-gatos-e-seus-tutores.

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