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    Amamentação faz bem ao coração da mãe, mostra estudo internacional

    Estudos já associaram a amamentação a redução do risco materno de câncer de mama e de ovário e também de desenvolver diabetes tipo 2 . Agora uma nova pesquisa mostra que a prática é uma aliada contra cardiopatias e distúrbios metabólicos . Leia mais (08/23/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    23 de agosto de 2026 às 07:00
    Amamentação faz bem ao coração da mãe, mostra estudo internacional
    Mulher de cabelos cacheados e óculos sentada em poltrona próxima a janela, amamenta criança pequena deitada em seu colo. Abajur aceso ilumina suavemente o ambiente, com quadro decorativo na parede ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Estudos já associaram a amamentação a redução do risco materno de câncer de mama e de ovário e também de desenvolver diabetes tipo 2 . Agora uma nova pesquisa mostra que a prática é uma aliada contra cardiopatias e distúrbios metabólicos .

    A advogada Daniela Carlucci Palazzo, 36, amamenta sua filha em seu apartamento, em São Paulo - Fraga Alves/Folhapress · Fraga Alves/Folhapress
    A advogada Daniela Carlucci Palazzo, 36, amamenta sua filha em seu apartamento, em São Paulo - Fraga Alves/Folhapress · Fraga Alves/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Após uma revisão que considerou oito estudos feitos entre 1986 e 2009 e envolveu mais de 1 milhão de mulheres no mundo, especialistas austríacos e britânicos concluíram que amamentar protege o coração da mãe .

    O trabalho internacional foi publicado neste mês na Journal of the American Heart Association e reforça ainda a hipótese de que a lactação pode reprogramar o metabolismo materno, corrigindo diversos distúrbios metabólicos, como diabetes ou hiperlipidemia (excesso de gordura no sangue), problemas também associados a um risco cardiovascular elevado.

    "A amamentação está associada a uma espécie de 'reset metabólico' pós-gestacional. O benefício é particularmente relevante após uma gestação complicada por diabetes gestacional , hipertensão ou pré-eclâmpsia ", comenta o cardiologista Carlos Japhet, presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia).

    Amamentar traz benefícios para o coração da mãe, aponta estudo
    Amamentar traz benefícios para o coração da mãe, aponta estudo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No Brasil, um estudo multicêntrico do Registro Brasileiro de Cardiopatia e Gravidez (Rebecga) , publicado na revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia e divulgado pela SBC, destaca que "o coração é a principal causa indireta (não obstétrica) de morte materna no país, estando associada de 15% a 20% dos óbitos".

    "A proteção começa logo após o parto e é mais intensa metabolicamente nos primeiros meses. Mas quanto mais tempo a mulher consegue amamentar, maior tende a ser o benefício cardiovascular acumulado", diz Japhet.

    A pesquisa internacional indicou que o risco de doença cardiovascular materno é reduzido em mulheres que já deram à luz e amamentaram em comparação àquelas que deram à luz, mas nunca amamentaram.

    Famosas que amamentaram seus bebês
    Famosas que amamentaram seus bebês — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O quadro inclui reduções médias de 11% nas chances de desenvolver doença cardiovascular (DCV); 14% em doença cardíaca coronariana (DCC); 12% acidente vascular cerebral (AVC) e 17% em DCV fatal. Também foi encontrada relação entre a lactação e a presença menor de aterosclerose subclínica.

    Quem amamentou por pelo menos três meses apresentou risco significativamente menor de calcificação aórtica e calcificação coronariana. Os autores afirmam que após os seis meses de vida, bebês já começam a ingerir outros alimentos complementares, reduzindo a produção de leite da mãe e justificando "a relevância particularmente alta" dos períodos iniciais de amamentação.

    Em mulheres com mais de um parto, cada seis meses adicionais de amamentação por filho foram associados a uma diminuição do risco de 4% para doença coronariana e 3% (2%–4%) para acidente vascular cerebral.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os hormônios têm um papel importante, com destaque para a prolactina e a ocitocina , ambas ligados à produção de leite materno.

    A ocitocina esteve ligada à redução da pressão arterial, vasodilatação, ações antidiabéticas e antioxidantes. Amamentar trouxe ainda inibição da inflamação do corpo e redução da massa adiposa, podendo provocar perda de peso mais rápida após o parto —sobrepeso e obesidade são fatores de risco para eventos cardiovasculares

    Segundo Japhet, embora amamentar não garanta redução de medidas, pode favorecer menor acúmulo de gordura. "Nos primeiros 3–6 meses, a produção de leite aumenta o gasto energético materno em aproximadamente 400–500 kcal/dia", reforça o cardiologista.

    O leite materno ajuda o organismo da mãe a controlar o colesterol, regular o açúcar no sangue e aliviar a sobrecarga cardíaca —a pressão arterial cai, permitindo que o coração trabalhe com menos esforço e mais eficiência.

    A mastologista Mayka Volpato dos Santos, responsável pelo Departamento de Aleitamento Materno da SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia), reforça que quanto maior o tempo amamentando, maior o benefício.

    "A cada 12 meses de amamentação, o risco de câncer de mama é reduzido em 4%", diz Santos. Para o recém-nascido, há redução de infecções como otite e pneumonia, bem como do risco de ter alergias.

    "Também ajuda no desenvolvimento cognitivo do bebê e na redução de doenças metabólicas, sobrepeso e imunológicas a longo prazo", aponta a médica.

    A advogada Daniela Carlucci Palazzo, 36, teve risco de pré-eclâmpsia e acompanhou a pressão ao longo da gestação. Ela amamenta há 9 meses. Ainda está tomando alguns remédios para pressão e deve voltar ao cardiologista em breve para reavaliação.

    "Não perdi peso na amamentação, não sei dizer se ajudou meu coração, mas é a melhor sensação do mundo. Dá uma paz. Não tem nada mais importante no mundo que eu deveria estar fazendo", diz Palazzo.

    A analista de segurança da informação Patrícia Diniz, 38, tem quatro filhos. Ela também lidou com quadro de hipertensão e pré-eclampsia na gestação da caçula.

    Após o tratamento durante a gravidez, que incluiu remédio em baixa dosagem, prática de exercício e dieta balanceada, e o parto, a analista perdeu 12 kg e considera que a amamentação ajudou de alguma forma.

    "Durante a amamentação, me sinto bem relaxada, tranquila, acho muito prático e gosto bastante", conta Diniz. Para ela, que já recorreu a fórmulas em outros puerpérios, o peito facilita o processo e o descanso de mãe e filha, pois não precisa ser preparado ou esperar esfriar, e a criança já se alimenta e se aconchega para dormir ao mesmo tempo.

    "A amamentação nos obriga a parar um pouco, sair da correria do dia a dia para dedicar aquele momento para nutrir o bebê", analisa Diniz.

    "Amamentação saudável não deve significar mãe exausta. Privação de sono , estresse crônico e sobrecarga materna podem atenuar parte dos benefícios cardiometabólicos associados à amamentação", afirma Japhet.

    Dormir pouco e de forma fragmentada, aumenta a ativação simpática e o cortisol, favorecendo elevação da pressão arterial e a resistência à insulina, provocando maior apetite, dificuldade de perda de peso e pior recuperação cardiovascular.

    Se a privação de sono é intensa e persistente, podem surgir "palpitações, hipertensão, ansiedade importante, cefaleia, dispneia ou outros sintomas". A recomendação é buscar ajuda médica.

    "O puerpério traz um paradoxo: a lactação é metabolicamente favorável, mas a exaustão persistente pode caminhar na direção oposta. Não podemos falar dos benefícios da amamentação para o coração sem falar da saúde de quem amamenta", afirma o cardiologista.

    Santos ressalta que familiares e parceiros devem cuidar de tarefas da casa, como limpeza, preparo de alimentos e compras, permitindo à mãe descansar nos intervalos das mamadas e ter equilíbrio na rotina.

    "A rede de apoio é fundamental para que a mãe consiga fazer uma amamentação um pouco mais prolongada, para que essa mulher tenha bastante leite. A tranquilidade ajuda", diz a médica.

    A amamentação é recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) de forma exclusiva até seis meses de vida, com indicação de se estender pelo menos até os 2 anos de idade.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/amamentacao-faz-bem-ao-coracao-da-mae-mostra-estudo-internacional.shtml.

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