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    Altas habilidades desafiam famílias e escolas em busca de diagnóstico precoce

    Kevin Schivo Paulo sempre foi diferente. Desde bebê, ficava alerta com tudo o que acontecia ao redor. Aos dois anos, assim que começou a falar, o menino já conseguia soletrar o alfabeto. Aos sete anos, após vários testes e muitos questionamentos dos pais na escola, houve o diagnóstico de que ele tem altas habilidades. Leia mais (08/13/2026 - 13h36)

    Folha de S.Paulo
    13 de agosto de 2026 às 16:36
    Altas habilidades desafiam famílias e escolas em busca de diagnóstico precoce
    Mulher jovem com roupa lilás segura microfone e sorri em palco decorado com flores brancas e azuis. Ao fundo, homem aplaude e há livros empilhados sobre mesas. — Foto: Folha de S.Paulo

    A mãe Cristiane Gercina aborda descobertas do início da maternidade e desafios da adolescência

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    Malu Lira, conhecida como Malu Finanças, em uma palestra sobre educação financeira em escola pública do Amazonas, em 2022; ela escreveu o primeiro livro aos 11 anos - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal
    Malu Lira, conhecida como Malu Finanças, em uma palestra sobre educação financeira em escola pública do Amazonas, em 2022; ela escreveu o primeiro livro aos 11 anos - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Kevin Schivo Paulo sempre foi diferente. Desde bebê, ficava alerta com tudo o que acontecia ao redor. Aos dois anos, assim que começou a falar, o menino já conseguia soletrar o alfabeto. Aos sete anos, após vários testes e muitos questionamentos dos pais na escola, houve o diagnóstico de que ele tem altas habilidades.

    Kevin tem um QI (quociente de inteligência) de 138, índice alcançado apenas por cerca de 0,6% da população, ou seis em cada 1.000 pessoas (aproximadamente 1 em cada 167 pessoas), o que significa que poucas pessoas possuem uma inteligência como a dele.

    Segundo o Censo Escolar de 2025, cerca de 56 mil estudantes brasileiros foram formalmente identificados com altas habilidades ou superdotação. Entidades que atuam na área, porém, afirmam que o número está longe de refletir a realidade, já que muitos alunos nunca são reconhecidos pelo sistema educacional.

    Estudantes superdotados ganham política própria para garantir apoio na educação
    Estudantes superdotados ganham política própria para garantir apoio na educação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Para ele, é muito mais difícil fazer amizades. É mais reservado e os interesses dele são muito diferentes dos amigos. Ele ama o espaço, buraco negro e as pessoas ao redor não conseguem acompanhar", diz Gisele Velloso Schivo Paulo, mãe de Kevin.

    As altas habilidades ou superdotação são uma condição reconhecida pela educação especial que identifica estudantes com desempenho significativamente acima da média em áreas como raciocínio lógico, linguagem, matemática, artes, música, criatividade, liderança ou outras aptidões específicas.

    Lei federal que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou em junho deste ano estabelece diretrizes para reconhecimento, acompanhamento e desenvolvimento de estudantes com altas habilidades ou superdotação em todo o país.

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    Entre as medidas previstas estão a criação de um cadastro nacional, a oferta de atendimento educacional especializado e a possibilidade de flexibilização da trajetória escolar.

    A condição traz uma série de desafios, principalmente aos pais e às famílias. Entre eles, estão o hiperfoco, o senso de justiça muito aguçado, o perfeccionismo e a extrema dificuldade de relacionamento da criança com altas habilidades.

    Para Gustavo Gattino, doutor em saúde da criança e do adolescente pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e pesquisador nas áreas de desenvolvimento humano, saúde mental e neurodivergência, a escola exerce papel fundamental no processo de identificação precoce das características das altas habilidades.

    "É importante que professores, psicólogos, psicopedagogos e neuropsicopedagogos compreendam que a superdotação aparece associada a desafios, como a intensidade emocional e a alta sensibilidade. É justamente na combinação desses elementos que a escola precisa estar atenta para encaminhar o estudante para uma avaliação formal", diz.

    Vania Lira, mãe da escritora Malu Lira, diz que a filha foi diagnosticada com altas habilidades aos 11 anos. A menina tem QI de 133 e está associada ao Mensa (associação de superdotados). Aos 16 anos, ela tem hiperfoco em finanças e já escreveu 20 livros.

    "Em relação à leitura e escrita, quando começa a escrever eu preciso estar sempre atenta, porque ela não para. Se não chamo, ela não sai do computador, não para até terminar o livro", diz a mãe.

    A jovem escreveu o primeiro livro aos 11 anos. A obra "Finanças para Crianças Além da Mesada" foi o primeiro de uma série de livros que apresenta conceitos financeiros para crianças.

    "Entendi que dinheiro era algo importante e que as crianças tinham o direito de saber dessa dinâmica de maneira lúdica. Eu queria democratizar o acesso ao conhecimento porque os livros chegavam onde a internet ainda não conseguia acessar", afirma a escritora.

    Malu faz acompanhamento psicológico, que a ajuda a lidar com o relacionamento com os amigos na escola e as diferenças de interesses.

    Gattino explica que a identificação da condição permite exatamente essa compreensão personalizada do indivíduo para uma melhor capacidade de lidar com o entorno.

    "Muitas vezes, a pessoa sente-se isolada. Ela não pertence a nenhum grupo, porque sua forma de pensar, sentir e agir é muito diferente da maioria das pessoas. Isso faz com que não desenvolva um sentimento de empoderamento em relação às próprias capacidades, justamente porque não compreende o que acontece consigo."

    Colaborou Paula Cabrera (jornalista, mãe da Isabela, oito anos)

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/maternar/2026/08/altas-habilidades-desafiam-familias-e-escolas-em-busca-de-diagnostico-precoce.shtml.

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    Malu Lira, conhecida como Malu Finanças, em uma palestra sobre educação financeira em escola pública do Amazonas, em 2022; ela escreveu o primeiro livro aos 11 anos - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo

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