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    Alta do PIB acima de 2% se torna mais difícil em 2026, dizem economistas

    Economistas afirmam que a possibilidade de o PIB (Produto Interno Bruto) crescer acima de 2% no Brasil em 2026, como preveem o Ministério da Fazenda e o FMI (Fundo Monetário Internacional), ficou mais difícil e parece menos provável no momento.

    UOL
    15 de agosto de 2026 às 03:00
    Alta do PIB acima de 2% se torna mais difícil em 2026, dizem economistas
    Rua movimentada com várias pessoas caminhando entre lojas e barracas. Placa amarela em destaque anuncia compra de ouro, prata e joias quebradas. — Foto: UOL

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    Economistas afirmam que a possibilidade de o PIB (Produto Interno Bruto) crescer acima de 2% no Brasil em 2026, como preveem o Ministério da Fazenda e o FMI (Fundo Monetário Internacional), ficou mais difícil e parece menos provável no momento.

    Movimentação de pedestres em área de comércio em Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense - Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress · Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress
    Movimentação de pedestres em área de comércio em Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense - Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress · Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A avaliação ocorre após a divulgação dos resultados mais recentes de varejo , serviços e indústria . Para os analistas, parte das atividades que compõem esses setores mostrou novos sinais de perda de ritmo sob impacto dos juros altos para conter a inflação .

    O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) disse nesta quinta-feira (13) que o volume de vendas do varejo cresceu 0,5% em junho frente ao mês anterior, após leve variação positiva em maio (0,3%) e queda de mais de 1% em abril (-1,5%).

    Já o varejo ampliado, que inclui atividades de veículos, material de construção e atacado de produtos alimentícios, teve baixa de 1% em junho. Foi o quarto mês consecutivo de taxas negativas.

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    Ainda de acordo com o IBGE, o setor de serviços ficou estável em junho (0%) , após ter registrado leve recuo em maio (-0,2%), enquanto a produção industrial caiu 1,8% no sexto mês do ano . As fábricas tiveram o segundo resultado negativo em sequência.

    O IBGE divulgou os dados de serviços na quarta-feira (12) e da indústria na primeira semana de agosto.

    "Os juros começam a ter o seu efeito esperado. Era natural que a economia começasse a desacelerar com mais intensidade. Isso reforça a ideia de que PIB acima de 2% este ano está ficando cada vez mais difícil", afirma o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ele prevê alta de 1,7% para o indicador em 2026. "Para um crescimento acima de 2%, precisaríamos ver uma aceleração da economia ao longo do ano. Não é o cenário que a gente está vendo no segundo trimestre e definitivamente não é o mais provável até o final do ano", acrescenta.

    Na mediana, as projeções do mercado financeiro indicam expansão de 1,98% para o PIB em 2026, conforme o boletim Focus mais recente , divulgado na segunda (10) pelo BC (Banco Central). A estimativa teve leve recuo frente à semana anterior (1,99%).

    Em 2025, o PIB cresceu 2,3% . É a mesma taxa prevista pelo Ministério da Fazenda para o indicador em 2026. A projeção de 2,3% foi mantida pela pasta em julho . O FMI, por sua vez, passou a projetar no mês passado expansão de 2,4% para o Brasil neste ano.

    Na avaliação do economista André Valério, do banco Inter, é "pouco provável" que o crescimento se sustente acima de 2% em 2026. O Inter prevê alta de 1,8% para o ano e de 0,5% para o segundo trimestre em relação ao primeiro.

    Nos três meses iniciais de 2026, a economia cresceu 1,1% com auxílio da safra . O PIB do segundo trimestre será divulgado pelo IBGE em 1º de setembro.

    "A gente vê sinais cada vez mais claros de perda de dinamismo [da atividade econômica], mesmo com todas as medidas que o governo implementou ao longo deste ano de incentivo fiscal", diz Valério.

    Caso as projeções dos analistas se confirmem, 2026 será o primeiro ano com variação do PIB inferior a 2% desde 2020, quando a economia amargou queda de 3,3% sob efeito da pandemia.

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    O economista Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, avalia que a desaceleração da economia ficou mais "homogênea" nos últimos meses, ao aparecer em diferentes atividades.

    O movimento, diz, é esperado devido ao aperto dos juros e ao efeito da base de comparação elevada dos últimos anos.

    Por ora, a Buysidebrazil tem uma previsão de alta de 1,9% para o PIB de 2026 e de variação positiva de 0,1% para o segundo trimestre frente ao primeiro, conforme Sartori.

    "É natural que a gente veja uma desaceleração. É saudável que isso aconteça, porque, se a economia continuasse crescendo no mesmo ritmo em que estava, provavelmente a gente teria [mais] inflação."

    No início de agosto, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros para 14% ao ano , com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez seguida.

    O colegiado do BC, porém, disse que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para frear a economia.

    Ao comentar os dados do varejo divulgados pelo IBGE, o economista Alexandre Maluf, da XP, afirmou em relatório que o consumo das famílias perdeu fôlego no segundo trimestre, após um primeiro trimestre "forte".

    Isso, conforme Maluf, é "consistente" com a visão de desaceleração gradual da demanda doméstica ao longo de 2026.

    O economista disse que a renda segue em trajetória de alta e que as medidas de estímulos do governo devem continuar sustentando o consumo no curto prazo, mas há um contraste com a política de juros e o endividamento das famílias , que pesam sobre atividades sensíveis ao crédito.

    A XP espera que o PIB cresça 2% em 2026 e 1% em 2027.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/alta-do-pib-acima-de-2-se-torna-mais-dificil-em-2026-dizem-economistas.shtml.

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    Movimentação de pedestres em área de comércio em Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense - Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress · Tércio Teixeira - 10.jul.26/Folhapress — Foto: UOL

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