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    Alta do petróleo impulsiona venda de carros elétricos no mundo

    As vendas de carros elétricos devem atingir níveis recordes neste ano, com 29% de todos os carros novos comprados no mundo previstos para serem modelos totalmente movidos a bateria ou híbridos plug-in, segundo um relatório recente da IEA (Agência Internacional de Energia). O percentual representa um forte aumento em relação aos apenas 4% registrados em 2020.

    UOL
    29 de agosto de 2026 às 10:00
    Alta do petróleo impulsiona venda de carros elétricos no mundo
    Vários SUVs brancos alinhados em fila dentro de uma fábrica, passando por um túnel iluminado com arcos de luz branca. Ambiente industrial com estrutura metálica e teto alto. — Foto: UOL

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    As vendas de carros elétricos devem atingir níveis recordes neste ano, com 29% de todos os carros novos comprados no mundo previstos para serem modelos totalmente movidos a bateria ou híbridos plug-in, segundo um relatório recente da IEA (Agência Internacional de Energia). O percentual representa um forte aumento em relação aos apenas 4% registrados em 2020.

    Carros elétricos da empresa chinesa BYD, na fábrica da empresa no Brasil em Camaçari, na Bahia - Rafael Martins/-05.fev.26/Reuters · Rafael Martins/-05.fev.26/Reuters
    Carros elétricos da empresa chinesa BYD, na fábrica da empresa no Brasil em Camaçari, na Bahia - Rafael Martins/-05.fev.26/Reuters · Rafael Martins/-05.fev.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O crescimento das vendas foi, em certa medida, inesperado. Alguns analistas haviam previsto um mercado mais lento para veículos elétricos neste ano —até que a guerra dos EUA com o Irã e o fechamento do estreito de Hormuz fizeram os preços do petróleo e da gasolina dispararem. Isso provocou uma corrida aos carros elétricos em diversas partes inesperadas do mundo.

    Na África do Sul, as vendas de carros elétricos mais que quintuplicaram no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. No Laos, as importações de veículos movidos a bateria da China estão disparando . E em países tão diferentes quanto Austrália, Colômbia e Coreia do Sul, a participação dos elétricos no total de carros novos vendidos quase dobrou desde o início dos combates no Oriente Médio .

    A ascensão dos veículos elétricos está transformando os mercados automobilísticos internacionais. As vendas totais de carros tradicionais com motores a combustão vêm caindo de forma constante e, neste ano, devem atingir o menor nível desde o início dos anos 2000.

    Volvo lança sedã elétrico ES90 no Brasil
    Volvo lança sedã elétrico ES90 no Brasil — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O que torna o aumento das vendas de carros elétricos especialmente significativo é que as compras de veículos elétricos, na verdade, caíram neste ano tanto na China quanto nos Estados Unidos , os dois maiores mercados automobilísticos do mundo.

    Na China, responsável por cerca de metade de todas as vendas de veículos elétricos no mundo, o enfraquecimento da economia e a redução dos subsídios governamentais levaram a uma queda nas compras totais neste ano. Embora os veículos elétricos tenham aumentado sua participação de mercado, o número total de carros vendidos caiu no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025.

    A China ainda tem aproximadamente a mesma quantidade de veículos elétricos em circulação que o restante do mundo combinado, uma tendência que reduziu de forma significativa o consumo de petróleo do país.

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    Os Estados Unidos também registraram uma queda nas vendas neste outono, depois que os republicanos no Congresso eliminaram gradualmente, no ano passado, um crédito tributário de US$ 7.500 (R$ 38.700) para carros elétricos.

    O governo de Joe Biden havia defendido a ampliação do benefício para ajudar no combate às mudanças climáticas, já que os veículos elétricos produzem menos emissões que seus equivalentes movidos a gasolina ou diesel.

    Ainda assim, os preços mais altos do petróleo levaram consumidores a optar por veículos elétricos em muitos outros mercados.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Desde o início da guerra com o Irã , em fevereiro, o preço do petróleo Brent, referência global, subiu mais de 25%. Nesse período, as vendas de veículos elétricos aproximadamente dobraram na Austrália, no Brasil, na Índia e na Coreia do Sul em comparação com o mesmo período de 2025.

    As vendas de carros oscilam por diversos motivos —incluindo políticas governamentais, condições econômicas e disponibilidade de novos modelos—, mas há bons motivos para acreditar que pelo menos parte do crescimento das vendas de elétricos neste ano está relacionada ao aumento dos preços do petróleo e da gasolina.

    As buscas online por veículos elétricos aumentaram significativamente desde o início da guerra, segundo uma análise da BloombergNEF, com alguns dos maiores avanços registrados em países que tiveram os maiores aumentos nos preços dos combustíveis.

    Andrew Grant, analista da BloombergNEF, disse que parte do aumento das vendas neste outono pode ser atribuída a consumidores que já planejavam comprar um carro elétrico e simplesmente anteciparam a compra. Ainda assim, afirmou que, "à medida que vemos preços do petróleo sustentados ou mais altos, provavelmente teremos vendas de elétricos maiores do que teríamos de outra forma".

    Mais de uma dúzia de governos também anunciaram novas políticas para estimular a adoção de veículos elétricos desde o início do conflito, enquanto os países buscam reduzir as importações de petróleo caro.

    Irlanda e Holanda lançaram programas para incentivar motoristas a trocar veículos mais antigos com motores a combustão por modelos elétricos. O Chile criou incentivos para que ônibus e táxis adotem a eletrificação. A Espanha prorrogou créditos tributários para veículos elétricos destinados aos consumidores. A China estabeleceu novas metas para eletrificar seus caminhões.

    "A crise reforçou claramente o argumento a favor dos veículos elétricos como forma de lidar com questões de segurança energética e custos dos combustíveis", afirmou a Agência Internacional de Energia em um relatório publicado no mês passado. A agência observou que os veículos em circulação respondem por aproximadamente metade do consumo mundial de petróleo.

    Mesmo com a desaceleração das vendas na China, a crescente popularidade dos carros elétricos no mundo tem beneficiado o país que mais produz esses veículos. Empresas chinesas já exportaram cerca de 2,4 milhões de veículos elétricos no primeiro semestre deste ano, quase o mesmo volume exportado durante todo o ano de 2025, segundo a IEA.

    Embora autoridades da Europa e dos Estados Unidos acompanhem com preocupação o crescente domínio da China no mercado automobilístico mundial, muitos países receberam de forma positiva os veículos elétricos chineses de baixo custo como uma maneira de economizar com combustíveis.

    Na Argentina, Austrália, Indonésia, Nova Zelândia e África do Sul, modelos chineses importados representam mais de 80% das vendas de carros elétricos. Desde o início da guerra, vários países, incluindo Camboja e Quênia, reduziram temporariamente as tarifas sobre veículos elétricos importados. No Laos, o governo foi além e proibiu a importação de carros movidos a gasolina pelo restante de 2026, ao mesmo tempo em que reduziu os impostos sobre carros elétricos —provocando uma corrida aos veículos elétricos chineses.

    Uma das principais questões é o que aconteceria com as vendas globais de veículos elétricos se o conflito no Irã terminasse e o Estreito de Ormuz fosse reaberto, levando a uma queda nos preços mundiais do petróleo .

    No curto prazo, as vendas de carros elétricos poderiam desacelerar um pouco se os motoristas deixassem de se preocupar tanto com o preço da gasolina. No longo prazo, porém, muitos analistas acreditam que os veículos movidos a bateria continuarão ganhando espaço.

    Atualmente, em muitos mercados automobilísticos, um carro elétrico custa mais para ser comprado do que um modelo equivalente a gasolina ou diesel, o que tende a ser o principal fator considerado pela maioria dos consumidores. Mas isso pode mudar nos próximos três a cinco anos se os preços das baterias continuarem caindo, disse Grant. As baterias costumam ser a parte mais cara desses veículos.

    "Os preços do petróleo vão subir e cair, mas a economia fundamental, com as baterias ficando mais baratas, significa, em nossa avaliação, que mais veículos elétricos serão vendidos ao longo do tempo", disse Grant.

    Ao mesmo tempo, mesmo com custos iniciais mais altos, os veículos elétricos tendem a ser mais baratos de operar ao longo de sua vida útil, graças aos menores gastos com combustível e manutenção. Isso pesa mais para algumas pessoas, como motoristas de aplicativos, que podem rodar de três a cinco vezes mais por ano do que um motorista comum. Esses profissionais já estão adotando veículos elétricos em uma proporção um pouco maior, segundo Grant.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/alta-do-petroleo-impulsiona-venda-de-carros-eletricos-no-mundo.shtml.

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    Carros elétricos da empresa chinesa BYD, na fábrica da empresa no Brasil em Camaçari, na Bahia - Rafael Martins/-05.fev.26/Reuters · Rafael Martins/-05.fev.26/Reuters — Foto: UOL

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