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    Alta do petróleo e dos combustíveis pressiona governos e economias pelo mundo

    O mundo volta a se enfurecer com a alta dos preços da energia provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Leia mais (09/16/2026 - 14h20)

    Folha de S.Paulo
    16 de setembro de 2026 às 17:20
    Alta do petróleo e dos combustíveis pressiona governos e economias pelo mundo
    Pessoa empurra barricada de madeira em estrada enquanto pneus queimam no chão, gerando fumaça densa. Caminhões e placa de pare aparecem ao fundo sob céu claro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O mundo volta a se enfurecer com a alta dos preços da energia provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

    Manifestante acende fogueira durante bloqueio de depósito de petróleo por pescadores franceses em Frontignan, na França - Gabriel Bouys - 16.set.26/AFP · Gabriel Bouys - 16.set.26/AFP
    Manifestante acende fogueira durante bloqueio de depósito de petróleo por pescadores franceses em Frontignan, na França - Gabriel Bouys - 16.set.26/AFP · Gabriel Bouys - 16.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Desde que a nova escalada elevou o preço do petróleo para mais de US$ 100 (R$ 515) por barril, manifestantes queimaram pneus e carros na Guatemala e na Síria para expressar sua revolta.

    Em Portugal , motoristas percorreram as ruas em protesto, dirigindo lentamente e buzinando, depois que o diesel atingiu um recorde de mais de US$ 9 (R$ 46,35) por galão.

    Especialmente nos países em desenvolvimento da Ásia , fortemente dependentes da energia do Oriente Médio e endividados após esforços anteriores para amenizar os impactos da guerra, sistemas de transporte e governos enfrentam uma nova rodada de forte pressão.

    Projeto de petróleo encarece casas e amplia invasões no Amapá
    Projeto de petróleo encarece casas e amplia invasões no Amapá — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A escassez de combustíveis e as longas filas nos postos desaceleram as economias, ao mesmo tempo em que taxistas e trabalhadores fazem greves por considerarem que não vale a pena trabalhar quando seus ganhos mal cobrem os custos de energia.

    Muitos países enfrentam uma questão difícil: é mais arriscado repassar os aumentos de preços para uma população já insatisfeita, acelerando a inflação, ou ampliar subsídios e auxílios, o que elevaria a dívida pública e poderia ameaçar a estabilidade das moedas nacionais?

    "Quanta capacidade fiscal a Ásia ou o mundo em desenvolvimento, em geral, têm para administrar essa crise geopolítica?", questionou Sana Jaffrey, professora da Universidade Nacional Australiana que pesquisa conflitos e formação de Estados na Ásia. "O que acontece com os mercados financeiros globais quando essa capacidade começa a se esgotar?"

    Bolívia enfrenta crise de abastecimento durante período de protestos
    Bolívia enfrenta crise de abastecimento durante período de protestos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Em algum momento", acrescentou, "isso vai se tornar um problema de todos."

    Veja alguns dos focos de tensão ao redor do mundo acompanhados pelo New York Times.

    Em Makassar, no sul de Sulawesi, moradores relataram nesta semana falta de gás de cozinha, apagões recorrentes e uma mudança repentina para um sistema de racionamento de gasolina.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na capital provincial, motoristas empurraram motocicletas com os tanques vazios ou as deixaram em longas filas perto de postos sem combustível. Taxistas fizeram um protesto na segunda-feira contra um novo sistema de racionamento organizado de acordo com números pares e ímpares das placas.

    As tensões também têm aumentado em Yogyakarta, na ilha de Java. Estudantes protestaram contra a alta dos preços dos combustíveis na segunda-feira (14), mas a manifestação foi dispersada por organizações pró-governo de maneira agressiva.

    As discussões sobre o fim do acesso a combustíveis subsidiados para famílias de alta e média renda vêm se intensificando. Os cálculos do governo antes da guerra consideravam um preço do petróleo de cerca de US$ 70 (R$ 360,50) por barril, e a dívida pública disparou desde o início do conflito.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Pescadores ao longo da Baía de Manila que usam barcos movidos a diesel ou gasolina esperavam poder voltar ao mar nesta semana, após semanas de chuvas de monções. Muitos, porém, continuam nos portos.

    "Muitos estavam ansiosos para voltar a pescar, mas não têm dinheiro para comprar gasolina", disse Fernando Hicap, presidente nacional de uma importante associação de pescadores. "A nova rodada de reajustes de preços está nos sufocando."

    Motoristas de ônibus e de aplicativos também marcharam em Quezon City e fizeram protestos silenciosos ao deixar de trabalhar —uma tendência que também aparece em outros lugares. No Vietnã, motoristas da Grab, aplicativo de transporte, convocaram no fim de semana um boicote em protesto contra a baixa remuneração, causada em parte pelo aumento dos custos dos combustíveis.

    Modesto Floranda, líder de um grupo de 70 mil motoristas e proprietários de ônibus filipinos, disse que trabalhar de 15 a 18 horas por dia agora rende apenas o suficiente para uma refeição.

    O governo ofereceu pagamentos únicos de cerca de US$ 80 (R$ 412) aos motoristas do transporte público.

    Trabalhadores do transporte e ativistas indígenas marcharam recentemente pelas ruas da Cidade da Guatemala, exigindo mais do que medidas provisórias, como limites de preços e subsídios.

    Alguns grupos pediram a suspensão dos impostos sobre combustíveis e uma mudança para longe dos combustíveis fósseis, vistos por críticos como fonte de enriquecimento das elites e de danos ambientais. Agricultores de toda a América Latina, fortemente dependentes do diesel para tratores, estão especialmente frustrados.

    Em uma manifestação recente na Guatemala, vídeos mostraram uma grande multidão de trabalhadores. Um organizador, usando um megafone, caracterizou a disputa econômica como um conflito entre governos e os ricos, de um lado, e todos os demais, de outro.

    "Eles estão em um lugar de luxo, por isso não pensam na nossa miséria, na fome ou no custo das necessidades básicas de alimentação da classe trabalhadora", disse. "Também continuaremos pressionando."

    Organizados principalmente pelas redes sociais, motoristas portugueses se reuniram na semana passada para vários "buzinões" —protestos em que carros trafegam lentamente enquanto buzinam. As manifestações provocaram congestionamentos em importantes vias, incluindo a Ponte 25 de Abril, em Lisboa.

    Em um sinal de crescente insatisfação com grandes empresas de petróleo e gás, um comboio de veículos bloqueou o acesso a estradas próximas a uma grande refinaria em Sines, segundo um site de notícias local.

    Naomi Hossain, socióloga política da Universidade de Londres que estudou os impactos de choques de energia, afirmou que é comum as pessoas presumirem que os custos dos combustíveis fósseis e a inflação aumentam "por causa de conluio entre elites políticas e empresas".

    "Há boas razões para acreditar que a inflação desenfreada está empurrando os eleitores para a direita", disse. "Governos de centro parecem não conseguir fazer muito para proteger as pessoas desses choques, e não há alternativas realistas de esquerda na maioria dos lugares. Portanto, uma das consequências é alimentar o populismo."

    Bangladesh importa mais de 90% do petróleo que utiliza, e a maior parte vem do Oriente Médio.

    A escassez de gás natural liquefeito necessário para produzir eletricidade levou ao racionamento e ao fechamento temporário de fábricas de roupas —principal motor da economia do país. Muitas recorreram ao diesel depois que a guerra no Irã começou, em fevereiro, apenas para ver esses preços também subirem agora.

    Robiul Hasan Mehedi, funcionário de uma fábrica de roupas no polo de confecções de Gazipur, disse na terça-feira (15) que os cortes de energia estão ocorrendo quatro ou cinco vezes por dia.

    Várias horas de paralisação do trabalho —multiplicadas por dezenas de fábricas e milhares de trabalhadores— agora são a norma.

    O governo do Sri Lanka define os preços dos combustíveis todos os meses, mas distribuidores que abastecem os postos começaram a restringir o fornecimento enquanto aguardam um aumento esperado da demanda.

    "Eles estão operando com prejuízo", disse Kumara Rajapaksha, presidente da Associação de Proprietários de Postos de Combustíveis, a jornalistas na segunda-feira (13).

    Anura Karunathilaka, ministro da Energia do Sri Lanka, afirmou que as autoridades avaliam se devem aumentar os preços oficiais e ampliar os subsídios. A relação entre a dívida e o PIB do país já está entre as mais altas do mundo em desenvolvimento.

    Poucas horas depois de o governo anunciar que aumentaria temporariamente em até 40% os preços da gasolina, do diesel e de outros derivados de petróleo, sírios foram às ruas.

    Multidões revoltadas se reuniram em praças de várias cidades, bloquearam o trânsito e queimaram pneus, exigindo o cancelamento do aumento dos preços.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/alta-do-petroleo-e-dos-combustiveis-pressiona-governos-e-economias-pelo-mundo.shtml.

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    Manifestante acende fogueira durante bloqueio de depósito de petróleo por pescadores franceses em Frontignan, na França - Gabriel Bouys - 16.set.26/AFP · Gabriel Bouys - 16.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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