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    Aliados do Irã avançam no mar Vermelho; oleoduto saudita pega fogo

    Houthis do Iêmen conquistam mais uma cidade costeira e ilha no estratégico estreito de Bab el-Mandeb

    UOL
    11 de setembro de 2026 às 12:00
    Aliados do Irã avançam no mar Vermelho; oleoduto saudita pega fogo
    Imagem de satélite mostra sombra escura de nuvem densa projetada sobre terreno árido e montanhoso próximo à costa oceânica. Nuvens brancas dispersas estão visíveis ao redor da sombra, com o oceano azul à esquerda da imagem. — Foto: UOL

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    A ofensiva dos houthis do Iêmen avançou nesta sexta-feira (11) rumo ao controle do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, porta de acesso ao sul do mar Vermelho. Os rebeldes apoiados pelo Irã tomaram mais uma cidade e uma ilha importante para o controle do tráfego marítimo na região.

    Imagem de satélite mostra fumaça subindo do oleodutos Leste-Oeste ao sul de Medina (Arábia Saudita) - União Europeia/Copernicus Sentin/Reuters · União Europeia/Copernicus Sentin/Reuters
    Imagem de satélite mostra fumaça subindo do oleodutos Leste-Oeste ao sul de Medina (Arábia Saudita) - União Europeia/Copernicus Sentin/Reuters · União Europeia/Copernicus Sentin/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Além disso, imagens de satélite mostraram uma grande coluna de fumaça subindo no oleoduto que liga os campos produtores de petróleo saudita no leste da península Arábica ao porto de Yanbun, no mar Vermelho.

    A operadora estatal Aramco não confirmou a natureza do incêndio, mas se for um ataque houthi, a principal rota de desvio do óleo bloqueado pela saída marítima do Golfo Pérsico, no estreito de Hormuz obstruído pelo Irã, pode estar comprometida.

    O avanço houthi começou nesta semana, com a chegada das forças rebeldes a Mokha, principal porto da província de Taiz , na costa que dá acesso ao estreito. Nesta sexta, eles foram a sul e tomaram Dhubab e a ilha de Perim, a maior da região.

    Guerra e pirataria no mar Vermelho
    Guerra e pirataria no mar Vermelho — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo o governo do Iêmen, expulso da capital Sanaa pelos houthis em 2014, suas forças deixaram as áreas atacadas para se reagrupar. À agência Reuters, autoridades baseadas no porto de Áden (sul) disseram que haverá uma contraofensiva.

    Pode ser. Mas, no momento, a iniciativa está com os houthis, que desde 2022 viviam em um cessar-fogo informal na guerra civil do país. O governo é apoiado pela Arábia Saudita e venceu no começo do ano a dissidência que recebia suporte dos Emirados Árabes Unidos, que dominava Áden e parte do sul iemenita.

    Desde julho, quando os governistas pró-Riad impuseram um bloqueio aéreo a Sanaa, os houthis que controlam o oeste do Iêmen reativaram a guerra. Ataques pontuais a cidades sauditas com mísseis se multiplicaram, e nesta sexta surgiu a imagem do oleoduto em chamas.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Como quase 70% das exportações do segundo maior produtor de petróleo do mundo vinham sendo desviadas para o mar Vermelho, o preço da commodity em mercado futuro disparou e voltou a flutuar acima dos US$ 100 o barril do tipo Brent.

    Os houthis já haviam decretado, ainda em julho, um bloqueio ao comércio naval saudita no mar Vermelho, mas o fechamento do Bab el-Mandeb não foi tão eficaz quanto o de Hormuz pelo Irã porque os rebeldes estavam posicionados mais ao norte do estreito.

    Com isso, podiam atingir navios com seus mísseis e drones, mas a distâncias maiores do que poderão se estiverem estabelecidos na ilha de Perim, por exemplo.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Apesar de terem uma agenda própria em relação aos aliados e patrocinadores de Teerã, se controlarem de fato o estreito os houthis darão ao Irã uma carta de barganha forte quando a teocracia tenta negociar um fim do conflito iniciado por Donald Trump em fevereiro.

    O presidente americano diz que a guerra, ora em banho-maria, irá acabar depois das eleições legislativas de novembro nos EUA. Mas nada indica que isso vá ocorrer, ainda que iranianos estejam sendo pressionados por ataques pontuais e novas sanções econômicas.

    A pressão sobre o preço do petróleo, motivo de crítica nos EUA a Trump, arrefeceu um pouco nesta sexta após reportagem do jornal britânico Financial Times indicar que há uma movimentação diplomática de países do Oriente Médio para tentar mediar um acordo para retomar o trânsito em Hormuz.

    Via de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mercado antes da guerra, o estreito viu seu tráfego usual cair a cerca de 10% com o conflito. Em Bab el-Mandeb, a perda é bem menor com as ações houthis, mas já há impacto visível para o fluxo do petróleo saudita.

    Há outras questões. Praticamente toda a exportação por via naval da China à Europa passa por lá, por exemplo, e Pequim é uma aliada do Irã. Assim, os rebeldes prometem manter o tráfego livre para outras embarcações sem relação com Riad, o que é complexo.

    Por ora, os EUA não intervieram na situação. Na guerra entre Israel e o Hamas , de 2023 a 2025, os rebeldes apoiaram os terroristas palestinos atacando o Estado judeu e o tráfego no mar Vermelho.

    Naquela ocasião, Washington enviou navios de guerra para a região e passou a bombardear, ao lado de Israel, alvos houthis. Nada disso ocorreu na guerra atual, mesmo quando os rebeldes dispararam drones e mísseis contra os israelenses em retaliação pelo ataque contra o Irã.

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    Segundo o site americano Axios, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, ligou duas vezes na quinta (10) para Trump e pediu ao aliado que entrasse no conflito, sem sucesso. Pelo relato, o republicano está apostando numa desescalada natural, embora a evidência em solo seja oposta.

    Há também uma expectativa de que os ataques a solo saudita façam o reino pedir apoio a seus novos parceiros militares , a Turquia e o Paquistão, com a complicação de que Islamabad é uma das mediadoras do conflito entre Irã e EUA.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/aliados-do-ira-avancam-no-mar-vermelho-oleoduto-saudita-pega-fogo.shtml.

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    Imagem de satélite mostra fumaça subindo do oleodutos Leste-Oeste ao sul de Medina (Arábia Saudita) - União Europeia/Copernicus Sentin/Reuters · União Europeia/Copernicus Sentin/Reuters — Foto: UOL

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