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    Algumas dúvidas sobre os motivos da conversão de André Mendonça

    Ministro diz que renuncia ao Iter para reforçar a vocação educacional e social

    UOL
    11 de setembro de 2026 às 08:00
    Algumas dúvidas sobre os motivos da conversão de André Mendonça
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    Os homens de pouca fé têm motivos para questionar as razões que levaram o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a deixar a sociedade no Instituto Iter e transformar o negócio em entidade sem fins lucrativos.

    Gilmar Mendes, Jair Bolsonaro, André Mendonça e Dias Toffoli na posse de Mendonça no Ministério da Justiça, em 2020 - Pedro Ladeira - 29.abr.20/Folhapress · Pedro Ladeira - 29.abr.20/Folhapress
    Gilmar Mendes, Jair Bolsonaro, André Mendonça e Dias Toffoli na posse de Mendonça no Ministério da Justiça, em 2020 - Pedro Ladeira - 29.abr.20/Folhapress · Pedro Ladeira - 29.abr.20/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Já os fiéis seguidores do ministro-pastor devem conhecer os contratos do Iter com o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e com a administração municipal de Ricardo Nunes (MDB-SP).

    São clientes do instituto prefeituras e empresas privadas.

    A assessoria do ministro informou em nota a decisão de ceder a totalidade de suas cotas e de sua mulher, sem qualquer contrapartida financeira. O comunicado afirma que o instituto "criado em 2024" (a empresa foi aberta em 2023) está "reforçando sua vocação exclusivamente educacional e social".

    Quem são os ministros do STF
    Quem são os ministros do STF — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na coluna da semana passada, tratamos das suspeitas de que Mendonça agiu para beneficiar o candidato Flávio Bolsonaro (PL).

    O ministro "terrivelmente evangélico" chegou ao STF com apoio de Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Na ocasião, agradeceu com demonstrações de bajulação e submissão ao então presidente Jair Bolsonaro.

    Seu currículo resumido no STF informa que é professor de direito "em renomadas instituições de ensino, como a Universidade de Salamanca e o Instituto Presbiteriano Mackenzie". Não cita o Instituto Iter.

    Registramos que a criação do Iter foi "uma tentativa de reproduzir o IDP de Gilmar Mendes, na trilha seguida pelo Ibajud, Justiça & Cidadania, Lide e grupo Esfera". Na ocasião, o ministro não quis comentar.

    O presidente do Iter é Victor Godoy Vieira, quinto ministro da Educação do governo Bolsonaro. Era secretário-executivo do ministro Milton Ribeiro, demitido quando vazou um áudio em que falava em priorizar repasses de verbas pedidos por pastores evangélicos a mando de Bolsonaro.

    O corpo docente do Iter reuniu advogados, ex-servidores do Ministério da Justiça e da Advocacia-Geral da União e delegados federais.

    Mendonça ministrou curso sobre "A arte e a ciência da oratória". Em curso para operadores do direito que trabalham com o Superior Tribunal de Justiça, a aula magna foi do ministro Marco Buzzi.

    Vale para Mendonça a observação de Joaquim Falcão, ex-conselheiro do CNJ, sobre os negócios de Gilmar: "Na medida em que você usa a autoridade como ministro do Supremo para ganhar dinheiro, temos uma questão ética".

    Quando Mendonça foi nomeado ministro da Justiça, registramos : "A bajulação explícita do pretenso indicado para a cadeira de Marco Aurélio no Supremo Tribunal Federal e o alinhamento fiel já demonstrado pelo ministro Kassio Nunes, ocupante da cadeira que foi de Celso de Mello, tornam difícil prever uma atuação independente de ambos, reveladora de distanciamento do presidente".

    Durante sua gestão na pasta da Justiça, registramos : "Interessado em agradar o capitão, pois aspira uma vaga no STF, o ministro da Justiça, André Mendonça, age como chefe de polícia e continua a usar a Lei de Segurança Nacional. Um entulho da ditadura, a lei tem embasado pedidos de investigação contra jornalistas e críticos do governo Bolsonaro".

    Mendonça foi introduzido nos eventos d’além-mar muito antes de Gilmar mencionar seu "erro crasso" (ele teria participado de conversas sobre uma delação). Detalhe: Gilmar não criticou o despreparo do PGR Paulo Gonet, seu ex-sócio no IDP.

    Em 2023, Mendonça estava no coquetel organizado em Lisboa pelo grupo Esfera Brasil em homenagem a Gilmar Mendes e sua então mulher, a advogada Guiomar Mendes.

    Relator no STF da ação que propôs a suspensão dos acordos de leniência da JBS, Mendonça confraternizou em Portugal com os irmãos Joesley e Wesley Batista .

    Em 2025, Mendonça previu, no Fórum de Lisboa , "a possibilidade de uma crise entre os Poderes". Ele afirmou: "As pesquisas de opinião indicam que há um descrédito da sociedade brasileira em relação às instituições. Nós podemos nos fazer de surdos para isso ou fazer uma autocrítica e tentar melhorar para o futuro. Esse é o papel da democracia".

    Em junho último, a Universidade de Coimbra e o Superior Tribunal de Justiça romperam a blindagem dos ministros e autoridades que frequentam convescotes no exterior e atribuem aos anfitriões o pagamento das despesas de convidados e parentes.

    O evento foi encerrado com palestra de André Mendonça . Seu gabinete informou que ele não recebeu diárias e que não houve remuneração. Mas não esclareceu quem pagou as despesas de viagem.

    Em 2021, Mendonça usou o lançamento de um livro da Fundação Getúlio Vargas, em Lisboa, para fazer campanha explícita por sua vaga no STF.

    Em 2019, Alexandre de Moraes e André Mendonça foram coordenadores do livro "Democracia e Sistema de Justiça", em homenagem aos dez anos de Dias Toffoli no STF.

    Toffoli, por sua vez, foi um dos organizadores de livro em homenagem a Augusto Aras . Paulo Gonet foi um dos articulistas.

    Moraes, Mendonça, Toffoli, Aras e Gonet estão entre os coautores da crise atual.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/blogs/frederico-vasconcelos/2026/09/algumas-duvidas-sobre-os-motivos-da-conversao-de-andre-mendonca.shtml.

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    Gilmar Mendes, Jair Bolsonaro, André Mendonça e Dias Toffoli na posse de Mendonça no Ministério da Justiça, em 2020 - Pedro Ladeira - 29.abr.20/Folhapress · Pedro Ladeira - 29.abr.20/Folhapress — Foto: UOL

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