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    Alexandre Vidal Porto lança livro sobre diplomata gay e diz que o autor deve ser guia

    No século 19, o poeta americano Walt Whitman descreveu uma travessia de barca no Brooklyn. Nele, enviava uma mensagem às gerações futuras: "Assim como você se sente quando olha para o rio e para o céu, assim eu me senti". No século 20, o português Fernando Pessoa respondeu a Whitman com estes versos: "Conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas". Leia mais (08/09/2026 - 15h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de agosto de 2026 às 18:00
    Alexandre Vidal Porto lança livro sobre diplomata gay e diz que o autor deve ser guia
    Foto: Folha de S.Paulo

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    No século 19, o poeta americano Walt Whitman descreveu uma travessia de barca no Brooklyn. Nele, enviava uma mensagem às gerações futuras: "Assim como você se sente quando olha para o rio e para o céu, assim eu me senti". No século 20, o português Fernando Pessoa respondeu a Whitman com estes versos: "Conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas".

    O escritor e diplomata Alexandre Vidal Porto - Alexia Fidalgo/Divulgação · Alexia Fidalgo/Divulgação
    O escritor e diplomata Alexandre Vidal Porto - Alexia Fidalgo/Divulgação · Alexia Fidalgo/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O escritor e diplomata brasileiro Alexandre Vidal Porto , de 61 anos, gosta de citar esses dois poemas para explicar seu projeto literário.

    O autor se enxerga dando uma mão a Whitman e a Pessoa e estendendo a outra aos escritores do porvir. "Eu me proponho a ser um guia", diz ao repórter. Baseado em Amsterdã, onde atua como cônsul-geral, ele veio ao Brasil para participar da Flip , a Festa Literária Internacional de Paraty.

    Autor dos celebrados romances "Cloro", de 2018, e "Sodomita", de 2023, Vidal Porto retoma a tarefa de guia em "Só Depois Entenderei", recém-publicado pela Companhia das Letras. "Embora eu escreva para elucidar questões minhas, quero fazer um mapa para as outras pessoas também", afirma.

    Lançamento do livro 'Sodomita', de Alexandre Vidal Porto
    Lançamento do livro 'Sodomita', de Alexandre Vidal Porto — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O livro acompanha a história de um diplomata brasileiro em Nova York nos anos 1990. O protagonista adentra as salas de bate-papo online daquela era —que antecederam os aplicativos de paquera— e encontra um homem casado, com quem logo trava um intenso relacionamento.

    Com um texto econômico, Vidal Porto acompanha essa história de sexo e amor ao longo de décadas. O título já sugere, é só com o passar do tempo que o narrador compreende o que sentia. É uma reflexão madura sobre como, às vezes, é preciso esperar para entender o que movia uma relação.

    Vidal Porto sugere que a resposta nem sempre é fácil ou agradável. As coincidências entre as vidas do personagem e do autor são muitas, a começar pela profissão e pela orientação sexual. "Uso meus livros como uma espécie de auxiliar à psicanálise", afirma. Não por acaso, o autor dedica este romance a duas pessoas, o marido e o psicanalista.

    Capa de 'Só Depois Entenderei', livro de Alexandre Vidal Porto - Divulgação · Divulgação
    Capa de 'Só Depois Entenderei', livro de Alexandre Vidal Porto - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Isso não quer dizer, porém, que "Só Depois Entenderei" seja um trabalho de autoficção —algo em que o escritor tem insistido ao falar sobre o livro. Explica que é como se tivesse emprestado seu corpo ao personagem para que pudesse viver suas próprias experiências.

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    A ideia de dar as mãos aos outros tem retornado com frequência a Vidal Porto. Talvez porque foi isso que fizeram com ele. No início dos anos 2000, alguém lhe apresentou a Milton Hatoum , que já havia publicado os celebrados "Relato de um Certo Oriente" e "Dois Irmãos". O diplomata tinha um rascunho de romance e não sabia o que fazer com ele. Hatoum se prontificou a ler o original.

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    Os dois se encontraram para um café que, segundo ele lembra, durou seis horas. Vidal Porto ainda guarda o manuscrito rabiscado pelo amazonense, que se tornou um amigo. Era seu primeiro romance, "Matias na Cidade". Menciona Luiz Ruffato , além de Hatoum. "Eles me abriram tudo, inclusive suas casas."

    Na Flip, Vidal Porto estava sempre cercado de pessoas, como se lhes desse a mão. "Sou um escritor que conversa muito com seus pares, em especial com as mulheres", diz. Cita Andréa del Fuego , Socorro Acioli e Paulliny Tort entre suas interlocutoras frequentes.

    Menciona também os jovens escritores que o procuram. Guiá-los não é uma questão de papel social, e sim de solidariedade. "É lindo ver um garoto de 25 anos com meu livro, os olhos brilhando", afirma. "Vim ao mundo para deixar tinta na lataria dos outros e levar tinta na minha."

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    Durante a entrevista, recorre muito a metáforas como essa. Outra imagem que usa é a do âmbar. Pensando nos novos escritores, a quem quer dar conselhos, Vidal Porto sugere que a escrita "é como a baleia que vomita um âmbar-gris" —uma substância sólida e cerosa produzida no sistema digestivo das cachalotes, valiosa na perfumaria de luxo.

    Escrever, pois, é o trabalho de deixar a imaginação solta e só depois analisar as secreções. "Tem que vomitar tudo", prescreve. "Encontre o âmbar no vômito e só depois comece a trabalhar com ele."

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    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/alexandre-vidal-porto-lanca-livro-sobre-diplomata-gay-e-diz-que-o-autor-deve-ser-guia.shtml.

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    O escritor e diplomata Alexandre Vidal Porto - Alexia Fidalgo/Divulgação · Alexia Fidalgo/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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