Alexandre de Moraes acordou evangélicos de direita para a eleição
Igrejas evangélicas por todo o país saíram do estado de torpor para o de ebulição. Seus núcleos bolsonaristas estavam apáticos, por rejeitarem Flávio ou por entenderem que ele perderia a eleição. A guerra no STF os reenergizou. Leia mais (09/05/2026 - 11h18)

Antropólogo e historiador, autor de 'Crentes' (Record) e 'Povo de Deus' (Geração), pesquisa cristianismo, mundo popular, mídias digitais e esportes de combate
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Igrejas evangélicas por todo o país saíram do estado de torpor para o de ebulição. Seus núcleos bolsonaristas estavam apáticos, por rejeitarem Flávio ou por entenderem que ele perderia a eleição. A guerra no STF os reenergizou.
Os sinais indiretos que circulam são, principalmente, mensagens que dizem "vamos orar por André Mendonça " —o que significa, na verdade: vamos atuar nesta eleição, vamos apoiá-lo.
A divulgação dos diálogos de Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro provocou essa mobilização. Há o entendimento de que defender o impeachment desse ministro levará à vitória contra o PT.

Essa não é a única posição vocalizada. Existe a turma preocupada com as consequências que o envolvimento na política trará para a igreja. Para estes, a foto de André Mendonça com o advogado de Vorcaro, por exemplo, indica que as coisas não são simples como parecem.
Mas a antipatia por Alexandre de Moraes empolga mais que o apoio a Flávio Bolsonaro; ela seria capaz de mobilizar evangélicos na reta final da eleição.
Moraes é visto, em termos bíblicos, como as pessoas que se acham invencíveis e que perseguiram o povo de Deus. É o caso do faraó do Egito, que é arrogante, faz "na canetada" e desafia Moisés e Deus.

Essa imagem aparece, por exemplo, na ideia de que Moraes foi injusto na distribuição das penas para quem participou das manifestações de 8 de janeiro de 2023. Ele impôs sofrimento a pessoas que, segundo esse argumento, foram na onda de outros, para prevalecer no confronto com Bolsonaro.
A imagem fica acentuada pelo entendimento de que ele teria ganhado dinheiro de maneira injusta, por Vorcaro, quando o país está endividado até o pescoço. "Ele toma banho de riqueza enquanto deixa o povo se lavar com a água dos porcos", comparou uma interlocutora pentecostal.
A antipatia por Moraes cresceu por suas atitudes favoráveis ao aborto depois da 22ª semana em casos de vítimas de estupro e por ele ter usado a força do Estado para atacar o pastor Silas Malafaia —autorizando a apreensão de equipamentos eletrônicos, retendo o passaporte e quebrando o sigilo financeiro.

Mas a desconfiança em relação a Moraes se amplia porque o embate dele é com o único evangélico a atuar no Supremo hoje. O ministro André Mendonça é visto, mesmo fora da bolha bolsonarista, como alguém colocado nessa função por Deus para fazer justiça.
Nesse sentido, quando Moraes ataca Mendonça, ele ameaça também a reputação de evangélicos que entendem que o ministro atua para deter um homem poderoso que se acha acima da justiça e que trava uma batalha espiritual do bem contra o mal.
O debate já se politizou. Na sexta (4), Mendonça gravou um vídeo agradecendo pelas orações.

É impossível dizer o que acontecerá em um mês. Mas, neste momento, a queda de braço entre ministros do STF atinge a candidatura do presidente Lula.
Ela mobiliza evangélicos a se posicionarem em suas igrejas e a votar, na eleição, contra o bloco governista representado por Moraes.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/juliano-spyer/2026/09/alexandre-de-moraes-acordou-evangelicos-de-direita-para-a-eleicao.shtml.

André Mendonça em sessão do STF - Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 3.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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