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    Alergia nunca mais: nascem os primeiros cães hipoalergênicos do mundo

    Alfie e Bailey tiveram um gene alterado para eliminar o principal alérgeno canino e não provocaram reação alérgica em teste inicial

    Metrópoles
    8 de setembro de 2026 às 14:54
    Alergia nunca mais: nascem os primeiros cães hipoalergênicos do mundo
    Foto: Metrópoles

    Para quem ama cachorros, mas sofre com espirros, coceira ou irritação nos olhos ao se aproximar dos animais , a ciência pode ter encontrado um novo caminho. Pesquisadores dos Estados Unidos criaram dois beagles geneticamente modificados que não produzem a Can f 1 , considerada o principal alérgeno dos cães.

    Batizadas de Alfie e Bailey , as duas cadelas nasceram em de setembro de 2024, após pesquisadores utilizarem a ferramenta de edição genética CRISPR-Cas9 para interromper o gene responsável pela produção da proteína.

    O estudo, publicado em 05 de agosto de 2026 no The CRISPR Journal , mostrou que os animais cresceram normalmente e não apresentaram problemas clínicos aparentes relacionados à modificação genética durante o período avaliado.

    Reprodução/ kindred Companion
    Reprodução/ kindred Companion — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Apesar da associação comum entre pelos e alergia, o problema é provocado por proteínas produzidas pelos cães. A Can f 1 está presente principalmente na saliva e pode chegar aos pelos, à pele e ao ambiente , onde entra em contato com pessoas sensibilizadas.

    A reação ocorre quando o sistema imunológico identifica a proteína como uma ameaça e responde por meio de anticorpos IgE, o que pode provocar espirros, coriza, coceira e irritação nos olhos, além de contribuir para quadros de rinite alérgica e asma.

    Por isso, cães conhecidos popularmente como “hipoalergênicos” não necessariamente deixam de provocar reações , já que a quantidade de pelos não determina, sozinha, a presença dos alérgenos.

    Foto colorida de duas cães da raça beagle - Metrópoles.
    Foto colorida de duas cães da raça beagle - Metrópoles. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Para atacar o problema na origem, os pesquisadores utilizaram a CRISPR-Cas9 para alterar o gene Can f 1 em células de beagle e, posteriormente, produzir embriões por transferência nuclear de células somáticas.

    Dos 25 embriões produzidos, dois se desenvolveram até o nascimento, dando origem a Alfie e Bailey, com 320 e 318 gramas, respectivamente.

    Os exames confirmaram a alteração genética planejada, enquanto o acompanhamento mostrou crescimento e desenvolvimento anatômico dentro do esperado. A principal descoberta apareceu nas análises de saliva, pelos e caspa: a Can f 1 não foi detectada nas amostras dos cães geneticamente modificados.

    Os pesquisadores também realizaram um teste cutâneo em uma pessoa alérgica à Can f 1, mas sem sensibilização detectável aos outros alérgenos caninos avaliados.

    O extrato de um beagle sem modificação genética provocou uma reação de aproximadamente seis milímetros na pele, enquanto as amostras do cão geneticamente modificado não causaram resposta detectável. Materiais provenientes de poodle e goldendoodle, dois tipos frequentemente associados à ideia de cães hipoalergênicos, também provocaram reação.

    Apesar dos resultados, o estudo é uma prova de conceito e não permite afirmar que Alfie e Bailey sejam incapazes de provocar alergia em qualquer pessoa. Existem outros alérgenos produzidos pelos cães, e cada indivíduo pode apresentar sensibilização a proteínas diferentes.

    Outra limitação importante é que o teste em humanos envolveu apenas uma pessoa, especificamente sensibilizada à Can f 1, portanto, pesquisas com mais participantes e acompanhamento prolongado dos animais ainda serão necessárias para avaliar a segurança e o potencial da estratégia.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/ciencia/alergia-nunca-mais-nascem-os-primeiros-caes-hipoalergenicos-do-mundo.

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