Além do táxi aéreo: carros voadores podem ganhar fins militares
Joby Aviation anunciou aquisição da empresa de defesa Resonant Sciences por R$ 2,6 bilhões O post Além do táxi aéreo: carros voadores podem ganhar fins militares apareceu primeiro em Olhar Digital .

A Joby Aviation anunciou a aquisição da empresa de defesa Resonant Sciences por US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) , em operação que reforça a estratégia da fabricante de aeronaves elétricas de ampliar sua atuação no setor militar.
Sediada em Dayton, no estado estadunidense de Ohio, a Resonant Sciences será incorporada à Joby após a conclusão do negócio, prevista para o início de 2027. A empresa informou que pretende financiar a aquisição com US$ 450 milhões (R$ 2,3 bilhões) em dinheiro e US$ 50 milhões (R$ 258,7 milhões) em ações .
Depois da conclusão da operação, a Resonant continuará funcionando como a divisão de defesa da Joby e manterá suas atividades atuais. Já a divisão comercial da companhia continuará concentrada no desenvolvimento de táxis aéreos, com os primeiros serviços previstos para começar ainda este ano.

A aquisição ocorre em momento em que empresas do setor de aeronaves elétricas buscam novas fontes de receita além dos táxis aéreos urbanos.
O desenvolvimento desses veículos envolve custos elevados, enquanto os processos regulatórios necessários para iniciar operações comerciais têm avançado lentamente, adiando a perspectiva de geração de receita em larga escala.
Nesse cenário, contratos militares se tornaram uma oportunidade especialmente atrativa para empresas que precisam sustentar operações caras enquanto aguardam a expansão do mercado comercial.

Segundo a Joby, a aquisição permitirá combinar sua experiência em propulsão e sistemas autônomos com as capacidades da Resonant em radiofrequência, sensores e sistemas de missão. A companhia pretende utilizar essa combinação de tecnologias para desenvolver e construir aeronaves com características furtivas , capazes de dificultar sua detecção.
Embora a aquisição amplie significativamente a presença da Joby no setor de defesa, a empresa mantém relações com as Forças Armadas dos Estados Unidos há anos.
A aproximação começou em 2016 , quando a companhia participou de um projeto da Defense Innovation Unit, iniciativa do Departamento de Defesa estadunidense voltada ao desenvolvimento e à adoção de tecnologias inovadoras.

Em 2020 , a Joby se tornou a primeira desenvolvedora de eVTOLs a obter uma aprovação de aeronavegabilidade e um certificado de autorização de voo da Força Aérea dos Estados Unidos para testes conduzidos pelo governo.
Três anos depois, em 2023 , a empresa entregou sua primeira aeronave à Base Aérea de Edwards , na Califórnia, para testes.
Agora, a aquisição da Resonant amplia essa relação e dá à Joby acesso a tecnologias voltadas especificamente para aplicações militares.

A estratégia da Joby acompanha movimento mais amplo entre fabricantes de aeronaves elétricas, que estão recorrendo a projetos militares para fortalecer suas finanças.
Os táxis aéreos ainda precisam obter aprovações governamentais necessárias na maioria dos mercados onde essas empresas pretendem operar comercialmente. Sem essas autorizações, o setor encontra dificuldades para transformar os veículos em fonte significativa de receita.
Enquanto isso, as companhias continuam acumulando prejuízos devido aos altos custos de desenvolvimento. Na semana passada, a Joby informou ter registrado prejuízo líquido de US$ 245,4 milhões (R$ 1,3 bilhão) no segundo trimestre de 2026 , diante de uma receita de US$ 38,6 milhões (R$ 199,8 milhões).
Com isso, conquistar contratos militares começa a se tornar tão importante para algumas empresas quanto colocar os táxis aéreos em operação comercial.
A concorrente Archer Aviation, sediada em San Jose (EUA), também vem seguindo esse caminho. No mês passado, a companhia apresentou uma nova aeronave desenvolvida em parceria com a empresa de tecnologia de defesa Anduril.
Ao mesmo tempo, o setor começa a passar por um processo de consolidação. A Boeing anunciou recentemente a venda de três de suas subsidiárias de eVTOL para a própria Archer, em uma operação de grande porte que também envolve o mercado de táxis aéreos.
Para a Joby, a compra da Resonant Sciences representa, portanto, mais do que uma expansão de negócios: é uma tentativa de fortalecer sua presença no mercado de defesa enquanto a empresa ainda trabalha para transformar os táxis aéreos em uma operação comercial viável.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/11/carros-e-tecnologia/alem-do-taxi-aereo-carros-voadores-podem-ganhar-fins-militares/.

Outro exemplo de carro voador da Joby Aviation – Imagem: Joby Aviation — Foto: Olhar Digital
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