Brasil

    Além de mortes e sequestros, violência sexual também marcou ataques do Hamas

    Além de mortes e sequestros, os ataques do Hamas contra Israel em 2023 foram marcados por violência sexual sistemática contra mulheres, segundo os números mais recentes de uma comissão israelense divulgados meses antes do terceiro aniversário do ataque , nesta quarta-feira (7). Leia mais (10/07/2026 - 13h06)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 16:06
    Além de mortes e sequestros, violência sexual também marcou ataques do Hamas
    Fonte circular com água vermelha em praça aberta, cercada por livros dispostos ao redor da borda. Pessoas caminham e observam a instalação artística. Árvores e cadeiras coloridas estão ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Além de mortes e sequestros, os ataques do Hamas contra Israel em 2023 foram marcados por violência sexual sistemática contra mulheres, segundo os números mais recentes de uma comissão israelense divulgados meses antes do terceiro aniversário do ataque , nesta quarta-feira (7).

    Pessoas reunidas junto à fonte Dizengoff, tingida de vermelho, na cidade costeira israelense de Tel Aviv, para marcar o terceiro aniversário do ataque do Hamas - Jack Guez/AFP · Jack Guez/AFP
    Pessoas reunidas junto à fonte Dizengoff, tingida de vermelho, na cidade costeira israelense de Tel Aviv, para marcar o terceiro aniversário do ataque do Hamas - Jack Guez/AFP · Jack Guez/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O documento, de 300 páginas, acusava o grupo terrorista e outras facções palestinas de recorrerem "repetidamente a táticas de violência sexual e tortura contra as vítimas", tanto durante a invasão quanto ao longo do cativeiro dos reféns levados para Gaza .

    "Os crimes foram caracterizados por uma crueldade extrema e um profundo sofrimento humano, muitas vezes infligidos com o objetivo de intensificar o terror e a humilhação", afirma o texto.

    O comitê foi criado em novembro de 2023 por uma jurista israelense para documentar os crimes sexuais atribuídos ao Hamas e complementa outras investigações, incluindo da ONU (Organização das Nações Unidas).

    Palestinos enfrentam dificuldades para obter água na Faixa de Gaza
    Palestinos enfrentam dificuldades para obter água na Faixa de Gaza — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os autores dizem ter examinado mais de 10 mil fotografias e sequências de vídeo —o equivalente a 1.800 horas de material— além de realizar mais de 430 entrevistas, audiências ou reuniões com sobreviventes, testemunhas, ex-reféns, especialistas e familiares das vítimas.

    Segundo a comissão, os atos configuram crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio pelo direito internacional.

    Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

    Militar da unidade de observação das Forças de Defesa de Israel presta homenagem no memorial situado em uma colina perto de Nahal Oz - Ilia Yefimovich/AFP · Ilia Yefimovich/AFP
    Militar da unidade de observação das Forças de Defesa de Israel presta homenagem no memorial situado em uma colina perto de Nahal Oz - Ilia Yefimovich/AFP · Ilia Yefimovich/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em dezembro de 2023, uma reportagem do The New York Times, baseada em imagens, dados de GPS e mais de 150 entrevistas, identificou indícios de agressões ou mutilações sexuais contra mulheres e meninas em ao menos sete locais atacados.

    Na ocasião, dezenas de vídeos com cenas de violência contra mulheres viralizaram. Em um dos casos mais conhecidos, o corpo de uma mulher de 34 anos foi encontrado após o ataque. Ela, que desapareceu ao tentar fugir por uma rodovia com o marido, foi reconhecida pelo vestido preto que usava.

    Testemunhas, soldados e profissionais de saúde relatam ter encontrado corpos de dezenas de vítimas com roupas rasgadas e sinais de violência genital na rave Nova, em kibutzim e ao longo da Rota 232.

    Soldada de uniforme marrom ajoelhada diante de pedra memorial com flores vermelhas. Outras pessoas em uniforme estão ao fundo em terreno seco sob céu azul.
    Soldada de uniforme marrom ajoelhada diante de pedra memorial com flores vermelhas. Outras pessoas em uniforme estão ao fundo em terreno seco sob céu azul. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Hamas nega as acusações desde que foram apresentadas.

    Os ataques de 7 de outubro de 2023 mataram 1.221 pessoas, segundo contagem da agência AFP baseada em números oficiais israelenses, e resultaram no sequestro de 251 reféns —44 deles já mortos no momento do sequestro.

    A ofensiva militar israelense que se seguiu matou mais de 74 mil pessoas em Gaza, segundo fontes de saúde locais consideradas confiáveis pela ONU.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Este é o primeiro aniversário sem nenhum refém mantido em Gaza, após os sobreviventes terem sido trocados por palestinos detidos em prisões israelenses; os restos mortais do último refém foram recuperados em janeiro.

    Em Re'im, onde ocorria o festival Nova no momento da invasão, familiares e amigos das vítimas fizeram um minuto de silêncio às 6h29 (0h29 em Brasília) desta quarta-feira, horário exato do início do ataque em 2023.

    "Foi o minuto em que nossas vidas mudaram para sempre", disse Katia Zohar, mãe de Bar, assassinada aos 23 anos no festival. "Lembro de tudo. Do momento em que ela me ligou para que eu fosse buscá-la, porque havia mísseis voando [...] e, depois, quando ligou da estrada, gritando que estavam atirando contra ela."

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Anna Davitashvili, 53, recordou o filho Shaun, morto aos 25 anos no mesmo festival. "Sinto falta dele", disse. "Sinto muitíssimo por não ter conseguido salvá-lo."

    Também houve um momento de silêncio no kibutz Kfar Aza, onde 64 pessoas foram mortas e 18 sequestradas. As cerimônias oficiais ocorreram em Jerusalém na segunda-feira, com a participação do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

    O Hamas, que segue presente em Gaza apesar das promessas do premiê Binyamin Netanyahu de eliminar o grupo, chamou o 7 de outubro de "um dia glorioso na história de nosso povo", afirmando ter "destruído o mito do Exército invencível".

    As homenagens às vítimas também ocorrem sob segurança reforçada, a três semanas das eleições gerais em Israel, marcadas para 27 de outubro, e uma semana após um ataque em que o piloto de um avião com destino a Tel Aviv foi esfaqueado.

    Pesquisas indicam disputa difícil para Netanyahu, que nos últimos três anos lançou campanhas militares no Líbano e no Irã, além de intervir na Síria e no Iêmen. Um de seus adversários, o ex-premiê Naftali Bennett, o acusa de não ter evitado os ataques.

    "Este foi um fracasso colossal do Estado de Israel, que foi fundado para defender os judeus em nossa terra", declarou no local do festival Nova.

    O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o Exército segue em alerta , devido a informações de inteligência sobre possíveis ataques do Hamas na data do aniversário.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/alem-de-mortes-e-sequestros-violencia-sexual-tambem-marcou-ataques-do-hamas.shtml.

    Imagem 1
    1 / 6

    Pessoas reunidas junto à fonte Dizengoff, tingida de vermelho, na cidade costeira israelense de Tel Aviv, para marcar o terceiro aniversário do ataque do Hamas - Jack Guez/AFP · Jack Guez/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)