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    Al Qaeda segue convivendo com o Talibã no Afeganistão 25 anos após o 11/9

    Há vinte e cinco anos, Osama bin Laden liderou o planejamento dos ataques da Al Qaeda em 11 de setembro de 2001 a partir de um reduto do Talibã no Afeganistão , onde vivia como hóspede do grupo. Agora, o Talibã voltou a governar o Afeganistão e tenta mostrar ao mundo uma imagem mais moderna. Leia mais (09/13/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    13 de setembro de 2026 às 16:00
    Al Qaeda segue convivendo com o Talibã no Afeganistão 25 anos após o 11/9
    Homem armado em uniforme militar está em cima de veículo militar cercado por grupo grande de pessoas em rua de cidade. Bandeiras com inscrições em árabe são exibidas, e multidão observa e interage com os ocupantes do veículo. Prédios reside — Foto: Folha de S.Paulo

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    Há vinte e cinco anos, Osama bin Laden liderou o planejamento dos ataques da Al Qaeda em 11 de setembro de 2001 a partir de um reduto do Talibã no Afeganistão , onde vivia como hóspede do grupo. Agora, o Talibã voltou a governar o Afeganistão e tenta mostrar ao mundo uma imagem mais moderna.

    Um boneco com o rosto de Donald Trump é exibido e espancado durante as comemorações do aniversário do retorno ao poder do Talibã em Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 15.ago.26/The New York Times · Tomas Munita - 15.ago.26/The New York
    Um boneco com o rosto de Donald Trump é exibido e espancado durante as comemorações do aniversário do retorno ao poder do Talibã em Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 15.ago.26/The New York Times · Tomas Munita - 15.ago.26/The New York — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apesar dessa fachada, o Talibã não mudou sua ideologia, e grupos armados —entre eles dezenas de integrantes da Al Qaeda — permanecem no Afeganistão. Muitas das condições que possibilitaram os ataques de 11 de setembro de 2001 continuam presentes.

    O Talibã resistiu à guerra travada pelos Estados Unidos para derrubá-lo e agora governa 45 milhões de afegãos. Seus integrantes usam os telefones iPhone mais recentes para entrar em contato com diplomatas europeus e americanos.

    Viajam para o golfo Pérsico e para a Turquia e promovem o comércio com o Uzbequistão e a Índia . Seus combatentes agora patrulham as cidades afegãs, alguns usando equipamentos militares abandonados por Washington.

    Marcos na história da Al Qaeda
    Marcos na história da Al Qaeda — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E, quando autoridades talibãs recebem visitantes estrangeiros em seus escritórios ornamentados na capital Cabul , insistem que desejam manter relações pacíficas com o mundo. Reiteram os compromissos assumidos em 2020, durante as negociações de paz com a Casa Branca , de não permitir que outro grande ataque seja gestado em solo afegão.

    "Consideramos encerrado o capítulo da guerra", disse o ministro das Relações Exteriores do Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, em entrevista recente em Cabul.

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    Sherin Jan Haidari reza no túmulo de seus dois sobrinhos e de sua sobrinha, mortos por soldados afegãos durante a guerra liderada pelos EUA, na província de Wardak, no Afeganistão - Tomas Munita - 27.jul.26/The New York Times · Tomas Munita
    Sherin Jan Haidari reza no túmulo de seus dois sobrinhos e de sua sobrinha, mortos por soldados afegãos durante a guerra liderada pelos EUA, na província de Wardak, no Afeganistão - Tomas Munita - 27.jul.26/The New York Times · Tomas Munita — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mas a Casa Branca, a União Europeia e a maioria dos demais governos ainda não estão dispostos a confiar neles.

    As promessas do Talibã sobre segurança são semelhantes às feitas pelo mulá Mohammad Omar , então líder do grupo, meses antes do 11 de Setembro, quando disse a um jornalista que Bin Laden "não atua contra ninguém a partir do território do Afeganistão".

    A Al Qaeda e outros grupos terroristas permanecem no Afeganistão, embora não tenham um líder tão poderoso quanto Bin Laden nem exerçam sobre o Talibã a influência de antes.

    Uma grande multidão dança e comemora o aniversário do retorno do Talibã ao poder em Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 15.ago.26/The New York Times · Tomas Munita - 15.ago.26/The New York Times
    Uma grande multidão dança e comemora o aniversário do retorno do Talibã ao poder em Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 15.ago.26/The New York Times · Tomas Munita - 15.ago.26/The New York Times — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Há uma preocupante lacuna de inteligência. Autoridades de segurança e diplomatas reconhecem que não têm um panorama completo do que ocorre dentro de Cabul. O país voltou a se tornar uma sala escura onde, alertam eles, novas ameaças podem surgir sem serem percebidas.

    Em conversas, os afegãos costumam descrever a vida em seu país pelo que ela deixou de ser: uma vida em guerra. As estradas são seguras. Acordos de mineração são bem-vindos. O som de tiros é menos frequente.

    Os civis já não correm constantemente o risco de morrer em ataques de drones ou em meio a tiroteios, embora persista a ameaça de artefatos não detonados. Cabul recebeu novos recursos e novos restaurantes que imitam o brilho de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos .

    Talibã um dia após o fim da presença militar americana no Afeganistão
    Talibã um dia após o fim da presença militar americana no Afeganistão — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Essa é a mensagem do Talibã: a tranquilidade, e não o caos, permeia o Afeganistão.

    Mas essa é apenas uma parte da história. Grupos armados extremistas ainda encontram abrigo no Afeganistão, segundo os EUA, a China , a Rússia e as Nações Unidas.

    A ameaça terrorista no país é muito menos significativa e visível do que nos anos anteriores ao 11 de Setembro, quando havia até 30 mil terroristas e combatentes no país, afirmam especialistas e autoridades de segurança.

    Pessoas inspecionam os escombros de uma casa que foi alvo de ataques aéreos paquistaneses na província de Paktia, no Afeganistão - Tomas Munita - 9.ago.26/The New York Times · Tomas Munita - 9.ago.26/The New York Times
    Pessoas inspecionam os escombros de uma casa que foi alvo de ataques aéreos paquistaneses na província de Paktia, no Afeganistão - Tomas Munita - 9.ago.26/The New York Times · Tomas Munita - 9.ago.26/The New York Times — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ainda assim, especialistas das Nações Unidas estimam que entre 15 mil e 20 mil terroristas estejam espalhados por cerca de 20 grupos no Afeganistão. Moscou afirma que o número pode chegar a 23 mil.

    A Al Qaeda tem apenas algumas dezenas de integrantes no país, segundo estimativas da ONU e de especialistas em segurança, mas alguns vivem livremente em Cabul. As autoridades afegãs emitiram documentos nacionais de identidade para os líderes do braço sul-asiático da Al Qaeda, segundo o grupo de especialistas das Nações Unidas que monitora redes terroristas.

    Milhares de terroristas do Estado Islâmico também circulam pelas regiões fronteiriças acidentadas entre o Afeganistão e o Paquistão .

    Estados Unidos celebram a morte de Osama bin Laden, em 2011
    Estados Unidos celebram a morte de Osama bin Laden, em 2011 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O grupo mais numeroso é formado pelos milhares de integrantes do Tehrik-e-Taliban Pakistan, conhecido como Talibã paquistanês, ou TTP, que atravessam a porosa fronteira para realizar ataques contra as forças de segurança do Paquistão . Especialistas e autoridades de segurança atribuem o forte aumento dos ataques no Paquistão ao ambiente permissivo proporcionado pelo Talibã afegão desde 2021.

    Embora em números muito menores do que na década de 1990, combatentes estrangeiros também viajaram recentemente da Síria e da Somália para o país.

    O Talibã afegão nega apoiar o Talibã paquistanês, mas, em particular, afirma que não conseguiria repelir o grupo mesmo que quisesse.

    Marwa, uma menina afegã pedindo nas ruas de Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 31.jul.26/The New York Times · Tomas Munita - 31.jul.26/The New York Times
    Marwa, uma menina afegã pedindo nas ruas de Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 31.jul.26/The New York Times · Tomas Munita - 31.jul.26/The New York Times — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Paquistão tem sido um aliado próximo dos EUA sob a presidência de Donald Trump , e os americanos acusaram o Talibã de descumprir suas promessas de combate ao terrorismo . Até mesmo Pequim , há muito uma firme defensora de uma relação pragmática com o Talibã , instou o grupo a "eliminar resolutamente todas as forças terroristas".

    A União Europeia quer que o grupo "faça mais para convencer o mundo de que o Afeganistão não é uma potencial ameaça".

    A presença contínua de milhares de terroristas é uma das principais razões para o persistente isolamento do Talibã em relação ao restante do mundo. A maioria dos analistas de segurança acredita que eles representam uma ameaça sobretudo para a região, e não para o Ocidente, mas a Al Qaeda e o Estado Islâmico ainda promovem uma ideologia global.

    Homem de meia-idade em pé entre bandeiras de tecido desgastadas em varas fincadas no solo, em área montanhosa ao entardecer. Montanhas e céu claro ao fundo.
    Homem de meia-idade em pé entre bandeiras de tecido desgastadas em varas fincadas no solo, em área montanhosa ao entardecer. Montanhas e céu claro ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Talibã afirma trabalhar em estreita colaboração com serviços de inteligência estrangeiros para combater a filial afegã do Estado Islâmico. Uma autoridade graduada da inteligência afegã, que falou sob condição de anonimato para tratar de questões de segurança nacional, chamou isso de "diplomacia de inteligência".

    Os dois grupos são inimigos porque a filial segue uma ideologia jihadista extremista que considera o Talibã um desertor, por tolerar minorias religiosas e buscar aproximação internacional. A filial reivindicou a autoria do ataque nos arredores do aeroporto de Cabul durante a retirada americana, em agosto de 2021 , que matou 13 militares dos EUA e mais de 170 civis afegãos.

    O grupo tem atacado repetidamente comunidades xiitas no Afeganistão e reivindicou atentados letais neste ano em Cabul e Islamabad, capital do Paquistão.

    Grupo numeroso de homens jovens em praça pública, alguns segurando bandeiras brancas com inscrições, outros fazendo gestos com as mãos. Ao fundo, estrutura alta e pessoas em degraus observando a cena. Ambiente ao ar livre durante o dia.
    Grupo numeroso de homens jovens em praça pública, alguns segurando bandeiras brancas com inscrições, outros fazendo gestos com as mãos. Ao fundo, estrutura alta e pessoas em degraus observando a cena. Ambiente ao ar livre durante o dia. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Talibã enviou equipes de forças especiais para se infiltrar em áreas controladas pelo Estado Islâmico, segundo Antonio Giustozzi, pesquisador sênior do Royal United Services Institute, em Londres , que acompanha os grupos terroristas da região.

    Especialistas e autoridades de segurança afirmam que a filial já não tem capacidade para realizar um ataque de grande escala. Eles atribuem isso à atuação do Talibã e do Paquistão, bem como a uma perda mais ampla de impulso por parte do grupo.

    "Cabul está travando uma feroz luta armada contra o Estado Islâmico", disse neste ano Sergei Shoigu, ex-ministro da Defesa da Rússia e atual secretário de seu Conselho de Segurança.

    Três homens vestidos com roupas tradicionais estão em um edifício parcialmente destruído, cercado por escombros e ferragens expostas. Ao fundo, há uma paisagem de montanhas e vegetação sob céu nublado.
    Três homens vestidos com roupas tradicionais estão em um edifício parcialmente destruído, cercado por escombros e ferragens expostas. Ao fundo, há uma paisagem de montanhas e vegetação sob céu nublado. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A relação do Talibã com a Al Qaeda é de outra natureza.

    Nos últimos anos, autoridades americanas de combate ao terrorismo chamaram o Afeganistão de "casa de repouso" para os integrantes mais graduados da Al Qaeda e classificaram a ameaça representada pelo grupo a partir do país como a menor em décadas. Mas sua influência persiste.

    A Al Qaeda nunca abandonou o Talibã durante seus 20 anos de insurgência, e o Talibã, agora no poder, não abandonou a Al Qaeda.

    Menina com vestido laranja e cabelo preso está em primeiro plano na calçada de rua à noite. Ao fundo, lojas iluminadas exibem mercadorias coloridas e pessoas caminham pela calçada.
    Menina com vestido laranja e cabelo preso está em primeiro plano na calçada de rua à noite. Ao fundo, lojas iluminadas exibem mercadorias coloridas e pessoas caminham pela calçada. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Algumas dezenas de integrantes da Al Qaeda permanecem em Cabul e ao longo da fronteira com o Paquistão, treinando o Talibã paquistanês, segundo o grupo da ONU que monitora redes terroristas. (O sucessor de Bin Laden, Ayman al-Zawahri, foi morto em 2022 por um ataque de drone americano quando estava na varanda de sua casa, em Cabul.)

    "Qual é exatamente o papel da Al Qaeda no Afeganistão? É muito difícil dizer", afirmou Colin Smith, coordenador do grupo da ONU , que reúne informações de mais de 40 agências de inteligência para seus relatórios semestrais.

    Em abril, a Al Qaeda declarou apoio ao Talibã paquistanês e renovou seu respaldo ao regime talibã em Cabul, saudando o grupo como "um modelo contemporâneo". Ao apoiar o Talibã, a Al Qaeda ganha tempo e espaço no Afeganistão, afirmou Giustozzi.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Seja qual for sua natureza exata, a relação entre o Talibã e os grupos terroristas que operam no país agora ameaça desestabilizar o Afeganistão.

    Fartos dos ataques incessantes do Talibã paquistanês, os militares do Paquistão retaliaram neste ano com dezenas de ataques aéreos contra a infraestrutura de segurança e instalações civis afegãs , inclusive em Cabul.

    Uma autoridade da inteligência paquistanesa, que falou sob condição de anonimato para tratar de questões de segurança nacional, afirma que a liderança de seu país concluiu que a segurança interna do Paquistão não melhoraria enquanto não "resolvesse" a questão do Talibã.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nos últimos meses, autoridades talibãs têm demonstrado preocupação crescente com a possibilidade de uma tentativa de mudança de regime no Afeganistão apoiada pelo Paquistão.

    Grupos de resistência ao Talibã que aguardavam nos bastidores agora veem uma oportunidade. Três deles, liderados por ex-integrantes das forças militares afegãs apoiadas por Washington, reivindicaram a autoria de mais de 50 ataques contra autoridades, postos de controle e edifícios do Talibã em todo o Afeganistão desde julho.

    O líder de um deles, que falou sob condição de anonimato para discutir os ataques, descreveu-os, em entrevista, como ações contra alvos de oportunidade, destinadas a romper a aparência de segurança que o Talibã conseguiu manter até agora.

    Os ataques ainda não representam uma ameaça capaz de pôr fim ao regime, mas ao menos duas autoridades locais foram mortas por forças contrárias ao Talibã nas últimas semanas.

    Eles são mais um lembrete de que, no Afeganistão, a guerra ainda não é uma lembrança distante.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/al-qaeda-segue-convivendo-com-o-taliba-no-afeganistao-25-anos-apos-o-119.shtml.

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    Um boneco com o rosto de Donald Trump é exibido e espancado durante as comemorações do aniversário do retorno ao poder do Talibã em Cabul, no Afeganistão - Tomas Munita - 15.ago.26/The New York Times · Tomas Munita - 15.ago.26/The New York — Foto: Folha de S.Paulo

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