Airbus planeja produzir no Brasil o H145, helicóptero igual ao do Neymar
A gigante Airbus está preparando uma linha de produção para fabricar o helicóptero leve H145 na fábrica de sua subsidiária brasileira Helibras, em Itajubá (MG). Na sua versão executiva, essa é a aeronave do atacante Neymar -toda preta, ela ostenta a marca do Batman no estofamento. Leia mais (08/24/2026 - 13h11)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A gigante Airbus está preparando uma linha de produção para fabricar o helicóptero leve H145 na fábrica de sua subsidiária brasileira Helibras, em Itajubá (MG). Na sua versão executiva, essa é a aeronave do atacante Neymar —toda preta, ela ostenta a marca do Batman no estofamento.

O modelo H145 deverá ser produzido na linha de montagem da Helibras onde atualmente está sendo feito o último helicóptero militar H225M .
Como mostrou a Folha , a produção do H225M será descontinuada após o término de um contrato com o governo federal para o fornecimento de 47 unidades para as Forças Armadas . O último deles, destinado à Força Aérea Brasileira, deve ser entregue entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A ideia de se fabricar o H145 no Brasil vem amadurecendo ao menos desde março de 2024, quando o assunto teria sido discutido entre os presidentes Lula e Emmanuel Macron , durante visita do francês ao Brasil.

Em julho do ano passado, Brasil e França assinaram uma carta de intenções para a fabricação do modelo em Itajubá. A sede da divisão de helicópteros da Airbus fica em Marignane, perto de Marselha, na França.
Na época, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estimou o investimento em R$ 1 bilhão.
À Folha , a pasta afirma que atua como articuladora com ministérios que poderiam ter interesse na compra desse tipo de helicóptero, de uso militar e civil.

"A carta de intenções entre o Brasil e a França expressou o interesse dos franceses em produzir a linha H145 na fábrica da Helibras e a disposição do governo brasileiro em estudar possíveis aquisições dessas aeronaves, observando eventuais inclusões de cláusulas de nacionalização de componentes e de desempenho exportador", disse o ministério.
No caso da produção do H225M, a nacionalização exigida foi de 50%, índice atingido.
A ideia é começar a produção pela versão militar, a H145M.

Em nota, a FAB não cita o modelo diretamente, mas o Emaer (Estado Maior da Aeronáutica) afirma que há estudos, no âmbito do Ministério da Defesa, sobre eventual aquisição conjunta de helicópteros leves para operação nas Forças Armadas .
"Os equipamentos que atendem às necessidades militares, assim como as quantidades e os parâmetros para eventual aquisição, ainda não foram definidos", diz.
Para ativar uma nova linha, a Helibras estaria de olho em um contrato de ao menos 40 helicópteros.

A versão militar pode receber um sistema chamado de HForce, que permite a integração de metralhadoras, foguetes e outros armamentos.
A Helibras, entretanto, não está de olho apenas no mercado bélico. Vislumbra o de serviços, como helicópteros executivos e de serviços de saúde, defesa civil, bombeiros e polícia, além da aviação executiva.
Os dois H145D3 entregues para o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais —voam desde o ano passado —são a menina dos olhos da Helibras.

"É o estado da arte", diz Amary Bastos, presidente da empresa no Brasil, sobre o alto nível de automação do helicóptero. Com o piloto automático, são mantidos atitude, rumo, altitude e velocidade.
"O piloto pode estar concentrado na missão", afirma o executivo.
Configurados para serviço aeromédico de emergência também para busca e salvamento, os dois helicópteros custaram quase R$ 160 milhões ao governo de Minas Gerais.
A Airbus/Helibras vê como "enorme" o potencial de venda desse helicóptero. Para Bastos, só para o serviço público há uma demanda estimada em 200 aeronaves.
Não há uma data estimada para início de produção. Isso depende de um primeiro contrato, mas o presidente da Helibras diz que a fábrica está preparada.
"Temos a formação de especialistas na produção do H145 e queremos já começar essa nova aventura", diz.
Atualmente cerca de 15 H145 voam no Brasil, conforme registros da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Desses, seis são executivos (que levam a sigla ACH145), como o do Neymar. O helicóptero tem prefixo PP-NJR, em referência à empresa de Neymar e às iniciais do jogador. Foi comprado em 2019 por R$ 40 milhões , cerca de R$ 56,2 milhões atuais, corrigidos pela inflação. O valor não inclui personalização —foi com ele que o atacante se apresentou em maio na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), para a Copa do Mundo.
Segundo a fabricante, duas unidades executivas foram vendidas no país nos últimos três anos.
Com cabine flexível, pode levar até dez passageiros, mais os dois pilotos. Tem 3h35 de autonomia de voo e 650 km de alcance máximo com tanque de combustível padrão.
São dois motores Safran Arriel 2E, que podem chegar a uma velocidade de cruzeiro de até 241 km/h.
Pode se ter muito mais, basta pagar. Em fevereiro, a Airbus lançou uma nova versão do ACH145, em parceria com a Mercedes-Benz. O modelo é inspirado no SUV de luxo AMG G Class, da montadora alemã. O primeiro dono no mundo é um empresário brasileiro.
A aeronave pode ser adquirida por preços na casa dos US$ 15 milhões (R$ 78 milhões), variando conforme a configuração interna e a tecnologia embutida que o cliente desejar inserir.
A versão mais moderna disponível no mercado conta com cinco pás, o que, segundo o fabricante, proporciona um voo mais suave.
No último dia 12 de agosto, a reportagem voou em um ACH145 até a sede da Helibras, no sul de Minas Gerais, em uma viagem de cerca de 1 hora, a partir do aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo .
A aeronave alcançou altitudes que variaram entre 3.500 e 7.000 pés (de 1.066 m a 2.130 m). Tanto a ida quanto a volta ocorreram sem turbulência. A aeronave estava com sua capacidade máxima de lotação, de oito passageiros.
A automação era visível pelas mãos livres dos pilotos em boa parte do voo.
O jornalista viajou a Itajubá (MG) a convite da Airbus/Helibras
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/airbus-planeja-produzir-no-brasil-o-h145-helicoptero-igual-ao-do-neymar.shtml.

Helicópetro ACH145 em heliponto da Helibras, em Itajubá (MG); fábrica tem planos de fabricar a aeronave no Brasil - Zanone Fraissat - 12.ago.26/Folhapress · Zanone Fraissat - 12.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

