Ainda sem detalhes, 'Dia D econômico' de Trump contra Irã fica apenas na ameaça
Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (24) o que chamaram de " Dia D econômico " contra o Irã , sem detalhar medidas específicas e prazos para elas. O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que também não forneceu detalhes sobre quais países ou empresas podem ser atingidos. Leia mais (08/24/2026 - 19h33)

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Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (24) o que chamaram de " Dia D econômico " contra o Irã , sem detalhar medidas específicas e prazos para elas. O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que também não forneceu detalhes sobre quais países ou empresas podem ser atingidos.

"O Tesouro mapeou todo o nó, todo o facilitador, e toda rede que o Irã tem usado para contrabandear petróleo e evadir sanções", afirmou Bessent. "Ninguém deveria testar nossa determinação."
Diferentemente do Dia D da Segunda Guerra Mundial ao qual faz referência, a operação econômica não foi secreta, mas amplamente antecipada pelo presidente Donald Trump na última quarta-feira (19).
E, ao menos por enquanto, é mais uma ameaça do que uma operação de guerra. A iniciativa tenta marcar um ponto de inflexão em um conflito que, apesar das previsões da Casa Branca de que demoraria apenas algumas semanas , já se arrasta há seis meses .

"Por que eu iria querer explodir o sistema financeiro global?", questionou Bessent, ao ser perguntado por qual motivo seu anúncio não veio já com sanções. "Acreditamos que é importante nos alinharmos e darmos um período de cura para as pessoas, mas elas precisam saber que isso vai ser rápido e que estamos falando sério."
Como no anúncio de Trump na última quarta, ainda não está claro se os alvos prioritários de sanções e outras medidas são aliados americanos que fazem comércio com Teerã, como Turquia e Paquistão, ou rivais geopolíticos mais próximos do regime persa, como a China e a Rússia.
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Bessent afirmou apenas que Trump está em contato com uma série de países, que não nomeou, e que haverá resultados concretos a apresentar, mas não deu detalhes. O secretário se recusou a estabelecer um prazo para o teste de lealdade anunciado.
O site do Tesouro divulgou o decreto que sinaliza os principais setores afetados pelas sanções, incluindo os iranianos de aviação, ativos digitais, ouro, transporte marítimo e tecnologia, além da indústria petroquímica. Empresas que fizerem negócios com esses setores também poderão ser alvo das chamadas sanções secundárias.
O anúncio foi feito pelo secretário um mês antes da chegada do líder chinês, Xi Jinping, a Washington, em visita que tem sido preparada há meses , ao menos desde que Trump foi a Pequim, em maio .

A China é um dos principais compradores de petróleo iraniano, mas instituições financeiras chinesas, que facilitariam o comércio de óleo persa, ainda não foram alvo de sanções.
Perguntado sobre o assunto, Bessent não descartou que isso pudesse ocorrer, embora haja receio na Casa Branca de retaliação a instituições americanas nesse caso. Eventuais sanções a bancos chineses podem também dificultar negociações relativas a tarifas e comércio de setores estratégicos, como o de minerais críticos.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que sanções e táticas de pressão não ajudam e que Pequim faria o que fosse necessário para proteger seus interesses.
O site do Tesouro anunciou novas sanções a 60 pessoas, entidades ou embarcações, com alvos nos Emirados Árabes Unidos, China, Singapura, e até uma refinaria na França.
O Irã desafiou nesta segunda-feira a ameaça americana e fez sua versão de alerta ao resto do mundo ao dizer que países que aderirem à campanha de Washington poderão sofrer consequências.
Trump respondeu Teerã e foi às redes sociais afirmar que a República Islâmica "está em colapso", antes do anúncio de Bessent.
Em resposta, o vice-chanceler Kazem Gharibabadi afirmou que "a narrativa não faz sentido". "Vocês dizem que o poder militar do Irã foi ‘desmantelado’, que 100% de suas fábricas militares foram ‘destruídas’ e que seu programa nuclear foi ‘enterrado’", afirmou.
No entanto, acrescentou, a ação contra o Irã exige a mobilização de "todas as instituições e poderes" de Washington. "Isso é uma vitória ou o reconhecimento da derrota dos EUA?."
Próximo de Trump e um dos interlocutores principais da Casa Branca na Ásia, o chefe das Forças Armadas do Paquistão, Asim Munir, esteve em Teerã nesta segunda-feira, de acordo com a mídia estatal iraniana.
O Paquistão afirmou que a visita buscava "promover a paz e a estabilidade regionais" e que Munir se encontraria com pessoas próximas ao líder supremo persa, Mojtaba Khamenei.
Seja como for, a campanha de pressão econômica se soma ao impasse do ponto de vista militar. Enquanto o Irã segue limitando o trânsito de embarcações no estreito de Hormuz , os EUA continuam com seu bloqueio a portos iranianos.
Perguntado sobre o assunto nesta segunda, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou não descartar novos ataques ao Irã, mas também que "pressão econômica machuca mais eles agora". Hegseth nega que o arsenal americano, após os ataques contra o Irã, esteja em níveis críticos, uma preocupação que tem sido ventilada há semanas.
"Mais pressão econômica assegura que o Irã de fato só tem uma escolha, que é sentar à mesa para falar sobre o programa nuclear deles, que é o que o presidente exigiu", disse ele, retomando uma das demandas de Washington que vem e vão dos discursos oficiais.
Teerã já sofre décadas de pesadas sanções dos EUA e da Europa, e não há indicativo crível de que a economia iraniana sofreu um baque estrutural com o início dos ataques de EUA e Israel em fevereiro deste ano.
Militarmente, por outro lado, o Irã de fato viu sua Marinha e sua Força Aérea ser dizimada, o que não desmantelou completamente sua capacidade de provocar danos, em particular com mísseis e drones contra países aliados de Washington na região e na criação de obstáculos em Hormuz.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/ainda-sem-detalhes-dia-d-economico-de-trump-contra-ira-fica-apenas-na-ameaca.shtml.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, responde a perguntas de jornalistas após anúncio de sanções contra o Irã, em Washington - Chip Somodevilla/Getty Images via AFP · Chip Somodevilla/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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