Brasil

    Ainda há tempo para o Brasil?

    Em 2017, embaraçado, descrevi nesta Folha a desconexão que enxergava entre as proclamações oficiais anunciando que a felicidade e a prosperidade haviam se espraiado pela nação e a banalização da vida de milhões de brasileiros, encurralados e sem chance de desfrutar dos encantos que envolvem a existência humana. O título do artigo: "Brasil, o ocaso de uma nação". Leia mais (08/19/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 01:00
    Ainda há tempo para o Brasil?
    A imagem mostra uma vista panorâmica de uma comunidade urbana, com uma densa concentração de casas de tijolos e telhados de metal. Ao fundo, há prédios altos e modernos, contrastando com a arquitetura simples das casas. O céu está parcialme — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Favela de Paraisópolis, em São Paulo; ao fundo, edifícios de alto padrão - Bruno Santos - 17.jul.25/Folhapress
    Favela de Paraisópolis, em São Paulo; ao fundo, edifícios de alto padrão - Bruno Santos - 17.jul.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Urologista do Hospital Vila Nova Star, é pós-graduado em urologia pela Universidade Harvard e presidente do Conselho do Instituto Criança é Vida

    Em 2017, embaraçado, descrevi nesta Folha a desconexão que enxergava entre as proclamações oficiais anunciando que a felicidade e a prosperidade haviam se espraiado pela nação e a banalização da vida de milhões de brasileiros, encurralados e sem chance de desfrutar dos encantos que envolvem a existência humana. O título do artigo: "Brasil, o ocaso de uma nação".

    Para compreender essa dissonância e apoiado nas ideias de Daron Acemoglu e James Robinson , aprendi que o progresso de um país depende menos de planos econômicos lustrosos e mais da preservação de instituições robustas, conduzidas por autoridades comprometidas com as aspirações dos seus cidadãos, capazes de favorecer o bem-estar coletivo. Em contraposição, nações regidas por instituições e governantes pervertidos correm o risco de submergir de forma irremediável. Nelas proliferam grupos que, na sua voracidade, concentram a renda e estabelecem relações promíscuas para alimentar a ganância.

    Os candidatos à Presidência em 2026
    Os candidatos à Presidência em 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Disseminam-se a amoralidade, a corrupção e a desagregação social —e, ao final, as nações derretem; os desvalidos arrastados na frente. Tragédia anunciada por Aristóteles há mais de 2.300 anos: "O homem, quando aperfeiçoado pela virtude, é o melhor dos animais; mas, quando separado da lei e da justiça, é o pior de todos".

    Decorridos nove anos, a agonia não se atenuou. Nesse período, políticas e comportamentos nefastos dilaceraram a nossa sociedade e esgarçaram a confiança coletiva nas instituições. Talvez por isso o Brasil, anunciado hoje como a décima economia do mundo, ocupe apenas o 84º lugar do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU , que reflete a qualidade de vida do seu povo. Disparidade indecente para os afeitos a valorizar mais a dimensão humana do que a frieza dos números.

    Decorridos nove anos, fica claro que para consertar o esfrangalho atual, o país necessita de governantes dotados de valores inegociáveis: 1 - integridade pessoal, como exemplo moral para a sociedade; 2 - competência administrativa impregnada pelo dever cívico; 3 - respeito ao regime democrático; 4 - luta incessante contra a desigualdade, começando com programas essenciais que promovem a ascensão social; 5 - capacidade de pacificar a sociedade, lembrando que o bom governante não é quem procura vingar-se da metade do país, mas aquele que consegue devolver o futuro à outra metade que perdeu a esperança; e 6 - coragem para enfrentar interesses indevidos, que aviltam o futuro coletivo. Em suma, é preciso um estadista, que a cada decisão faça antes uma pergunta singela: "Isso aumentará ou diminuirá as oportunidades da criança que nasceu ontem na família mais pobre do país?".

    Este é Ronaldo Caiado
    Este é Ronaldo Caiado — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Indago agora se a próxima eleição nacional poderá representar um momento maior, o resgate da prosperidade do Brasil. Certamente não, se nada mudar. As correntes políticas representadas pelos dois candidatos que lideram as pesquisas ocuparam a Presidência por mais de duas décadas, tiveram a chance de produzir a prosperidade e falharam. Ademais, carregando elevados índices de rejeição, dificilmente conseguirão unir o país diante do futuro econômico tempestuoso que se prenuncia para a nação.

    Para complicar, ambos os grupos têm dado exemplos contundentes de afronta à verdade, à legalidade e, sobretudo, à existência humana, como revelaram os episódios ligados à pandemia e ao escândalo do INSS .

    Ninguém ignora que em nosso país existem cidadãos que conseguem viver com alegria e decência. Contudo, sou tomado por imensa aflição ao imaginar o que acontecerá com outro Brasil, no qual mais de 48 milhões ainda vivem abaixo da linha de pobreza, se a nação não puder evitar o desastre iminente.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Recomposto, percebo que na noite de breu que atinge o Brasil ainda reluzem algumas estrelas —e uma delas bem perto de nós. Onde fica? Logo ali, no centro do Brasil. Ronaldo Caiado , uma figura impoluta, admirada pelos cidadãos do seu pedaço —em 2026, a melhor avaliação popular entre todos os governadores e ex-governadores do Brasil (Genial/Quaest). Ademais, com história humanística robusta, o doutor que aliviava a dor dos corpos quebrados.

    Parafraseando Chico Buarque em "Sonho Impossível", colocando os nossos destinos em suas mãos, acho que vai ter fim a infinita aflição. E a nação vai ver uma flor brotar de cada impossível chão. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/ainda-ha-tempo-para-o-brasil.shtml.

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    Favela de Paraisópolis, em São Paulo; ao fundo, edifícios de alto padrão - Bruno Santos - 17.jul.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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